Política

Por que Renan Calheiros quer convocar Mauro Carvalho para ser ouvido na CPI da Covid no Senado

O pedido para convocar Carvalho ainda será votado pela comissão parlamentar de inquérito do Senado e atende um pedido pessoal do relator, senador Renan Calheiros(MDB/AL)

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM SECOM-MT/COM AGÊNCIA SENADO/COM BBC BRASIL 25/08/2021
Por que Renan Calheiros quer convocar Mauro Carvalho para ser ouvido na CPI da Covid no Senado
Fotos: Mayke Toscano/Agência Senado/Arquivo
Se há mais de dois meses de depoimentos na CPI da Covid do Senado Federal ainda não possa ser tão esclarecedor e/ou trouxer a tona nenhuma informação que possa ser considerada bombástica – sob ponto de vista corruptível - na avaliação de analistas políticos, do outro lado, houve revelações importantes a respeito da atuação federal na vacinação, sob Jair Bolsonaro(sem partido) nos últimos meses. A CPI busca apurar ações e omissões do governo federal na gestão da pandemia, mas, ainda tem um longo caminho pela frente: há dezenas de depoentes convocados e um término - ainda sem data defendida para a conclusão. Entre o mais novo convocado – está o atual secretário chefe da Casa Civil do Governo de Mato Grosso, Mauro Carvalho, considerado fiel escudeiro do governador Mauro Mendes, DEM. O pedido para convocar Carvalho ainda será votado pela comissão parlamentar de inquérito do Senado e atende um pedido pessoal do relator, senador Renan Calheiros(MDB/AL), que protocolou o documento convocando o secretário mato-grossense. Carvalho assumiu a pasta da Casa Civil no dia 01 de janeiro de 2019 e ficou como responsável – por parte do Governo de Mato Grosso – em ser o interlocutor na aquisição de vacinas contra a Covid 19 para o estado. O senador alagoano quer saber a tentativa da empresa Davati Medical – que tinha como suposto responsável Luiz Paulo Dominghetti - em negociar vacinas Covaxin da fabricante Johnson & Johnson com o governo de Mato Grosso. Dominghetti queria vender a vacina a U$ 14 dólares por dose e com prazo de entrega de até 10 dias após a assinatura do contrato. Mauro Carvalho – afirma -  que solicitou, na época,  carta de representação da empresa com a fabricante para ter a garantia da compra de forma correta e que o governo de Mato Grosso não assinou nenhum contrato e não realizou nenhuma compra da vacina, sob Luiz Paulo Dominghetti. A verdade é que cidades e estados brasileiros receberam ofertas de milhares de doses de vacina de supostos representantes da empresa e que tinha, além de Dominghetti Pereira, outros três representantes. A Davati nunca teve acesso aos imunizantes. Antes de obter as vacinas, os supostos vendedores buscavam acumular cartas de intenção de compra de governos. A própria empresa Davati e a Astrazeneca emitiu nota – na época - dizendo não deter “posse das vacinas” e que não disponibilizava a vacina por meio de intermediários. A AstraZeneca tem acordo por meio da Fiocruz, que produz as vacinas ou importa doses prontas do Instituto Serum, na Índia. Quanto ao funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, já recebeu mais de 1,3 terabytes de documentos requisitados pelos senadores a órgãos públicos, empresas e outras instituições. O grande volume já criou problemas tecnológicos de processamento dos dados e alimenta dúvidas sobre a real capacidade de a CPI e o gabinete dos senadores, entre eles de Renan Calheiros, de analisar todo o material recebido. São 62.707 arquivos de acesso livre, que somam 896 gigabytes, e outros 24.052 arquivos sigilosos, com 423 gigabytes.