Política

Lula relança novo PAC, mas, porquê em Cuiabá e VG não deu certo em função de fraude e corrupção? Entenda

Após o escândalo envolvendo PAC cuiabano, o Governo Federal suspendeu o repasse da dinheirama para a Prefeitura e Cuiabá e Várzea Grande

DA REPORTAGEM 11/08/2023
Lula relança novo PAC, mas, porquê em Cuiabá e VG não deu certo em função de fraude e corrupção? Entenda
O grupo se beneficiou da impunidade e assistiu ao processo da liberação dos R$ 400 milhões do PAC, na época, mergulhar em um dos piores pesadelos | Arquivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou na sexta-feira,11, o Novo PAC, a terceira edição do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), iniciativa que marcou seu segundo mandato e a gestão Dilma Rousseff, seja por alavancar os investimentos em infraestrutura e a geração de emprego no país, seja pelas denúncias de corrupção e os longos atrasos nas entregas das obras.

Em Cuiabá não foi diferente.

Era o dia 10 de agosto de 2009, agentes da Polícia Federal realizaram a Operação Pacenas para investigar corrupção e fraude envolvendo recursos do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) para o saneamento básico em Cuiabá e no município de Várzea Grande. Somadas, as obras totalizariam cerca de R$ 400 milhões.

O nome da operação faz referência à empresa pública responsável pelos procedimentos licitatórios, a Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), que atua na capital mato-grossense.

Lida ao contrário, a sigla da empresa se torna Pacenas. As fraudes ocorriam por meio da indução de editais que direcionavam empresas por meio de cláusulas consideradas restritivas.

O grupo direcionava o processo para a escolha do Consórcio Cuiabano, composto pelas construtoras Três Irmãos, Gemini, Concremax, Encomind e Lúmen Engenharia.

O prefeito, na época, era o Deputado Wilson Santos, ex-tucano e agora no PSD, e entre os envolvidos e que foram presos pela PF, estava o procurador-geral da Prefeitura de Cuiabá, José Antônio Rosa, e mais dez pessoas, entre elas: os empresários Marcelo Avalone, Carlos Avalone Junior, Jorge Antônio Pires de Miranda e Anildo Lima Barros, proprietários das construtoras Três Irmãos, Concremax e Gemini, que, juntas, forma o consórcio Cuiabano.

Também foram presos Luiz Carlos Richter Fernandes e José Alexandre Schutze, respectivamente, presidentes do Sinduscon/MT e do Sincop/MT, além da presidente da Comissão de Licitação do PAC-Cuiabá, Ana Virgínia de Carvalho; do presidente da Comissão de Licitação do PAC-Várzea Grande, Milton Nascimento Pereira; da funcionária pública Jaqueline Favetti, integrante da comissão de Várzea Grande e Adilson Moreira da Silva.

Após o escândalo envolvendo PAC cuiabano, o Governo Federal suspendeu o repasse da dinheirama para a Prefeitura e Cuiabá e Várzea Grande foram as maiores vítimas.

Pois, além de não resolver o problema de saneamento das duas cidades, a capital precisou vender a única empresa estatal de água e saneamento, a Sanecap. Cuiabá é servida hoje por uma empresa privada.

No entanto, explicar os motivos que levaram a essa catástrofe com Cuiabá e Várzea Grande a chegar até essa situação não é algo simples: não há só um fator responsável, mas uma série deles.

O grupo se beneficiou da impunidade e assistiu ao processo da liberação dos R$ 400 milhões do PAC, na época, mergulhar em um dos piores pesadelos.

E os motivos dessa pária com o saneamento aprofundou os sentimentos dos cuiabanos e várzea-grandenses.