Política

Em encontro com Biden, Lula diz que EUA e Brasil devem se tratar como “amigos com objetivo em comum”

Os dois líderes lançam, nesta quarta-feira (20), a Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras, iniciativa entre os dois países com o objetivo promover o trabalho digno

PEDRO RIBEIRO/COM CNN/COM G1 20/09/2023
Em encontro com Biden, Lula diz que EUA e Brasil devem se tratar como “amigos com objetivo em comum”
Lula e o presidente norte-americano, Joe Biden, em reunião nos EUA | Ricardo Stuckert/PR

Em encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que os EUA e o Brasil devem se tratar como “amigos em busca de um objetivo em comum: desenvolvimento e melhoria de vida do povo”.

Os dois líderes lançam, nesta quarta-feira (20), a Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras, iniciativa entre os dois países com o objetivo promover o trabalho digno.

“A iniciativa proposta por Biden de fazer um plano de trabalho para oferecer à juventude e ao povo a perspectiva de um emprego decente e mais qualificado, tentando tirar proveito da transição energética e da inteligência artificial”, disse Lula sobre a parceria.

“Precisamos apresentar uma proposta concreta para despertar esperança na sociedade que vive do trabalho no mundo”, acrescentou o presidente brasileiro.

Lula viajou a Nova York para participar do debate de chefes de Estado e governo da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Além do discurso no plenário da ONU, ele aproveitou a viagem para se reunir com outros chefes de Estado e de governo, e para lançar a parceria com os EUA.

Ao lado de Biden, que derrotou o então presidente Donald Trump nas eleições de 2020, Lula disse que a "negação da política" ameaça a democracia e tem provocado o surgimento de grupos extremistas em todo o mundo.

"A democracia cada vez se corre mais perigo porque a negação da política tem feito com que setores extremistas tentem ocupar o espaço, em função da negação política. Isso já aconteceu no Brasil, está acontecendo na Argentina e está acontecendo em vários outros países", afirmou.

O presidente brasileiro também voltou a defender o combate às desigualdades como uma prioridade na agenda mundial.

"Estamos tentando convencer as pessoas que, quanto menos pobre existir na humanidade, melhor ainda será para os ricos. A pobreza e a desigualdade não interessam a ninguém", disse.

Parceria pró-trabalhadores

Segundo o governo brasileiro, Brasil e Estados Unidos pretendem, juntos, incentivar a geração de empregos com cobertura de direitos trabalhistas e proteger quem trabalha por meio de plataformas digitais, a exemplo de transporte de passageiros e entrega de refeições.

O governo brasileiro informou que a parceria com os EUA tem os seguintes objetivos:

  • Ampliar o conhecimento sobre direitos trabalhistas;
  • Garantir que a transição energética ofereça empregos que não sejam precários;
  • Aumentar a importância dos trabalhadores em organismos como G20 e nas conferências do clima (COP 28 e COP 30);
  • Apoiar e coordenar programas de cooperação técnica relacionados ao trabalho;
  • Capacitar trabalhadores e proteger direitos de quem trabalha por meio de plataformas digitais;
  • Buscar parceiros do setor privado para criar empregos dignos nas principais cadeias de produção, combater a discriminação e promover a diversidade.

Reunião com Zelensky

Lula terá uma audiência, ainda nesta quarta, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Será o primeiro encontro entre os dois chefes de Estado.

O encontro entre Lula e Zelensky, que já conversaram por telefone, é negociado há meses pelos dois países.

Em maio, o ucraniano tentou se encontrar com Lula durante a cúpula do G7, no Japão, mas o governo brasileiro alegou que Zelensky se atrasou e não compareceu à reunião.

Lula tem sido criticado por países ocidentais em razão de uma posição neutra em relação à guerra entre Ucrânia e Rússia.

O presidente é crítico da invasão militar feita pela Rússia, porém não aceitou até o momento fornecer armas à Ucrânia. Lula deseja reunir países considerados neutros no conflito para uma negociação de paz.