Política
Lobista tinha “aparente autorização" para agir em nome de Lulinha, diz PF
Trecho de relatório enviado ao STF cita mensagem de Roberta Luchsinger: “Eu sou o Fábio”; defesa fala em relação de amizade
A PF (Polícia Federal) aponta em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a empresária e lobista Roberta Luchsinger demonstrava em seus diálogos ter “aparente autorização” para agir em nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como Lulinha.
Em uma das mensagens extraídas do celular dela, com um interlocutor que participava da prospecção de negócios junto ao governo, Roberta afirmou diretamente ser uma representante de Lulinha. “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”, afirmou, conforme revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela CNN.
Com base nesse trecho, a PF destaca que “aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”.
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À CNN, a defesa de Roberta criticou o que chamou de “vazamentos” sobre o caso e defendeu uma ação do Ministério da Justiça. “Esses vazamentos descredibilizam as investigações e ofendem as pessoas. Já está mais do que na hora do Ministro da Justiça tomar uma atitude quanto a tais fatos”, afirmou o advogado Roberto Podval.
Lulinha e Roberta são alvos de três inquéritos sobre suposto tráfico de influência no governo federal, abertos na PF por autorização do Supremo. Dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça e um com o ministro Flávio Dino.
O primeiro é sobre o suposto lobby no Ministério da Saúde para, em tese, ajudar a empresa de cannabis de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a expandir seu negócio em todo o Brasil por meio do SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo uma troca de mensagens entre Lulinha a Roberta, foram realizadas reuniões com o então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
A PF já detalhou em outro relatório que há a suspeita de que o filho do presidente seja um sócio oculto de Antunes. Ele inclusive teria tido uma viagem paga à Europa pelo empresário. A investigação aponta um pagamento de R$ 1,5 milhão feito pelo Careca do INSS e que teria sido intermediado por Roberta.
O segundo inquérito envolve a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) e uma empresa de tecnologia da informação, que conseguiu contratos de R$ 55 milhões com o governo Lula. A Dataprev negou à CNN ter acordos com a companhia citada.
O terceiro inquérito atinge o Palácio do Planalto, porque mira o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. A PF aponta elo entre ele, Roberta e Lulinha, com pagamentos de contas e compras de joias para ele, como também mostram mensagens trocadas entre o grupo e que são apuradas pela PF.
Marcola ficou exerceu o cargo no gabinete de Lula desde o início do atual governo do petista e deixou o posto no dia 21 de julho deste ano.
Como a CNN mostrou, após analisar todo o conteúdo do que foi encontrado no celular de Roberta, a PF vai intimar os investigados para depoimento. Ainda não há previsão de data.