Política
Mendonça abrirá procedimento para apurar troca na PF no caso Lulinha
Relator de investigações de fraudes no INSS deve aumentar restrição à informação para blindar investigação
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve abrir um procedimento para apurar as circunstâncias da troca do delegado da PF (Polícia Federal) à frente das investigações da fraude do INSS, em que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é citado.
Como mostrou a CNN, Mendonça, que é responsável pela relatoria do caso no STF, considerou insuficiente a explicação da PF para substituição feita sem que ele tenha sido comunicado previamente.
O relator ainda tem demonstrado preocupação com a possibilidade de interferência no caso em que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é citado.
Nesse contexto, Mendonça, nos próximos dias, também deve aumentar rigor no compartilhamento de informações no inquérito do INSS para restringir o acesso a dados e blindar a investigação de eventuais pressões políticas.
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Ainda, segundo apurou a CNN, o magistrado também deve passar a fazer uma supervisão mais próxima do trabalho da PF.
Como mostrou a CNN, Mendonça, só soube da substituição da coordenação do inquérito por meio do advogado de um dos investigados durante uma audiência.
Incomodado, o ministro se reuniu com integrantes da investigação nesta sexta-feira (15) em busca de informações e para conhecer a nova equipe. Apesar das explicações, Mendonça não viu razão para a mudança.
A PF decidiu tirar o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e passá-lo para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq). A mudança resultou na saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva da coordenação do caso.
Por meio de nota, a PF afirmou que a mudança “foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”.
Foi esta divisão interna a responsável por pedir a quebra de sigilos do filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Foi essa coordenação também que conduziu a negociação da delação premiada do empresário Mauricio Camisotti. A proposta foi enviada ao STF, mas teve que retornar para ser refeita do zero, com a participação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
A troca da coordenação do inquérito ocorreu também em meio a reclamações da defesa de Lulinha sobre o vazamento de dados da investigação.
A oposição ao governo Lula no Congresso criticou a substituição do delegado e quer a convocação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.