Política
Entenda por que o desvio na saúde de mais de R$ 87 milhões em Prefeitura de MT fez milhares de crianças e idosos serem vítimas
Não dá ainda para idealizar uma absoluta guinada rumo à abolição dessa prática abominável, à concretização do sonho de que toda a corrupção será extirpada
A tradicional impunidade como os casos de corrupção são tratados em Mato Grosso pode estar com os seus dias contados.
Não dá ainda para idealizar uma absoluta guinada rumo à abolição dessa prática abominável, à concretização do sonho de que toda a corrupção será extirpada.
Nos últimos dias ao saber do infame desvio de R$ 87.419.285,018(Oitenta e Sete Milhões, Quatrocentos e Dezenove Mil, Duzentos e Oitenta e Cinco Reais e Dezoito Centavos) enraizado no ‘seio’ da secretaria de saúde da Prefeitura de Sinop, cidade ao norte de Mato Grosso, cerca de 500 KM de Cuiabá, o juíz criminal de Cuiabá, João Bosco Soares da Silva, um dos magistrados mais probos e éticos da magistratura de Mato Grosso, ficou zonzo, sentou na sua cadeira e viu o mundo desabar ao seu redor.

Na sua cabeça passava vários questionamentos, mas, um deles ainda sem respostas concretas. Como? E por que desviar dinheiro destinado para crianças e idosos pobres daquele município? Com o coração verde e amarelo, com as benções de Deus, com pulso firme e com uma caneta nas mãos, ele determinou que Policiais da Delegacia de Combate a Corrupção(Deccor) realizasse a Operação Cartão Postal, cujo objetivo foi desmantelar a organização criminosa na Secretaria Municipal de Saúde daquela cidade do norte mato-grossense.
O esquema para ‘surrupiar’ dinheiro das crianças e idosos pobres daquela região, era coordenado pelo advogado Hugo Florêncio de Castilho, irmão caçula do juiz criminal de Cuiabá, Jurandir Florêncio de Castilho Júnior.

Além dele, o magistrado mandou prender, Célio Rodrigues(ex-secretário de saúde de Cuiabá), Jefferson Geraldo Texeira, Roberta Arend Rodrigues Lopes, Elizangela Bruna da Silva e João Bosco da Silva, também membros da organização criminosa.
Mas medidas como essas terão eficiência no combate à corrupção? A resposta é positiva. Serviu para estancar a ‘sangria’ com o dinheiro público destinado para pagar profissionais de saúde, compras de medicamentos e manutenção dos estabelecimentos de saúde.
Pois retardará qualquer outra ação na saúde – por algum tempo – ao ponto de enxergar o mundo em preto e branco. E com o tempo, a própria população combaterá essa praga e começarão a preconizar que esse mal deverá ser extirpado.
Não só porque consome recursos que poderiam ser usados em áreas como a saúde, educação e redução da desigualdade, mas também porque a corrupção favorece interesses privados em detrimento do coletivo.
No caso específico de Sinop, servirá para construir no hospital municipal no bairro Menino Jesus, ou mesmo aumentar as UTIs neonatais no hospital conveniado Santo Antônio, ou mesmo construir Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs 24 horas), onde tem uma carência de mais de 90 mil pessoas que procuram a UPA na região do bairro São Cristóvão e a Policlínica Menino Jesus, em buscas de atendimento na saúde.
O que perfaz quase 50% da população que necessitam da oferta da saúde gratuita e de boa qualidade, de uma população de 196.067 mil habitantes, conforme o último censo. do IBGE. A Operação Cartão Postal realizada em Sinop, e determinada pelo juiz de Cuiabá, João Bosco Soares da Silva, também foi realizado nas cidades nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, São Paulo e nos municípios paulistas de Praia Grande e São Vicente.
A denuncia do modus Operandi da organização criminosa foi feita pelo médico e empresário Luiz Vagner Silveira Golembiouski. Em uma das conversas interceptada pela Polícia, um dos líderes da organização, o advogado Hugo Florêncio de Castilho, irmão do magistrado de Cuiabá, diz que o dinheiro era pra “El Patrón”, o cabeça de todo esquema.
A polícia, no entanto, tenta montar o ‘quebra-cabeça’, para tentar desvendar e descobrir quem é o ‘chefe’, o ‘El Patron’. Hugo foi solto na noite de sexta feira, 20, após um pedido de Habeas Corpus e ao pagamento de R$ 800 mil.
Ele ofereceu à justiça a residência de sua mãe. Também foram alvos da Operação o médico cirurgião plástico, Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza e a dentista Fabíula Martins Lourenço, que usará tornozeleira eletrônica.
Além de Ângela Maria Pitondo de Oliveira, Deise Juliani, Helena Maria Santos Barbosa, Bruno Borges e Adriana Teixeira Martins. Instituto de Gestão de Políticas Públicas – IGPP,, Cuyabana Cervejaria Artesanal, Vida e Sorriso Clínica Médica e Odontológica (MedicPlus), HC Gestão em Informática, Mais Saúde Serviços Médicos e Hospitalares, Acácia Construtora e Incorporadora, Sappo Company Comercio Ltda, Pronto Mais Serviços Médicos e Hospitalares, DDigital Comércio e Serviços de Informática e S8 Service.
O escritório de advocacia Castilho e Caldas Advogados Associados do irmão do juiz Jurandir Florêncio, também foi alvo de buscas dos policiais.
A justiça determinou ainda, a apreensão de imóveis, carros e lanchas de luxo, bloqueio de contas bancárias, no valor de R$ 87 milhões para os ressarcimentos dos danos por eventuais danos ao erário.