Política

Pacheco diz que PEC que limita decisões do STF não é ‘retaliação’ e prevê concluir votação

'Nosso papel é político e não eleitoral', afirmou o presidente do Senado. Proposta ganhou força após decisões do STF em temas como marco temporal das demarcações das terras indígenas

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 21/11/2023
Pacheco diz que PEC que limita decisões do STF não é ‘retaliação’ e prevê concluir votação
Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em entrevista coletiva | Roque de Sá

O presidente do SenadoRodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou nesta terça-feira (21), que a decisão do Senado em votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita as decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) não é "afronta" e nem "retaliação" do Congresso ao Judiciário.


Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em entrevista coletiva. — Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em entrevista coletiva. — Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Pacheco negou que a proposta tenha cunho eleitoreiro, visando as eleições municipais de 2024.

"Nosso intuito no Senado e o meu, especialmente, como presidente do Senado, é o de sempre buscar aprimorar o sistema de Justiça, garantir as prerrogativas do Judiciário, tornar o Judiciário mais eficiente e essa é a razão de ser dessa proposta de emenda à Constituição", disse o senador.

Se aprovada, a proposta vai restringir as possibilidades de ministros do STF e desembargadores tomarem decisões individuais, as chamadas decisões monocráticas. (veja mais abaixo)

Além disso, o texto busca estabelecer uma regra para abreviar os prazos dos pedidos de vista (quando os ministros pedem mais tempo para analisar uma ação).

Após julgamentos

A PEC entrou no radar do Senado, patrocinada pelo próprio presidente da Casa, depois de o STF analisar temas que os parlamentares acreditam serem da competência do Congresso, como a existência de um marco temporal para demarcação de terras indígenas e a descriminalização do porte de maconha.

No começo de outubro, a proposta foi aprovada em 40 segundos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Questionado sobre como via o posicionamento dos ministros do STF a respeito do tema, Pacheco afirmou desconhecer a opinião deles sobre o assunto e reforçou a independência do Senado.

A proposta

A PEC foi apresentada pelo senador Oriovisto Guimarães (Podemos-RR) e relata pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). Não é o primeiro texto a ser analisado pelo Congresso com esse objetivo: em 2019, uma proposta semelhante foi rejeitada ao alcançar apenas 38 votos favoráveis, abaixo dos 49 necessários.

Se aprovada, a PEC impedirá que decisões individuais de ministros suspendam a eficácia de leis ou atos dos presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Congresso Nacional.

O texto também altera as regras para o tempo a mais para análise -- a chamada vista -- que pode ser solicitado pelos magistrados. Pela proposta, seriam possíveis no máximo dois pedidos de vista por julgamento, e neste caso o prazo seria concedido coletivamente por até 6 meses.