Política
Advogado de Vorcaro procurou a PF para tratar sobre acordo de delação premiada
Advogado teria dito que Vorcaro não pretende poupar ninguém em eventual delação. Ele é investigado pelo STF acusado de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master
O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a Polícia Federal (PF) para informar sobre o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada, de acordo com informações obtidas pela TV Globo.
Ele também teria afirmado à PF que Vorcaro não pretende poupar ninguém, e se compromete a entregar todas as informações.
Procurado, o advogado de Vorcaro afirmou que não vai comentar o caso neste momento. Segundo ele, a decisão se deve à "sensibilidade do caso".
Conhecido como Juca, o responsável pela defesa é dono de um currículo com diversos acordos de delação premiada em casos de grande repercussão – caso do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, na Operação Lava Jato.
Vorcaro é investigado no caso que apura suspeitas de fraudes financeiras ligado ao Master, e teve a prisão determinada na semana passada, no âmbito das investigações conduzidas pela PF. Uma eventual colaboração poderia trazer novos elementos para o andamento das investigações.
Segundo os relatos, a procura pela PF foi uma forma de sinalizar a disposição do empresário em colaborar com os investigadores.
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Vorcaro é transferido para penitenciária em Brasília — Foto: Reprodução TV Globo
Inquérito foi prorrogado
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (18) a prorrogação do inquérito do caso Master por 60 dias.
O magistrado atendeu a um pedido da Polícia Federal, que solicitou a prorrogação nesta terça-feira (17).
Na decisão de prorrogação, Mendonça afirma que a PF solicitou a medida para a "realização de diligências reputadas imprescindíveis" para que os fatos em apuração sejam esclarecidos.
"Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais sessenta dias", diz o ministro.
De acordo com a colunista do g1 Camila Bomfim, os investigadores têm afirmado que ainda há muito material a ser analisado e periciado.
Eles se referem a documentos, computadores e celulares apreendidos durante as fases da Operação Compliance Zero, que apura o esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
📱São mais de 100 celulares apreendidos nas três fases da Operação Comlpiance Zero, sendo oito aparelhos de Daniel Vorcaro.
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Os policiais investigam a fabricação de carteiras de crédito falsas e o desvio de recursos para o patrimônio pessoal dos envolvidos. As apurações apontam que o esquema gerou prejuízos que podem ultrapassar os R$ 12 bilhões.
📆Em novembro de 2025, foi deflagrada a primeira fase da Compliance Zero. Na ocasião, foram expedidos mandados contra a cúpula do Banco Master, incluindo o presidente Daniel Vorcaro.
A justiça também determinou o afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob suspeita de que o banco público teria injetado bilhões no Master em operações fraudulentas.
📆Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação foi realizada, com foco no rastreamento do dinheiro e na recuperação de ativos. Nesse momento, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
Além disso, foram realizados 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e seus familiares. Entre os itens apreendidos, estavam carros de luxo dinheiro em espécie.
📆Em março deste ano, na fase mais recente, foi revelada uma estrutura de coerção e infiltração em órgãos reguladores.
A PF identificou um grupo chamado "A Turma", que seria uma milícia privada utilizada para monitorar e intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco.
Servidores do Banco Central foram alvos da operação por supostamente atuarem como "consultores privados" de Vorcaro, antecipando informações e facilitando processos regulatórios em troca de propina.
Diante disso, Daniel Vorcaro foi preso novamente, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
O grupo investigado responderá por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.