Política

PF transfere Vorcaro para cela em que Bolsonaro ficou preso na superintendência em Brasília

Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal para o prédio da PF na quinta, mas estava em cela menor. Defesa pediu, e Mendonça autorizou mudança para espaço usado como 'sala de Estado' para abrigar ex-presidente

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 23/03/2026
PF transfere Vorcaro para cela em que Bolsonaro ficou preso na superintendência em Brasília
Vorcaro está na Superintendência da PF desde a última quinta-feira (19), quando foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília | CNN

A Polícia Federal transferiu nesta segunda-feira (23) o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para as mesmas instalações que receberam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Superintendência da PF em Brasília.

Vorcaro está na Superintendência da PF desde a última quinta-feira (19), quando foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília.

As duas transferências foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na corte, e atenderam a pedidos da defesa.

➡️ O dono do banco Master é investigado por crimes financeiros, além de envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e na montagem de uma espécie de milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.

O "quarto" é formado por uma sala com mesa, cadeira e cama de solteiro e um banheiro privativo. O espaço tem ar-condicionado, janela, armário e um frigobar.

Até a última atualização deste texto, a PF não tinha informado se pretende manter no espaço equipamentos como televisão e frigobar.

Veja como é o espaço onde Daniel Vorcaro ficará preso na superintendência da PF, em Brasília — Foto: Arte/g1

Veja como é o espaço onde Daniel Vorcaro ficará preso na superintendência da PF, em Brasília — Foto: Arte/g1

Sequência de transferências

Na semana passada, os advogados tinham pedido o envio de Vorcaro para a prisão domiciliar – segundo apurou a TV Globo, como parte das tratativas iniciais de um acordo de delação premiada.

Mendonça negou a domiciliar, mas autorizou a ida para a Superintendência, onde as regras de detenção são menos rígidas.

Inicialmente, chegou a ser cogitado que Vorcaro ocuparia a mesma "sala de Estado" ocupada por Bolsonaro. O espaço, por lei, é reservado para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas.

A avaliação da PF naquele momento, no entanto, era de que Vorcaro não poderia receber o mesmo tratamento dado a um ex-presidente da República.

O banqueiro, então, foi detido em uma sala menor e com menos "recursos". A defesa de Daniel Vorcaro recorreu dessa decisão – e, nesta segunda, Mendonça determinou a alocação do banqueiro em um espaço maior.

O caso Master tramita em sigilo no STF e as decisões de Mendonça não foram divulgadas.

Vorcaro firma termo de confidencialidade com PGR e PF e abre caminho para delação

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Transferência e rumor de delação

Na semana passada, a TV Globo apurou que o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a PF para informar sobre o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada.

Questionado pela TV Globo, o advogado de Vorcaro afirmou que não vai comentar o caso neste momento. Segundo ele, a decisão se deve à "sensibilidade do caso".

Daniel Vorcaro foi preso no início do mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP), no interior paulista, para a Penitenciária Federal em Brasília.

No dia 17, a nova defesa de Vorcaro também se reuniu com o ministro André Mendonça, que é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

O encontrou tratou dos desdobramentos do caso. E, de acordo com relatos, os advogados apontaram ao ministro que uma das possibilidades avaliadas por Vorcaro é uma delação premiada.

Vorcaro é investigado no caso que apura suspeitas de fraudes financeiras ligado ao Master. Uma eventual colaboração poderia trazer novos elementos para o andamento das investigações.

Em investigações anteriores, como as da operação Lava Jato, a transferência de presos que negociavam uma delação premiada foi usada como "sinal de boa vontade" das autoridades.