Política
Câmara mantém opção por PEC do fim da jornada 6x1
Planalto marca posição e envia projeto com urgência
A Câmara dos Deputados não pretende recuar na opção de tratar o fim da escala 6x1 por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) mesmo com o envio pelo Palácio do Planalto de um projeto de lei com urgência constitucional para tratar do assunto.
Um dos principais entusiastas do envio do PL foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP).
No Planalto, uma ala afirma que o assunto já está em fase de resolução com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na Câmara, integrantes da bancada do PT reconhecem que a prioridade será a PEC.
Governistas apresentam algumas justificativas para a insistência de Lula no envio de um projeto próprio sobre o assunto, apesar da sinalização do legislativo de dar prioridade à PEC.
Aliados de Lula lembram o histórico sindicalista do presidente e afirmam que ele quer marcar posição em um tema de relevância para o Partido dos Trabalhadores.
Outros ponderam que a PEC "nasce e morre" no Congresso Nacional. O rito prevê a promulgação pelo próprio legislativo, o que inviabilizaria eventuais vetos. A preocupação é que a pauta seja usada para a negociação de jabutis, ou seja, matérias estranhas ao texto e de interesse dos parlamentares.
Há ainda uma terceira visão de que o embate criado sobre o formato ajuda a mobilizar o tema nas redes, o que beneficia o governo. O legislativo, no entanto, não recebe bem a ideia por entender que levanta novamente o mote do "congresso inimigo do povo".
A Câmara, por outro lado, quer ter protagonismo na discussão. Líderes próximos de Hugo Motta defendem que a discussão foi encabeçada pelo legislativo e que a PEC é uma maneira de marcar essa posição.