Política
VLT de MT vira alvo de Lula: “Nem VLT, nem BRT funcionam até hoje”
Sem citar nominalmente o ex-governador Mauro Mendes, Lula fez referência à decisão de abandonar o VLT e substituí-lo pelo BRT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a paralisação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Mato Grosso e afirmou que o caso se tornou um exemplo de desperdício de dinheiro público e falta de continuidade administrativa no Brasil.
Sem citar nominalmente o ex-governador Mauro Mendes, Lula fez referência à decisão de abandonar o VLT e substituí-lo pelo BRT — modelo que, até o momento, também não foi concluído na região metropolitana de Cuiabá.
“Não vou fazer VLT, vou fazer acho que um BRT. E ficou encaixotado o trem… Enquanto isso, nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer coisa está funcionando em Cuiabá”, afirmou o presidente durante evento realizado na quarta-feira (15).
Lula também destacou que os vagões originalmente adquiridos para Mato Grosso acabaram sendo vendidos para o Estado da Bahia, onde o sistema já está em operação.
“Eu fui a Salvador inaugurar o VLT e andei nele. Aquele trem era para Mato Grosso, mas ficou parado e foi comprado com desconto. Hoje está funcionando lá”, disse.
Ao comentar o caso, o presidente classificou como “irresponsabilidade” a decisão de interromper obras iniciadas por gestões anteriores.
“É a irresponsabilidade de alguém deixar de fazer uma obra porque não foi ele que planejou ou iniciou”, declarou.
Apesar das críticas recentes, a paralisação do VLT começou ainda em 2014, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa, em meio a problemas financeiros e questionamentos sobre o contrato.
Na sequência, o então governador Pedro Taques não deu continuidade imediata às obras devido a entraves judiciais. Em 2017, houve tentativa de retomada, mas o contrato acabou sendo rompido após a deflagração da Operação Descarrilho, que investigou suspeitas de pagamento de propina.
Já em 2019, ao assumir o governo, Mauro Mendes prometeu resolver o impasse. No entanto, em dezembro de 2020, decidiu abandonar definitivamente o VLT e implementar o BRT como alternativa.
Mais de quatro anos após a mudança de modal, o BRT ainda não foi concluído e registra menos de 30% das obras executadas, mantendo o sistema de transporte coletivo da região sem a solução prometida.
O VLT foi projetado para a Copa do Mundo de 2014, com investimento estimado em R$ 1,084 bilhão.
Já os vagões foram vendidos em 2024 por R$ 793,7 milhões ao Estado da Bahia, onde o sistema entrou em funcionamento.
As declarações de Lula reforçam o debate sobre continuidade administrativa e responsabilidade na execução de obras públicas, especialmente em projetos de grande impacto financeiro e social.