Política

PF apura se dinheiro de Vorcaro foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA

Nos bastidores da investigação, há dúvidas sobre o papel de Flávio Bolsonaro nas negociações de dinheiro e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos pedidos a Vorcaro

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 14/05/2026
PF apura se dinheiro de Vorcaro foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA
A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos | Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo investigadores ouvidos pelo blog, uma das linhas de apuração busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção de um filme — como argumentado por aliados envolvidos nas tratativas — ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores.

Os investigadores tentam entender três pontos centrais: se o recurso realmente foi aplicado no projeto audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte do dinheiro acabou sendo usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

    Nos bastidores da investigação, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos. Ele é pré-candidato à Presidência da República.

    A avaliação de investigadores é que esclarecer o fluxo do dinheiro virou peça-chave para entender o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro, dono do Banco Master.

    Nessa quarta-feira (13), o site "Intercept Brasil" publicou reportagem que mostra troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, Flávio cobra de Vorcaro verbas prometidas para financiar o filme "Dark Horse", uma produção internacional que conta a história de Jair Bolsonaro. O filme tem previsão de estreia no Brasil em setembro.

    O deputado federal Mário Frias, produtor executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas em que disseram que a cinebiografia não recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro.

    Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro. A Entre recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e ligados a Vorcaro.

    Ainda não há informações sobre quanto desse total foi efetivamente destinado ao financiamento do filme ou à empresa responsável pela produção. O acordo total previa o pagamento de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram pagos pelo dono do Master.

    A hipótese de uso do dinheiro do Master para bancar Eduardo Bolsonaro foi comentada em vídeo publicado nesta quinta-feira (14) no Instagram pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). "O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil", afirma o parlamentar.

    Segundo Lindbergh, US$ 2 milhões de Vorcaro foram transferidos para um fundo sediado no Texas que teria como sócio o advogado de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal mora no Texas, nos Estados Unidos.

    Eduardo Bolsonaro ainda não comentou o assunto.