Política

Câmara desafia prefeita, reelege Wanderley e aprofunda guerra política em Várzea Grande

Eleição antecipada da Mesa Diretora expõe ruptura entre vereadores e a prefeita Flávia Moretti; cenário pode travar projetos, ampliar tensão institucional e deixar a população no meio do confronto político

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 14/05/2026
Câmara desafia prefeita, reelege Wanderley e aprofunda guerra política em Várzea Grande
A Câmara Municipal de Várzea Grande reelegeu o presidente Wanderley Cerqueira para comandar a Casa no biênio 2027/2028 | Arquivo Página 12

A manhã de quinta-feira (14) marcou um dos capítulos mais tensos da política recente de Várzea Grande. Em uma sessão extraordinária carregada de tensão, gritos, vaias, articulações de bastidores e disputa judicial, a Câmara Municipal de Várzea Grande reelegeu o presidente Wanderley Cerqueira para comandar a Casa no biênio 2027/2028.

O placar apertado de 12 votos contra 11 mostrou que o Legislativo municipal está literalmente dividido ao meio. Mais do que uma simples eleição interna, a votação acabou se transformando em uma demonstração pública de força política e independência da Câmara diante da gestão da prefeita Flávia Moretti.

Nos bastidores políticos de Várzea Grande, a leitura é clara: Wanderley venceu a disputa contra o grupo político ligado diretamente à prefeita. O candidato apoiado pelo Executivo, Lucas Chapéu do Sol, acabou derrotado em uma eleição que já nasceu cercada de polêmica por ter sido antecipada em cerca de sete meses.

A disputa chegou ao Judiciário. Uma liminar de primeira instância havia suspendido a votação sob argumento de possível afronta ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre contemporaneidade das eleições de mesas diretoras. Porém, horas depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso derrubou a decisão e autorizou a realização da sessão.

O resultado imediato é um ambiente político ainda mais inflamado.

A tendência, segundo analistas políticos e interlocutores dos bastidores da Câmara, é de endurecimento da relação entre Legislativo e Executivo. Projetos do Paço Municipal podem enfrentar maior resistência, enquanto vereadores ligados ao grupo vencedor devem cobrar mais espaço político e protagonismo dentro da administração municipal.

O risco maior, entretanto, pode recair sobre a própria cidade.

Quando Executivo e Legislativo entram em rota permanente de colisão, os impactos normalmente atingem diretamente áreas essenciais como infraestrutura, saúde, mobilidade urbana, obras, liberação de recursos, votações orçamentárias e andamento de projetos estratégicos. Em Várzea Grande, município que já enfrenta problemas históricos de gestão, saneamento, pavimentação e desenvolvimento urbano, o agravamento da crise política pode gerar um ambiente de instabilidade institucional justamente em um momento em que a população cobra resultados concretos.

Outro fator que preocupa os bastidores é que a disputa ainda está longe do fim. A legalidade da eleição antecipada poderá continuar sendo questionada judicialmente, mantendo o cenário de insegurança política dentro da Câmara.

Enquanto isso, a população acompanha uma guerra política que promete dominar os corredores do Paço Couto Magalhães e da Câmara Municipal pelos próximos meses.

E no centro desse embate estão dois grupos políticos que agora parecem caminhar para um confronto cada vez mais aberto: de um lado, a prefeita Flávia Moretti tentando consolidar sua governabilidade; do outro, um Legislativo que demonstrou disposição para atuar de forma independente — e até confrontar diretamente o Executivo municipal.