Política
Avião, milhões e patrimônio milionário: veja quem são os candidatos ao Senado de MT que chegam às urnas com fortunas declaradas
Mauro Mendes e Antônio Galvan lideram ranking patrimonial; juntos, os dois declararam mais de R$ 113 milhões. No outro extremo, Professor Nelson Ferreira informou à Justiça Eleitoral que não possui nenhum bem
A corrida por duas cadeiras no Senado em Mato Grosso começa oficialmente cercada de milhões — e com uma diferença gigantesca entre os patrimônios declarados pelos candidatos. Os 10 nomes que disputam a eleição informaram seus bens à Justiça Eleitoral, e os números revelam uma verdadeira distância de mundos: de R$ 0 a mais de R$ 67 milhões.
No topo do ranking aparece o ex-governador Mauro Mendes (União), que declarou nada menos que R$ 67.180.206,27 em patrimônio. Na lista aparecem participações em fundos de investimento, quotas societárias e imóveis. Entre os bens informados está uma casa acompanhada de terrenos, em uma área de 1.885,12 m², avaliada em R$ 2.870.816,48.
Logo atrás está Antônio Galvan (Avante), com impressionantes R$ 46.302.824,91 declarados. O patrimônio inclui aplicações financeiras, terrenos, imóveis, participações em empresas do agronegócio e até uma aeronave avaliada em R$ 830 mil. Galvan também declarou uma plantadeira com valor de aproximadamente R$ 1,7 milhão.
Somados, apenas os patrimônios declarados por Mauro Mendes e Antônio Galvan chegam a R$ 113,4 milhões — uma cifra que coloca os dois muito acima dos demais concorrentes.
Na terceira posição aparece o empresário Beny Godoy (Agir), com R$ 20.244.907,44. O patrimônio informado é composto principalmente por terrenos, imóveis rurais e comerciais. Entre os bens está um lote comercial avaliado em R$ 760 mil.
Bem abaixo dos três primeiros, o senador Carlos Fávaro (PSD) declarou R$ 2.044.103,44. O patrimônio inclui aplicações financeiras, participações societárias e imóveis. Entre os bens aparece um terreno em Piçarras (SC), avaliado em R$ 6 mil.
O candidato Coronel Darwin (Democrata) informou patrimônio de R$ 2,66 milhões. O principal bem declarado é uma casa em condomínio em Cuiabá, avaliada em R$ 2,4 milhões. Policial militar, Darwin Salgado Germano atuou por mais de três décadas na Polícia Militar de Mato Grosso e foi coordenador estadual do Proerd.
A deputada estadual Janaina Riva (MDB) declarou R$ 1.228.623,87. Na relação apresentada à Justiça Eleitoral estão apartamento avaliado em R$ 439.956, quotas societárias, depósitos bancários e aplicações financeiras. Janaina cumpre o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa e, em 2025, assumiu a presidência estadual do MDB.
A senadora Margareth Buzetti (PP) declarou R$ 1.138.239,92. Entre os bens aparece uma Pajero Sport Legend avaliada em R$ 426 mil, além de aplicações financeiras e valores mantidos em contas bancárias. A candidata também declarou uma poupança com saldo de apenas R$ 292,80.
Na parte de baixo do ranking está Pedro Taques (PSB), com R$ 360 mil declarados. O ex-governador e ex-senador informou à Justiça Eleitoral apenas uma participação em escritório de advocacia, avaliada em R$ 360 mil.
O deputado federal José Medeiros (PL) declarou patrimônio de R$ 356 mil, praticamente no mesmo patamar de Taques. Os bens informados são dois imóveis em Rondonópolis: um residencial avaliado em R$ 206 mil e um lote urbano de R$ 150 mil.
E no extremo oposto do ranking está o Professor Nelson Ferreira (Agir). Diferentemente dos demais candidatos, ele informou à Justiça Eleitoral que não possui bens a declarar. O candidato é professor de Educação Física, treinador, escritor e ex-atleta olímpico.
A diferença que chama atenção
Os números mostram uma disparidade impressionante na corrida pelo Senado em Mato Grosso. De um lado, candidatos com dezenas de milhões de reais declarados, propriedades, participações empresariais, investimentos, veículos de luxo e até aeronave. Do outro, um candidato que declarou patrimônio zero.
Somando os patrimônios declarados pelos 10 candidatos, o valor ultrapassa R$ 143 milhões.
É importante lembrar que os valores são aqueles declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não representam necessariamente o valor de mercado atual dos bens. A declaração patrimonial é uma exigência para o registro da candidatura e fica disponível para consulta pública no sistema da Justiça Eleitoral.
A campanha começou oficialmente neste domingo (16), e os eleitores mato-grossenses irão às urnas em 4 de outubro para escolher os dois novos representantes do estado no Senado.
No voto, todos disputam em condições iguais. No patrimônio declarado, porém, a distância é de milhões.