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Brasil chega a 250 mil mortos com ritmo acelerado de óbitos por Covid-19; especialistas culpam falta de medidas de isolamento
Em meio à falta de vacinas e com novas variantes, país vive o pior momento da pandemia. Especialistas criticam política de isolamento que 'enxuga gelo'
O registro do primeiro óbito por Covid-19 no Brasil ocorreu em 12 de março, e foram necessários 100 dias para que o número chegasse a 50 mil – marca atingida em 20 de junho do ano passado.
Entre a cifra de 200 mil, atingida em 7 de janeiro de 2021, e a de 250 mil, passaram-se 48 dias. O ritmo das mortes deve continuar acelerando. O país pode atingir 300 mil mortes ainda no mês de março.
'Enxugar gelo'
Há um consenso entre epidemiologistas, médicos e virologistas de que as medidas de isolamento do Brasil não são suficientes, sendo a ausência delas o principal fator para altas taxas de transmissão e mortes. Nesta quarta-feira, por exemplo, o estado de São Paulo determinou a restrição de circulação das 23h às 5h. Para Ethel Maciel, pós-doutora em epidemiologia, é "melhor que nada", mas está longe de ser uma medida eficaz.
"O problema é que estamos com pouquíssimas medidas de restrição. Restringir de 23h às 5h é melhor que nada, mas é muito ruim. As pessoas andam em transporte coletivo lotado, entram em outros lugares sem nenhum controle", disse.
Entre os erros cometidos pelo estado que acarretaram a marca de 250 mil mortes, Maciel lista:
- demora para fechar as fronteiras;
- implementação ineficaz – quase nula - de barreiras sanitárias;
- política inexistente de testes e rastreamento de contatos e de assintomáticos;
- queda na taxa de testagem; e
- falta de liderança e incentivo ao isolamento por parte do presidente, governadores e prefeitos.
- Já Alves resumiu essas medidas – na verdade, a ausência delas – com uma expressão: toda a política nacional é de "enxugar gelo". Segundo ele, cientistas avisaram sobre uma nova alta nos casos e mortes com dois meses de antecedência, em setembro do ano passado. Em novembro, com a alta no número de casos, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello descartou o início de uma segunda onda e preferiu chamar de "repique".
- Outro fator que pode impulsionar as transmissões é a chegada de novas variantes do Sars CoV-2. Nesta terça-feira (23), o Ministério da Saúde divulgou que rastreou 204 casos de pacientes infectados com as variantes do Reino Unido e do Brasil, inicialmente detectada no Amazonas. Ainda não há uma confirmação definitiva de que as mutações deixam o vírus mais transmissível, mas é uma possibilidade que está sendo investigada pelos cientistas e que causa preocupação.
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Existem, no entanto, três centros de sequenciamento do vírus que enviam informações para o ministério: Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. Outros laboratórios públicos e privados também têm feito a análise do material, mas não existe uma centralização dos resultados. No final, o país não tem noção da real disseminação das novas variantes, nem se elas já são dominantes.
Zé Gotinha?
O Brasil não fez uma campanha publicitária de incentivo à vacinação como em outros tempos. A chegada das primeiras doses foi bastante divulgada pelos governos estaduais e federal, mas parou por aí. Por enquanto, não é possível definir a data para aplicação da primeira dose em cada faixa etária ou grupo de risco.
O Ministério da Saúde faz uma recomendação para aplicação, mas governadores distribuem as doses com critérios diferentes. Nesta semana, o governo liberou aplicação da reserva dos lotes para a segunda dose da CoronaVac em novos grupos prioritários. No ritmo de vacinação em que estamos, de acordo com os entrevistados pelo G1, vamos sentir o impacto da vacina no final do ano, em uma previsão otimista.