Brasil
Hospitais de SP têm falta de profissionais de saúde para UTIs, dizem médicos
Instituições públicas e privadas buscam especialistas em atendimento em terapia intensiva para pacientes com Covid-19 e outras doenças
13/03/2021
Reestruturação constante
A situação na rede privada não é diferente. A falta de profissionais qualificados para atuar nas unidades de terapia intensiva é o ponto mais crítico também no Hospital Albert Einstein, segundo Claudia Laselva, diretora de operações e práticas assistenciais. “Estamos com dificuldade de encontrar profissionais prontos. Os que têm experiência em UTI estão empregados. Muitas vezes, com mais de um emprego, por conta dessa necessidade simultânea em todos os hospitais”, afirma. Neste mês de março, o Einstein vem trabalhando com ocupação média em torno de 93% nos leitos de UTI e, nos últimos três dias, essa taxa ultrapassou os 100%. “Antes da pandemia, entre leitos intensivos e semi-intensivos, trabalhávamos com aproximadamente 135 vagas. Hoje, estamos com 226 leitos destinados a UTI e semi-intensivo para pacientes Covid e não Covid”, afirma Laselva. Isso foi possível devido a uma reestruturação dos espaços internos. Áreas do hospital que anteriormente eram destinadas a atividades ambulatoriais, como imunização e quimioterapia, foram transformadas em leitos, por exemplo. A mesma medida vem sendo tomada no centro de reabilitação e no espaço onde aconteciam treinamentos de profissionais. “Temos uma flexibilidade muito grande para transformar leitos de clínica-médica em leitos de UTI. A maior dificuldade é mesmo encontrar profissionais para atuarem nessas unidades”, conclui.Mais jovens e mais tempo internados
O Hospital Sírio-Libanês também está enfrentando problemas semelhantes. De acordo com Luiz Francisco Cardoso, superintendente de pacientes internados e práticas assistenciais do hospital, a taxa de ocupação desses leitos tem variado entre 95% e 100% na instituição. De acordo com o boletim divulgado pelo hospital, na sexta-feira (12), na unidade de São Paulo, havia 219 pacientes internados com quadro de Covid e 63 estavam na UTI. A maior demanda, segundo Cardoso, é por enfermeiros, fisioterapeutas e médicos, postos que exigem muita especialização, treinamento e experiência. “O mercado de colaboradores da saúde já é muito escasso normalmente. Agora, está ainda mais difícil. Aqui no Sírio temos várias vagas abertas aguardando candidatos”, afirma. São 16 vagas abertas para técnicos de enfermagem intensivistas, 7 vagas para enfermeiros intensivistas em São Paulo e uma vaga para enfermeiro intensivista em Brasília. Entre janeiro e fevereiro, houve a contratação de 700 profissionais entre Brasília e São Paulo. Desses, 10 eram médicos intensivistas. Parte desse gargalo é atribuída ao aumento no tempo de internação nas UTIs. Segundo o especialista, os pacientes com Covid-19 costumam ficar de 10 a 12 dias na UTI, enquanto pacientes com H1N1, por exemplo, ficavam internados 3 dias, em média. “Isso faz com que a rotatividade de leitos seja menor e a necessidade dessas vagas, maior”, conclui. Outro ponto que sobrecarrega as unidades de terapia intensiva é a diminuição da idade dos pacientes com Covid-19. “Os pacientes mais jovens são mais resistentes e permanecem internados por mais tempo”, afirma Pedro Mathiasi, superintendente de Qualidade e Segurança do Hcor. “Além disso, no início da pandemia a gente trabalhava com hospital vazio, as pessoas tinham medo de vir se consultar. Hoje, os hospitais estão cheios de pacientes com outras patologias também”. No Hcor, a taxa de internações em vagas de apartamentos e UTI dedicadas exclusivamente a pacientes com Covid-19 era de 97% na sexta-feira (12). “A nossa gestão na crise do Covid é dia a dia, e não raro, turno a turno”, afirma o infectologista. O infectologista diz que para conseguir atender à demanda crescente o hospital vem fazendo uma reorganização dos leitos, de modo a aumentar a disponibilidade para a área de pacientes com Covid-19, e tentando garantir o número de profissionais aptos a fazer esse atendimento. “Respirador e oxigênio são essenciais, mas gente para cuidar é mais essencial ainda, e esse recurso está cada vez mais escasso”, afirma.Vaga no WhatsApp
Para suprir a falta de profissionais, a Prevent Sênior está recrutando médicos de outras unidades da federação para atuar no cuidado dos pacientes Covid e não Covid nos leitos normais e de UTI de sua rede própria de hospitais na capital e na grande São Paulo. Na mensagem de recrutamento que está sendo compartilhado em grupos de WhatsApp, a empresa se compromete a custear transporte e hospedagem dos interessados e a pagar R$ 2,2 mil por plantão. Em comunicado à imprensa na sexta-feira (12), a instituição informou que, até o momento, há 1.200 novos profissionais em processo de credenciamento, aumento de 25% em seu quadro de médicos. E que estão em vias de contratação mais 400 profissionais de saúde nas áreas de enfermagem e fisioterapia, o que totaliza 1.600 novos colaboradores.Mais lidas
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