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Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre caso dos náufragos encontrados em ilha deserta no Pará
Barco Bom Jesus saiu de Santarém com destino a Chaves no Pará dia 24 de março. Náufragos foram encontrados após 17 dias em ilha. Polícia investiga finalidade da viagem e que carga era levada no barco que pegou fogo
Veja abaixo o que se sabe e o que ainda falta saber sobre a viagem:
- De onde e quando partiu a embarcação e pra onde ia?
- Qual a finalidade da viagem?
- O que aconteceu com a embarcação?
- Quantas pessoas estavam a bordo? E o que aconteceu com elas?
- Como os náufragos foram localizados?
- Quais os próximos passos da investigação?
- O que a Marinha vai apurar?
1 - De onde e quando partiu a embarcação e pra onde ia?
O barco Bom Jesus saiu de Santarém, oeste do estado, no dia 24 de março com destino a Chaves, na região do Marajó, no Norte do Pará. Chegou em Chaves, no Marajó, no dia 27. Depois a embarcação saiu novamente, mas sem destino informado.
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Barco desapareceu com 6 tripulantes que saíram de Santarém para Chaves — Foto: Redes Sociais
De acordo com a Marinha, a embarcação não fez o despacho na base de inspeção naval da Capitania Fluvial de Santarém, para informar o destino final da viagem, antes de sair.
2 - Qual a finalidade da viagem?
No boletim de ocorrência registrado por familiares de dois dos tripulantes na 16ª Seccional Urbana de Polícia Civil de Santarém no dia 11 de março, mais de 10 após o último contato com a tripulação, foi informado que a viagem era para o transporte de uma carga que seria entregue a uma pessoa em Chaves, na região do Marajó.
À Marinha, os tripulantes disseram, após serem resgatados, que a embarcação não levava nenhuma carga. Que a viagem seria para reconhecimento do trecho de uma futura rota comercial.

Encontrados vivos tripulantes de embarcação que saiu de Santarém com destino a Chaves
3 - O que aconteceu com a embarcação?
De acordo com os tripulantes da embarcação, após saírem de Chaves no dia 27 de março, eles passaram pela Ilha de Nazaré onde fizeram uma parada, depois saíram com destino a Soure, na região do Marajó. Já na madrugada do dia 28, em meio a um temporal começou a entrar muita água da embarcação. Quando tentavam conter a entrada de água perceberam que havia fogo na cozinha do barco. O fogo teria se alastrado para a parte onde estava o combustível e teria havido uma pequena explosão.
Ainda de acordo com os tripulantes, teriam restado algumas partes do barco que ficaram à deriva. A Marinha não conseguiu localizar o barco, que ficou completamente submerso.
4 - Quantas pessoas estavam a bordo? E o que aconteceu com elas?
Seis pessoas estavam a bordo: Antônio Oliveira dos Santos (maquinista mecânico), Leilane Carla Ferreira Guimarães (cozinheira), Cristiano de Azevedo Figueira (comandante), Joelson da Silva Costa (responsável por cargas), Valdeney Dolzanes Reis (policial militar da reserva), Jefferson Marcos dos Santos (maquinista).
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Tripulantes resgatados por militares da Marinha — Foto: Reprodução / Marinha do Brasil
Após o barco Bom Jesus pegar fogo, os seis tripulantes usaram boias para se lançar ao mar, teriam nadado por cerca de 30 minutos até chegarem à Ilha das Flechas, onde permaneceram por 17 dias. Eles contam que sobreviveram tomando água da chuva e racionando o pouco de alimento que conseguiram tirar do barco (linguiças e carne salgada).
5 - Como os náufragos foram localizados?
Os tripulantes tiveram a ideia de lavar ao mar um bilhete dentro de garrafa pet amarrada a uma boia. Isso foi feito nove dias após o naufrágio da embarcação.
O bilhete foi encontrado por um pescador da região do Marajó, que após ler o bilhete informou a Marinha. No bilhete havia um pedido de socorro, e a informação de que o barco Bom Jesus pegou fogo e os 6 tripulantes estavam na Ilha das Flechas.
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Garrafa pet com bilhete dos náufragos foi amarrada a uma boia — Foto: Divulgação/Marinha
6 - Quais os próximos passos da investigação?
A Polícia Civil de Santarém abriu inquérito para apurar as circunstâncias e finalidade da viagem do barco Bom Jesus. A polícia quer saber se embarcação de fato levava alguma carga como foi informado por familiares dos tripulantes e qual era a carga.
De acordo com o superintendente regional da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Jamil Casseb, os tripulantes serão ouvidos de forma individualizada nos próximos dias. A polícia quer saber se há indício de crime nesse caso.
7 - O que a Marinha vai apurar?
A Marinha do Brasil abriu inquérito administrativo para apurar questões relativas à navegação: registro da embarcação (se estava regular ou não), porque o despacho não foi realizado, documentação da tripulação, circunstâncias do incidente que ocasionou o incêndio e o naufrágio do barco.