Brasil
Desemprego é maior no Nordeste, entre jovens e pessoas com baixa escolaridade
Taxa de desocupação já caiu a 11,1% e retomou os níveis pré-pandemia, mas número de desempregados ainda é considerado alto
01/05/2022
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Outro traço do desemprego que veio com a pandemia é o tempo mais longo que as pessoas estão levando até conseguir se recolocar no mercado. Um levantamento feito pelo economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, mostra que a proporção de trabalhadores sem emprego há mais de dois anos – justamente o tempo de duração da pandemia até aqui – nunca foi tão grande quanto agora. No último trimestre de 2021, 30,3% dos desempregados estavam procurando trabalho há dois anos ou mais, a maior proporção desde pelo menos 2012, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) começou a ser feita pelo IBGE. “Esse é o dado mais preocupante, porque quanto mais tempo a pessoa fica sem conseguir emprego, mais difícil fica a recolocação dela”, disse Imaizumi. “E é preocupante para a economia como um todo, porque são pessoas que estão aptas a trabalhar, mas vão perdendo a produtividade.”Mais difícil para os jovens, mais fácil para os graduados
Outro traço marcante desta crise é o alto desemprego entre os jovens, que comumente acabam prejudicados pela concorrência com os mais experientes em um cenário de oferta apertada de vagas. De acordo com os dados do IBGE, a taxa de desocupação entre aqueles com 18 e 24 anos é de 23% e, para os adolescentes de 14 a 17, salta para 39%. Já nas faixas de 25 a 59 anos essa taxa varia de 6% a 10%. A boa notícia é que, conforme o mercado de trabalho se recupera, os mais novos também se beneficiam. “Os jovens foram os que mais perderam durante a pandemia, mas agora também eles estão encontrando colocação mais rápido”, disse Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para mercado de trabalho. “Hoje eles representam 31% do total de desocupados; em alguns momentos chegaram a ser até 34%”, acrescentou. Na outra ponta, os profissionais com ensino superior completo formam o grupo mais blindado contra as oscilações do mercado de trabalho: a taxa de desemprego entre eles é de apenas 5,6%. Já entre aqueles com ensino médio incompleto, o nível de desocupação salta para 18,4%. “Os dados recentes da Pnad são muito bons, a desocupação já voltou aos níveis pré-pandemia e mostram que as pessoas de fato estão conseguindo encontrar uma colocação”, diz Lameiras, do Ipea. “O problema é que o contingente de desempregados em 2017 ou 2018 já era alto. A pandemia é um problema que já superamos, mas ainda temos muito a caminhar”, completou.Mais lidas
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