Brasil
MP do Rio faz operação contra organização que inclui acusado de matar Marielle
Autoridades afirmam que organização é formada por Ronnie Lessa, além de dezenas de criminosos
10/05/2022
Parceria com Ronnie Lessa, acusado no caso Marielle
A parceria entre o líder da organização, Rogério, e Ronnie Lessa é apontada nas denúncias como antigas, “havendo elementos de prova de sua existência ao menos desde 2009”, afirma o MP.
O MP relata que, em 2009, Lessa, “indicado como um dos seguranças de Rogério de Andrade, perdeu uma perna em atentado á bomba que explodiu seu carro”.
“Posteriormente, em 2018, ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, os dois denunciados se reaproximaram. Rogério de Andrade se aliou novamente a Ronnie Lessa e pessoas a este ligadas, abrindo uma casa de apostas na Barra da Tijuca”, aponta o MP.
Além disso, o MP conta que, intermediado pelo delegado Marcos Cipriano, Ronnie Lessa participou de um encontro com Adriana Cardoso Belém, então delegada da 16ª DP, da Barra da Tijuca, e fechou acordo “que viabilizou a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas”.
O pagamento de propina teria sido propiciado por Rogério de Andrade.
Nesta terça (10), o MP apreendeu mais de R$ 1,5 milhão em espécie na casa da delegada, que é alvo da operação.
“O bingo financiado por Rogério de Andrade, e administrado por Ronnie Lessa e Gustavo de Andrade e outros comparsas, foi fechado pela Polícia Militar no dia de sua inauguração. Em seguida, após ajustes de corrupção com policiais civis e militares, a casa foi reaberta e as máquinas apreendidas liberadas, conforme narrado”, relata o MP.
Lessa está no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, unidade de segurança máxima.
A CNN entrou em contato com a defesa dos denunciados.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que “ambos os delegados alvos da operação não tem cargos na Polícia Civil atualmente”. ” Adriana Belém está afastada de licença e Cipriano trabalhando em outra instituição. A Corregedoria solicitará acesso às investigações para dar andamento aos processos administrativos necessários”, acrescentou.
Atualmente, Marcos Cipriano é conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado (Agenersa).
Em nota, a Agenersa disse que “não comenta decisão da Justiça e esclarece que os fatos não têm relação com as atividades da agência”.
Adriana Belém, que era delegada da 16ª DP, atualmente trabalha na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da capital carioca. Em nota, a pasta afirmou que “a delegada licenciada Adriana Belém está lotada na Secretaria Municipal de Esportes, no cargo de assessora, e será exonerada nesta terça-feira, após a deflagração da Operação Calígula”.
Acusado de ser a cabeça da organização, Rogério Andrade se manifestou, por meio de sua defesa, em nota.
“Essa operação além de não deixar demonstrado a necessidade da prisão cautelar do Rogério, se mostra claramente uma afronta ao STF que acaba de conceder o trancamento de uma ação penal contra ele”, afirma o comunicado do advogado Ary Bergher.
“Isso vem ocorrendo desde juízes como o De Sanctis, Marcelo Bretas e Sérgio Moro, que tentam burlar as decisões do STF”, acrescenta.
Já a defesa de Ronnie Lessa afirmou que soube pela imprensa do ocorrido.
“Nós ainda vamos nos inteirar do que está acontecendo. Saber se há alguma acusação, qual acusação e quais os elementos que subsidiam ela. Por enquanto, não temos como nos posicionar. Estamos no escuro”, afirmou.
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