Cultura

Siriri conquista o mundo: grupos de Mato Grosso transformam tradição popular em patrimônio internacional

Enquanto o Grupo Flor Ribeirinha conquista o quinto título mundial de folclore na Turquia, o Grupo Flor de Atalaia inicia uma turnê de 40 dias pela Europa, consolidando a cultura mato-grossense como referência internacional

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 02/08/2026
Siriri conquista o mundo: grupos de Mato Grosso transformam tradição popular em patrimônio internacional
A cultura popular de Mato Grosso atravessa fronteiras e escreve um novo capítulo de reconhecimento mundial | Divulgação

A cultura popular de Mato Grosso atravessa fronteiras e escreve um novo capítulo de reconhecimento mundial. Em um momento histórico para o folclore brasileiro, dois dos principais grupos de siriri do estado colocam a tradição mato-grossense em evidência no cenário internacional, mostrando que as manifestações culturais nascidas às margens do Rio Cuiabá hoje encantam plateias de diferentes continentes.

No último sábado (1º), o Grupo Flor Ribeirinha conquistou o quinto título internacional de sua trajetória ao vencer o 27º Campeonato Mundial de Folclore, realizado em Istambul, na Turquia. Representando o Brasil, o grupo emocionou jurados e público ao apresentar um espetáculo que destacou o siriri, a viola de cocho e as tradições culturais de Mato Grosso.

Com mais de três décadas de atuação, o Flor Ribeirinha tornou-se uma das maiores referências da cultura popular brasileira. O novo título soma-se às conquistas obtidas em festivais internacionais realizados na Turquia (2017), Polônia (2021), Bulgária (2022) e Coreia do Sul (2023), consolidando uma trajetória marcada pela valorização das raízes mato-grossenses.

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"A gente acredita sempre no nosso trabalho, pela nossa luta, pela nossa história. Nós amamos o que fazemos e sabemos que tudo isso é fruto de toda essa trajetória que a Flor Ribeirinha tem, de todo o amor que colocamos no nosso trabalho. Mas essa emoção de conquistar mais um título para o nosso Mato Grosso e para o nosso Brasil é única. A gente ainda está em êxtase, em choque por tudo isso", afirmou o diretor Avinner Silva.

Originário da tradicional comunidade de São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, o Flor Ribeirinha transformou elementos da cultura regional em um espetáculo reconhecido internacionalmente, preservando tradições e reafirmando a identidade brasileira por meio da música, da dança e da religiosidade popular.

Enquanto o Flor Ribeirinha comemorava mais uma conquista histórica, outro importante representante da cultura mato-grossense iniciava uma missão igualmente desafiadora.

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O Grupo de Siriri Flor de Atalaia embarcou para a "Turnê Internacional Siriri por Toda Parte – 2026", projeto que levará o grupo a Portugal e Espanha durante 40 dias. A programação prevê mais de 40 apresentações distribuídas em seis festivais internacionais, além de oficinas, intercâmbios culturais e encontros com artistas e comunidades locais.

A delegação reúne 30 jovens entre 15 e 35 anos, em sua maioria negros e moradores de bairros periféricos de Cuiabá, cujas histórias foram transformadas pela cultura popular. Mais do que apresentações artísticas, a iniciativa representa um importante projeto de inclusão social e valorização da juventude.

Toda a experiência será registrada para a produção de um videodocumentário inédito, que retratará a trajetória do grupo entre Portugal e Espanha, preservando a memória dessa jornada histórica.

O espetáculo preparado pelo Flor de Atalaia reúne algumas das mais importantes manifestações culturais brasileiras. Além do siriri, o repertório contempla o cururu, o rasqueado, o samba, o carimbó, o lundu marajoara, o forró e danças de matrizes africanas.

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Entre os momentos mais emocionantes está a encenação "O Santo Negro Pantaneiro e o Milagre do Renascimento", homenagem ao Pantanal inspirada na figura de Vigilato Canuto e na entrada de Nossa Senhora do Pantanal. Com a mensagem "Salve o Pantanal" estampada no manto da santa, a apresentação une fé, cultura e conscientização ambiental em defesa do maior bioma mato-grossense.

Os figurinos também traduzem a identidade regional. Inspirados nas araras que sobrevoam diariamente a sede do grupo, no bairro Parque Atalaia, as peças apresentam cores vibrantes e movimentos que remetem ao voo das aves, simbolizando a força da natureza e da cultura brasileira.

Para os integrantes do Flor de Atalaia, a viagem representa muito mais do que uma oportunidade artística.

"No palco, dançamos mais que uma coreografia: dançamos nossa cultura, história e tradição. Tenho amor profundo pela dança. Minha paixão é dançar o Siriri, que é onde minhas raízes encontram minha voz e cada passo conta a história do meu povo. Tenho orgulho de carregar essa cultura no peito e representar o Siriri por onde eu passar", afirma o dançarino Victor Souza.

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A expectativa da organização é alcançar mais de 10 mil pessoas entre público presencial e digital, fortalecendo redes internacionais de cooperação cultural e ampliando o reconhecimento das manifestações populares de Mato Grosso.

As trajetórias do Flor Ribeirinha e do Flor de Atalaia demonstram que o siriri deixou de ser apenas uma manifestação tradicional regional para ocupar espaço entre as grandes expressões culturais do mundo.

Ao conquistar títulos internacionais e levar espetáculos para os principais festivais da Europa e da Ásia, os grupos reafirmam o papel da cultura popular como instrumento de inclusão social, preservação da memória, diplomacia cultural e fortalecimento da identidade brasileira.

Mais do que medalhas e aplausos, as conquistas simbolizam o reconhecimento de um povo que mantém vivas suas raízes e mostra ao mundo que a riqueza cultural de Mato Grosso continua dançando, cantando e emocionando plateias muito além das fronteiras brasileiras.

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