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Enviado dos EUA ao Haiti renuncia e denuncia deportações 'desumanas' de imigrantes; entenda a crise
Governo Biden começou a deportar milhares de haitianos que chegaram ao Texas pela fronteira do México. Representante americano no país mergulhado em profunda miséria e convulsão social diz que mandá-los de volta é 'decisão desumana e contraproducente'
No texto, enviado ao secretário de Estado Antony Blinken, Foote descreve o Haiti como um lugar em que os diplomatas americanos "estão confinados em instalações de segurança devido aos perigos representados pelos grupos armados que controlam a vida diária".
"Atolada na pobreza, refém do terror", a população haitiana "simplesmente não pode suportar o fluxo forçado de milhares de migrantes que retornam sem comida, abrigo e dinheiro, sem provocar uma tragédia humana adicional que poderia ser evitada, escreveu.
"Mais refugiados vão aumentar ainda mais o desespero e o crime", escreveu.
De acordo com a agência Associated Press, essa pode ser a maior ação de retirada de imigrantes em décadas.
Como começou a crise
A renúncia de Foote aconteceu depois que o governo dos Estados Unidos iniciou, na semana passada, a embarcar em aviões cidadãos haitianos que entraram no país a partir do México para enviá-los de volta a seu país.
Os haitianos integram uma onda de milhares de migrantes retidos há várias semanas nas cidades mexicanas de Tapachula (fronteira sul com a Guatemala) e Cidade Acuña (norte, fronteira com o Texas).
Como os imigrantes chegaram em massa à fronteira americana?
Os haitianos chegam principalmente do Brasil e Chile, para onde emigraram após o terremoto de 2010 que provocou quase 200 mil mortes no Haiti.
Desde março de 2020, o México passou a aceitar imigrantes da América Central que tentaram entrar nos EUA, mas não conseguiram visto.
No entanto, só podem entrar no México pessoas de três países: Guatemala, Honduras e El Salvador.
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