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Enviado dos EUA ao Haiti renuncia e denuncia deportações 'desumanas' de imigrantes; entenda a crise

Governo Biden começou a deportar milhares de haitianos que chegaram ao Texas pela fronteira do México. Representante americano no país mergulhado em profunda miséria e convulsão social diz que mandá-los de volta é 'decisão desumana e contraproducente'

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM AFP/COM G1 23/09/2021
O enviado especial dos Estados Unidos para o Haiti renunciou ao cargo nesta quinta-feira (23), dois meses após sua nomeação e denunciou numa carta as deportações do governo de Joe Biden de milhares de haitianos que atravessam a fronteira a partir do México.

No texto, enviado ao secretário de Estado Antony Blinken, Foote descreve o Haiti como um lugar em que os diplomatas americanos "estão confinados em instalações de segurança devido aos perigos representados pelos grupos armados que controlam a vida diária".

"Atolada na pobreza, refém do terror", a população haitiana "simplesmente não pode suportar o fluxo forçado de milhares de migrantes que retornam sem comida, abrigo e dinheiro, sem provocar uma tragédia humana adicional que poderia ser evitada, escreveu.

"Mais refugiados vão aumentar ainda mais o desespero e o crime", escreveu.

De acordo com a agência Associated Press, essa pode ser a maior ação de retirada de imigrantes em décadas.

Como começou a crise

A renúncia de Foote aconteceu depois que o governo dos Estados Unidos iniciou, na semana passada, a embarcar em aviões cidadãos haitianos que entraram no país a partir do México para enviá-los de volta a seu país.

Os haitianos integram uma onda de milhares de migrantes retidos há várias semanas nas cidades mexicanas de Tapachula (fronteira sul com a Guatemala) e Cidade Acuña (norte, fronteira com o Texas).

Como os imigrantes chegaram em massa à fronteira americana?

Os haitianos chegam principalmente do Brasil e Chile, para onde emigraram após o terremoto de 2010 que provocou quase 200 mil mortes no Haiti.

Desde março de 2020, o México passou a aceitar imigrantes da América Central que tentaram entrar nos EUA, mas não conseguiram visto.

No entanto, só podem entrar no México pessoas de três países: Guatemala, Honduras e El Salvador.