Mundo
Venezuela elimina seis zeros de sua moeda pela hiperinflação
Acompanhando a medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira, entra em circulação um nova linha monetária (conjunto de notas e moedas), com uma moeda de um bolívar e notas de 5, 10, 20, 50 e 100
Acompanhando a medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira, entra em circulação um nova linha monetária (conjunto de notas e moedas), com uma moeda de um bolívar e notas de 5, 10, 20, 50 e 100.
A denominação máxima será equivalente a cerca de US$ 24, de acordo com as taxas do BCV.
A maior nota da velha família, de um milhão, mal representa US$ 0,25 e não compra nem uma bala. Ela permanecerá em circulação com as novas por alguns meses.
Três em cada quatro famílias venezuelanas estão na extrema pobreza, com renda insuficiente para cobrir suas necessidades alimentares, de acordo com os resultados da Pesquisa Nacional de Condições de Vida, coordenada por uma das principais universidades do país, divulgada na quarta-feira (29).
Corte de zeros
A primeira reforma do bolívar foi lançada pelo ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), que retirou três zeros da moeda.
Seu sucessor, Nicolás Maduro, empreendeu uma nova em 2018, com cinco zeros a menos, e agora tira mais seis zeros da equação apenas três anos depois.
A inflação, projetada em 1.600% em 2021 pela Ecoanalítica, tem sido destrutiva, e combinada com desvalorizações gigantescas e depreciações constantes, 73,34% só este ano, esvaziou o bolívar de valor.
Dolarização
Tudo isso levou a uma dolarização informal, na medida em que os venezuelanos tentam proteger sua renda com a moeda estrangeira, que Maduro chamou de "válvula de escape" em um país que está em recessão há oito anos.
Embora o líder socialista não tenha suspendido formalmente o controle cambial imposto em 2003, ele foi forçado a flexibilizá-lo devido ao colapso da receita do país causado pela queda da indústria do petróleo e às restrições de financiamento devido às sanções do Estados Unidos para tentar retirá-lo do poder.