Quarta rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia é interrompida pela 2ª vez
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN15/03/2022
A quarta rodada de negociações entre a Ucrânia e a Rússia, realizada nesta terça-feira (15) foi interrompida pela segunda vez seguida. O conselheiro presidencial e negociador da Ucrânia Mykhailo Podolyak afirmou que as conversas com os russos são um processo “muito difícil e viscoso”.
No entanto, o representante ucraniano considerou que “certamente há espaço para compromisso”. Podolyak disse que as negociações com os russos continuarão nesta quarta-feira (16), e que existem “contradições fundamentais” entre as duas partes.
Busca por acordos
Mais cedo, o conselheiro disse que a reunião com a delegação da Rússia teria como principais pautas a regulamentação geral, um possível cessar-fogo e acordos para a retirada de tropas da Rússia do território ucraniano. Na segunda (14), o encontro já havia sido paralisado para uma “pausa técnica”.
As conversas entre representantes dos dois países foram classificadas como “difíceis” pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. As reuniões têm como foco principal alcançar um possível cessar-fogo.
Os russos querem que a Ucrânia mude sua Constituição para resguardar neutralidade –fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)–, além de considerar a Crimeia como território russo e reconhecer as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.
Destaques das últimas 24 horas
Quarta reunião entre Rússia e Ucrânia tem nova pausa
Rússia decide se retirar do Conselho Europeu
Joe Biden viajará à Europa para reunião na Otan
Zelensky discursa no Parlamento canadense e faz novo pedido de zona de exclusão aérea na Ucrânia
Secretário-geral da Otan diz que continuará a enviar armas e que Putin poderia encerrar a guerra “agora”
A Rússia decidiu se retirar do Conselho da Europa, um órgão de defesa dos direitos humanos com sede em Estrasburgo, na França, a partir de hoje, 15 de março, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em comunicado nesta terça-feira.
O Conselho da Europa tem como missão “defender os direitos humanos e o Estado de Direito” e é separado da União Europeia. O órgão havia suspendido a adesão da Rússia em 25 de fevereiro, um dia após a invasão à Ucrânia.
A declaração do Ministério das Relações Exteriores russo destacou essa suspensão em seu raciocínio e afirmou que os membros da Otan e da UE estão transformando o Conselho “em um instrumento de política anti-russa”.
Otan alerta para armas químicas
Enquanto a Rússia segue com os bombardeios na Ucrânia, o secretário-geral da Organização do Atlântico Norte (Otan), afirmou, nesta terça-feira, que a aliança continuará a enviar armas e mantimentos para os ucranianos. Ele também afirmou que existem 40 mil militares na fronteira com a Ucrânia. No domingo, a Rússia bombardeou Yavoriv, a 25 quilômetros da Polônia, país membro da Otan. Acompanhe ao vivo acima a cobertura especial da CNN.
Stoltenberg também disse que está preocupado que a Rússia utilize armas químicas na Ucrânia em uma operação de “bandeira falsa” (um ataque seguido de desinformação sobre os autores). Ele ainda declarou que a China “deveria se unir ao mundo e condenar a Rússia”. Segundo o secretário-geral, a guerra foi causada por Vladimir Putin e ele poderia “encerrá-la agora”.
Sobre os ataques, um prédio de apartamentos de 16 andares no distrito de Sviatoshynskyi, em Kiev, foi significativamente danificado. Pelo menos quatro pessoas foram encontradas mortas. Mais três edifícios sofreram danos em Kiev. As áreas residenciais no leste, norte e oeste do centro da cidade foram atingidas por bombardeios com uma hora de intervalo. Um toque de recolher será imposto na capital ucraniana a partir das 20 horas desta terça-feira até as 7 horas desta quinta-feira (no horário local).
Zelensky no Parlamento canadense
No início da tarde desta terça, no horário de Brasília, Zelensky fez um pronunciamento ao Parlamento canadense. O ucraniano agradeceu o apoio da população e políticos do país, mas pediu novamente a criação de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia: “Quantos misseis de cruzeiro mais vão ter que entrar no nosso país pra que isso aconteça?”.
Biden viajará à sede da Otan, em Bruxelas
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, viajará para a sede da Organização do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas, na próxima semana, enquanto
O secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, convocou uma cúpula extraordinária para 24 de março. Ele informou pelo Twitter que os líderes vão “abordar a invasão da Ucrânia pela Rússia, nosso forte apoio à Ucrânia e fortalecer ainda mais a dissuasão e a defesa da Otan”.
Primeiros-ministros encontram Zelensky em Kiev
Líderes de Eslovênia, Polônia e República Tcheca estão em Kiev para se encontrar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro ucraniano Denis Shmyhal.
Em um comunicado, o gabinete do governo polonês disse que o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, o vice-primeiro-ministro Jarosław Kaczyński, o primeiro-ministro tcheco Petr Fiala e o primeiro-ministro esloveno Janez Janša visitarão a capital ucraniana como representantes do Conselho Europeu.
“O objetivo da visita é confirmar o apoio inequívoco de toda a União Europeia à soberania e independência da Ucrânia. O objetivo desta visita também é apresentar um amplo pacote de apoio à Ucrânia e aos ucranianos”.
Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, visto em seu escritório / Reprodução/Facebook
União Europeia aprova rodada de sanções à Rússia em setores de energia, aço e defesa
A União Europeia aprovou formalmente nesta terça-feira (15) uma nova rodada de sanções contra a Rússia por sua invasão da Ucrânia, que inclui proibições de investimentos no setor de energia russo, exportações de bens de luxo e importações de produtos siderúrgicos da Rússia.
As sanções, que entram em vigor após a publicação no jornal oficial da UE na terça-feira, também congelam os ativos de mais líderes empresariais que apoiam o Estado russo, incluindo o proprietário do clube de futebol Chelsea, Roman Abramovich.
A Comissão Europeia disse em comunicado na terça-feira que as sanções incluem “uma proibição abrangente de novos investimentos no setor de energia russo”.
A medida atingirá as principais petrolíferas russas — Rosneft, Transneft e Gazprom.
Cifrão do euro / REUTERS/Kai Pfaffenbach
Russa que protestou na TV diz ter sido interrogada por 14 horas
A jornalista afirmou que foi interrogada durante 14 horas e não teve direito a aconselhamento jurídico. Ela foi condenada nesta terça-feira (15) por infração administrativa.
“Aqueles foram realmente dias muito difíceis da minha vida. Eu literalmente passei dois dias sem dormir. O interrogatório durou mais de 14 horas, não tive permissão para entrar em contato com meus parentes ou amigos, não tive assistência jurídica. Então, estou em uma posição bastante difícil”, disse Ovsyannikova à mídia após a audiência no tribunal.
O advogado Dmitry Zakhvatov disse em entrevista à CNN que ficou sem notícias sobre Marina Ovsyannikova, editora de uma TV russa que ergueu um cartaz antiguerra durante uma transmissão ao vivo na segunda-feira (14).
A mensagem foi exibida no principal noticiário da emissora estatal russa, Channel One. “Pare a guerra. Não acredite na propaganda, eles contam mentiras aqui”, dizia a placa, concluindo em inglês: “Russos contra a guerra”.
Zakhvatov confirmou à CNN que Ovsyannikova é a mulher vista no ar segurando o cartaz e que ela é editora do canal. Horas depois de relatar que estava sem contato com a editora, Zakhvatov disse que ela foi encontrada em um tribunal de Moscou.
No Telegram, ele publicou uma foto com Ovsynnikova e um de seus advogados, Anton Gashinsky.
Guerra até maio
Na segunda-feira, o conselheiro do chefe de pessoal do presidente ucraniano, Oleksiy Arestovich, declarou que “é provável que a guerra na Ucrânia só termine no início de maio”, quando a Rússia ficar sem recursos para atacar o país do Leste Europeu.
As conversas entre Kiev e Moscou – em que Arestovich não está pessoalmente envolvido – produziram até agora poucos resultados além de vários corredores humanitários fora das cidades sitiadas ucranianas.
Prédio em Kiev atingido por ataque russo em 14 de março / Reuters
Vídeo: Guerra começa a ter condições para entrada da diplomacia, diz professor
Cães da guerra: conflito na Ucrânia desaloja pessoas e animais de estimação
Jakub Kotowicz ama tanto os animais que decidiu que queria passar a vida cuidando deles. Mas o veterinário polonês nunca pensou que de repente seria inundado com animais resgatados de uma guerra ao lado de casa.
Kotowicz está com a ADA Foundation, um abrigo de animais que não mata em Przemysl, na Polônia, a apenas 30 minutos da fronteira com a Ucrânia.
Desde que as bombas começaram a cair na Ucrânia, ele e os outros veterinários e funcionários não dormiram muito porque a necessidade de encontrar abrigo para animais desalojados não diminui.
Moon é um dos muitos animais de estimação forçados a deixar suas casas na Ucrânia por causa da guerra / Sara Sidner/CNN
EUA diz não ter interesse em Terceira Guerra Mundial
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos não possuem interesse no início de uma Terceira Guerra Mundial e nem no envio de tropas para a guerra na Ucrânia.
Psaki respondia a um questionamento sobre a utilização de armas nucleares pela Rússia na Ucrânia, afirmando que a ação não está de acordo com as normas globais.
“Qualquer presidente tem que pensar em como liderar o mundo como deixar claro que essas ações são cruéis, inaceitáveis e não estão em linha com as normas globais. Mas ao mesmo tempo pensar nos nossos interesses nacionais. Dar início a Terceira Guerra Mundial certamente não está no interesse dos Estados Unidos. Trazer soldados norte-americanos para solo ucraniano para combater a Rússia não está em nossos interesses”, declarou Psaki.
Secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki / 04/03/2022 REUTERS/Evelyn Hockstein
Otan faz exercício com 30 mil militares na Noruega
Cerca de 30 mil militares de países parceiros e aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciaram, na segunda-feira (14), uma série de exercícios militares na Noruega, no âmbito da chamada Cold Response 2022 (Resposta Fria 2022, em inglês). A atividade é regular e acontece todos os anos na Noruega, mas, de acordo com especialistas, pode ser vista agora como “um sinal de alerta” por parte da Otan, em um momento de grande tensão na Europa, com a invasão da Ucrânia como pano de fundo.
Afinal, o que é esta operação militar e por que ocorre agora na Noruega? Como a Rússia poderá interpretar este exercício?
O ex-embaixador de Portugal na Otan, Martins da Cruz, e o coronel José Henriques explicam à CNN Portugal qual o motivo este exercício?
Fragata Karlstad, deixa o porto de Copenhague para se juntar às forças JEF (Força Expedicionária Conjunta) no Mar Báltico / Getty Images
Alarme nuclear
O secretário-feral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres fez um alerta na segunda sobre a possibilidade de a Rússia aumentar o nível de alerta para suas forças nucleares, descrevendo-o como um “desenvolvimento de arrepiar os ossos”. Ele acrescentou que a perspectiva de um conflito nuclear estava de volta ao campo de “possibilidade”.
Avanço das tropas russas
A Rússia conseguiu avanço pelas regiões Sul – subindo pela Crimeia e pelo Mar de Azov – e Leste, a partir das regiões separatistas de Luhansk e Donetsk. Os russos, porém, não tiveram êxito na tentativa de capturar a cidade portuária de Mariupol, onde o cerco de dias causa falta de água e combustível. De acordo com autoridades ucranianas, já são mais de 2.200 mortos na região.
Outros dois pontos de resistência são Mikolaiv e Odessa, também ao Sul. Odessa é uma cidade portuária muito importante, dando acesso ao Mar Negro. Sem conquistar Mikolaiv, ainda não foi possível avançar para essa região por terra.
O exército invasor também avançou pela parte Norte da Ucrânia, por mais que também não tenha conseguido nenhuma conquista de cidades mais expressivas na região. Kharkiv, a segunda maior cidade do país, por exemplo, sofre com bombardeios intensos, mas continua sob controle ucraniano.
Cerca de 350 mil pessoas ainda estão presas em Mariupol, diz oficial local
Cerca de 350 mil pessoas ainda estão presas em Mariupol, a cidade no sudeste ucraniano que têm sido alvo de ataques das tropas russas desde 1º de março. As informações foram repassadas por um oficial local.
“Considerando que existem 540 mil residentes e cerca de 150 mil que pessoas já foram evacuadas nos primeiros três dias, quando era seguro fazê-lo, estimamos que cerca de 350 mil pessoas estejam presas em Mariupol”, disse Petro Andriushchenko, conselheiro do prefeito de Mariupol, à uma televisão ucraniana na segunda-feira (14).
Imagens mostram danos em Mariupol e na região de Kiev
Novas imagens de satélite da Maxar Technologies estão ajudando a esclarecer as áreas impactadas por ataques militares na Ucrânia.
A apenas 38 quilômetros a noroeste do centro de Kiev, as imagens de satélite mostram que quase todas as casas no lado noroeste da vila de Moschun sofreram danos significativos. Incêndios ainda atingem algumas das casas, enquanto os campos ao redor da vila também estão queimados.
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Danos e detritos espalhados são vistos no Hospital Regional de Terapia Intensiva de Mariupol
Crédito: Reprodução/Maxar Technologies
As fotos, tiradas na segunda-feira (14), também mostram danos em Mariupol. As imagens de satélite oferecem a única visão da mais recente destruição na cidade.
O Hospital Regional de Terapia Intensiva de Mariupol, no bairro Zhovteneyvi, tem um buraco na fachada sul do prédio, enquanto os detritos também estão espalhados do lado de fora.
Não está claro qual lado é responsável pelos danos no hospital. Perto do prédio do hospital, vários complexos de apartamentos parecem ter sido significativamente prejudicados, com um aparentemente sofrido danos visíveis por incêndio.
Cerca de um quilômetro e meio ao sul, no bairro de Primorskyi, várias casas são vistas em chamas após um aparente ataque militar. Complexos de apartamentos próximos também sofreram danos, enquanto outras casas em uma área residencial no centro da cidade também estão enfrentando preocupações.
Torre de televisão atacada
Pelo menos nove pessoas morreram e nove ficaram feridas em um suposto ataque russo a uma torre de televisão em Rivne, no norte da Ucrânia. “Ainda há pessoas sob os escombros”, disse Vitaliy Koval, governador da região. O canal de televisão local 1+1 afirmou que vai trabalhar para restaurar qualquer sinal perdido.
Rússia diz que suas forças assumiram o controle da região de Kherson
A Rússia disse nesta terça-feira (15) que suas Forças Armadas assumiram o controle total da região de Kherson, no sul da Ucrânia, informou o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.
“As Forças Armadas da Federação Russa assumiram o controle total de todo o território da região de Kherson”, disse Konashenkov num briefing, sem elaborar.
A agência Reuters não conseguiu verificar as alegações de forma independente.
A cidade de Kherson, uma capital provincial de cerca de 250.000 pessoas, foi o primeiro centro urbano chave a cair nas mãos das tropas russas depois que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.
Porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, durante pronunciamento em Moscou / Ministério da Defesa da Rússia/Divulgação via REUTERS
Forças russas podem estar ampliando alvos, diz Pentágono
Um ataque aéreo russo que teve como alvo o centro de treinamento de Yavoriv, perto de Lviv, no domingo (13), é o terceiro ataque aéreo na parte mais a Oeste da Ucrânia, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, durante uma coletiva nesta segunda-feira (14).
Com o último ataque, “certamente parece que os russos estão ampliando seus alvos”, acrescentou Kirby.
A instalação era o local onde os membros da Guarda Nacional da Flórida estavam treinando até deixarem a Ucrânia antes da invasão, mas nenhum empreiteiro, civil ou pessoal do governo dos EUA estava lá quando foi atingido, informou o porta-voz.
Tribunal Internacional deve se posicionar na quarta (16)
O Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, na Holanda, deve apresentar, na tarde da próxima quarta-feira (16), uma decisão a respeito do procedimento que foi aberto para investigar as acusações da Rússia de que houve um genocídio por parte da Ucrânia em regiões separatistas no leste do país.
Além disso, o Tribunal deve determinar os próximos passos da apuração sobre acusações de crimes de guerra contra o presidente russo, Vladimir Putin, pela invasão da Ucrânia.
Em seu pedido de instauração de processos contra a Rússia, a Ucrânia disse que o país presidido por Vladimir Putin “alegou falsamente que ocorreram atos de genocídio” nas regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, acrescentando que a Rússia posteriormente declarou e implementou uma “operação militar especial” contra a Ucrânia, de acordo com o comunicado.
Vista da Corte Internacional de Justiça em Haia, na Holanda / 09/12/2019 REUTERS/Eva Plevier
ONU oferece fundo de emergência para a Ucrânia
A ONU injetou nesta segunda US$ 40 milhões (R$ 204,9 milhões, na atual cotação) em fundos de emergência para suas agências que fornecem dinheiro, comida, remédios e abrigo aos ucranianos, segundo seu chefe humanitário.
Foi a segunda alocação desse tipo do Fundo Central de Resposta de Emergências desde que a invasão russa começou em 24 de fevereiro. Nesse mesmo dia, a ONU anunciou uma injeção de US$ 20 milhões (R$ 102,4 milhões).
“Esses fundos são essenciais para iniciar as operações imediatamente”, disse o chefe de ajuda da ONU, Martin Griffiths, em comunicado. “Nos primeiros dias de nossa resposta, o financiamento rápido e flexível pode fazer toda a diferença.”
Organização das Nações Unidas / Foto: Reprodução/ONU
Zelensky agradece a manifestantes
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que é “grato” aos russos que “não têm medo de protestar” e que “dizem a verdade” sobre a invasão russa da Ucrânia.
“Sou grato” aos russos que não param de tentar transmitir a verdade. Aos que lutam contra a desinformação e dizem a verdade, fatos reais a seus amigos e entes queridos”, disse ele em um vídeo do Telegram enviado no início desta terça-feira, horário local.
Zelensky também falou diretamente sobre Maria Ovsyannikova, a funcionária do Russia Channel One que segurava um cartaz antiguerra para interromper um dos principais programas de notícias da televisão estatal russa em horário nobre na segunda-feira.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / UKRINFORM/ Ukrinform/Future Publishing via Getty Images
EUA apresentam sanções à China em caso de apoio à Rússia
Os EUA apresentaram à China as possíveis sanções em caso de ajuda à Rússia na guerra da Ucrânia, disse um alto funcionário do governo de Joe Biden nesta segunda-feira (14)
A declaração foi dada depois que o conselheiro de segurança nacional dos EUA se encontrou com seu colega chinês em Roma.
“Temos preocupações sobre o alinhamento da China com a Rússia neste momento, e o conselheiro de segurança nacional foi direto sobre essas preocupações e as potenciais implicações e consequências de certas ações”, disse o funcionário, descrevendo uma conversa “muito franca”, “intensa” entre o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, e o principal diplomata chinês, Yang Jiechi.
Embaixador do Brasil cita "ameaça à paz mundial"
O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) João Genésio de Almeida Filho fez um pronunciamento sobre o conflito na Ucrânia, afirmando que há uma ameaça real e sem precedentes à paz mundial.
“Precisamos reconhecer que, na conjuntura atual, a arquitetura da paz na Europa e no mundo está enfrentando um desafio sem precedentes”, destacou.
Novamente, o diplomata pediu o fim das hostilidades e medidas para a proteção de civis, assim como estabelecimento de corredores para passagem de ajuda humanitária, lutando por um “acesso ilimitado e seguro de ajuda humanitária internacional”.
Japão manda recado para China
O Japão apoiou a condenação da guerra na Ucrânia com sanções a autoridades e oligarcas russos, mas especialistas dizem que eles não são o único público-alvo da indignação de Tóquio. A mensagem também foi dada para a China.
Desde que Moscou atacou a Ucrânia, analistas fizeram comparações entre as ações da Rússia e a ambição declarada da China em buscar a “reunificação” de Taiwan com o continente. O cenário “e se” não passou despercebido aos líderes japoneses.
Nos primeiros dias da invasão, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, foi rápido em enquadrar a crise na Ucrânia como uma questão global. “Esta é uma situação muito séria que não afeta apenas a Europa, mas também a Ásia e toda a ordem mundial”, disse ele a repórteres.
E o público japonês parece estar em sintonia com seus pontos de vista. Em um país tipicamente mais focado em questões domésticas, a guerra está dominando a cobertura jornalística.
Primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida / Eugene Hoshiko/Pool via REUTERS
"É improvável" que míssil russo atinja território da Otan
Não é impossível que mísseis russos possam atingir território da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas é muito improvável, disse o ministro da Saúde britânico Sajid Javid nesta segunda-feira (14), acrescentando que a aliança responderia se isso acontecesse.
Questionado sobre a possibilidade de mísseis russos atingirem um território da Otan após um ataque a uma base de treinamento militar ucraniana perto da Polônia, Javid disse à rádio BBC: “Não é impossível, mas ainda acho que, neste estágio, é muito improvável”.
“Deixamos muito claro para os russos, mesmo antes do início deste conflito, mesmo que uma única biqueira russa entre em território da Otan, então será considerado um ato de guerra”.
Logos da Otan na sede da aliança militar em Bruxelas / Yves Herman/Reuters
Mulher grávida e bebê morrem após ataque a maternidade
O cirurgião que tentou salvar a vida de uma mulher resgatada do bombardeio em um hospital na semana passada em Mariupol confirmou que ela, assim como seu bebê recém-nascido, morreram.
O cirurgião, Timur Marin, disse à televisão ucraniana da cidade: “Enquanto ela estava sendo ressuscitada e as medidas antichoque estavam sendo tomadas, fizemos uma cesárea e recebemos a criança sem sinais de vida. A reanimação da criança por mais de meia hora não funcionou. Tentamos a ressuscitação da mãe por meia hora ou mais — sem nenhum resultado. Ambos morreram”.
Imagem divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia. Prédio cuja fachada apresenta marcas de explosão seria um hospital infantil e maternidade / Foto: MFA Ucrânia / Twitter
Refugiados da Ucrânia encontram abrigo perto de Auschwitz
Um centro de educação para jovens perto de Auschwitz dedicado a preservar memórias da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto abriu suas portas para ajudar refugiados que fogem da guerra no presente.
Dias depois de deixar sua cidade natal de Nikopol, no sul da Ucrânia, com sua mãe e três filhas, Tamila Tvardovska pôde finalmente colocar suas malas pesadas no chão e descansar.
O homem de 39 anos estava entre os 50 refugiados, a maioria mulheres e crianças, que chegaram no domingo (13) ao Centro Internacional de Encontros Juvenis em Oswiecim, um edifício tranquilo que normalmente recebe eventos educacionais.
“Acho que haverá céus pacíficos acima de nossas cabeças (aqui)”, disse Tvardovska.
Refugiados ucranianos estão sendo acolhidos em centro a dois quilômetros de distância do antigo campo de extermínio nazista / Reuters
Último dia do McDonald’s na Rússia
“Eles não têm o direito de fechar!”, reclamou o pianista russo Nikas Safronov pouco antes de ser levado pela polícia, neste domingo (13), último dia de operações do McDonald’s na Rússia. Ele havia se acorrentado em uma das lojas da rede em protesto à decisão da rede de fechar suas portas temporariamente no país em represália à invasão na Ucrânia.
Enquanto isso, alguém na multidão gritou: “Em seis semanas, eles vão reabrir com outro nome!”
Os relatos foram feitos pelo jornalista Kevin Rothrock, editor da versão em inglês do site russo Meduza, em suas redes sociais.
Pessoas esperam na fila para entrar em um restaurante McDonald's em Moscou, Rússia, em 11 de março de 2022. / SOPA Images/LightRocket via Gett
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma "operação militar especial" na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas "condições" forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.