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Quarta rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia é interrompida pela 2ª vez

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 15/03/2022
A quarta rodada de negociações entre a Ucrânia e a Rússia, realizada nesta terça-feira (15) foi interrompida pela segunda vez seguida. O conselheiro presidencial e negociador da Ucrânia Mykhailo Podolyak afirmou que as conversas com os russos são um processo “muito difícil e viscoso”. No entanto, o representante ucraniano considerou que “certamente há espaço para compromisso”. Podolyak disse que as negociações com os russos continuarão nesta quarta-feira (16), e que existem “contradições fundamentais” entre as duas partes.

Busca por acordos

Mais cedo, o conselheiro disse que a reunião com a delegação da Rússia teria como principais pautas a regulamentação geral, um possível cessar-fogo e acordos para a retirada de tropas da Rússia do território ucraniano. Na segunda (14), o encontro já havia sido paralisado para uma “pausa técnica”. As conversas entre representantes dos dois países foram classificadas como “difíceis” pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. As reuniões têm como foco principal alcançar um possível cessar-fogo. Os russos querem que a Ucrânia mude sua Constituição para resguardar neutralidade –fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)–, além de considerar a Crimeia como território russo e reconhecer as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.

Destaques das últimas 24 horas

  • Quarta reunião entre Rússia e Ucrânia tem nova pausa
  • Rússia decide se retirar do Conselho Europeu
  • Joe Biden viajará à Europa para reunião na Otan
  • Zelensky discursa no Parlamento canadense e faz novo pedido de zona de exclusão aérea na Ucrânia
  • Secretário-geral da Otan diz que continuará a enviar armas e que Putin poderia encerrar a guerra “agora”
  • União Europeia aprova sanções à Rússia em setores de energia, aço e defesa
  • Negociações entre delegações de Rússia e Ucrânia são retomadas nesta terça
  • Prédios residenciais em Kiev são atacados; toque de recolher será imposto na capital ucraniana
  • Tribunal de Haia deve apresentar no dia 16 decisão sobre acusações de genocídio da Rússia à Ucrânia
  • Premiês de Eslovênia, Polônia e República Tcheca se reunirão com Zelensky em Kiev
  • Assessor presidencial da Ucrânia diz que guerra pode acabar em maio, quando Rússia ficar sem recursos

Russos deixam o Conselho Europeu

A Rússia decidiu se retirar do Conselho da Europa, um órgão de defesa dos direitos humanos com sede em Estrasburgo, na França, a partir de hoje, 15 de março, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em comunicado nesta terça-feira. O Conselho da Europa tem como missão “defender os direitos humanos e o Estado de Direito” e é separado da União Europeia. O órgão havia suspendido a adesão da Rússia em 25 de fevereiro, um dia após a invasão à Ucrânia. A declaração do Ministério das Relações Exteriores russo destacou essa suspensão em seu raciocínio e afirmou que os membros da Otan e da UE estão transformando o Conselho “em um instrumento de política anti-russa”.

Otan alerta para armas químicas

Enquanto a Rússia segue com os bombardeios na Ucrânia, o secretário-geral da Organização do Atlântico Norte (Otan), afirmou, nesta terça-feira, que a aliança continuará a enviar armas e mantimentos para os ucranianos. Ele também afirmou que existem 40 mil militares na fronteira com a Ucrânia. No domingo, a Rússia bombardeou Yavoriv, a 25 quilômetros da Polônia, país membro da Otan. Acompanhe ao vivo acima a cobertura especial da CNN. Stoltenberg também disse que está preocupado que a Rússia utilize armas químicas na Ucrânia em uma operação de “bandeira falsa” (um ataque seguido de desinformação sobre os autores). Ele ainda declarou que a China “deveria se unir ao mundo e condenar a Rússia”. Segundo o secretário-geral, a guerra foi causada por Vladimir Putin e ele poderia “encerrá-la agora”. Sobre os ataques, um prédio de apartamentos de 16 andares no distrito de Sviatoshynskyi, em Kiev, foi significativamente danificado. Pelo menos quatro pessoas foram encontradas mortas. Mais três edifícios sofreram danos em Kiev. As áreas residenciais no leste, norte e oeste do centro da cidade foram atingidas por bombardeios com uma hora de intervalo. Um toque de recolher será imposto na capital ucraniana a partir das 20 horas desta terça-feira até as 7 horas desta quinta-feira (no horário local).

Zelensky no Parlamento canadense

No início da tarde desta terça, no horário de Brasília, Zelensky fez um pronunciamento ao Parlamento canadense. O ucraniano agradeceu o apoio da população e políticos do país, mas pediu novamente a criação de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia: “Quantos misseis de cruzeiro mais vão ter que entrar no nosso país pra que isso aconteça?”.

Biden viajará à sede da Otan, em Bruxelas

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, viajará para a sede da Organização do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas, na próxima semana, enquanto O secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, convocou uma cúpula extraordinária para 24 de março. Ele informou pelo Twitter que os líderes vão “abordar a invasão da Ucrânia pela Rússia, nosso forte apoio à Ucrânia e fortalecer ainda mais a dissuasão e a defesa da Otan”. Primeiros-ministros encontram Zelensky em Kiev Líderes de Eslovênia, Polônia e República Tcheca estão em Kiev para se encontrar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro ucraniano Denis Shmyhal. Em um comunicado, o gabinete do governo polonês disse que o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, o vice-primeiro-ministro Jarosław Kaczyński, o primeiro-ministro tcheco Petr Fiala e o primeiro-ministro esloveno Janez Janša visitarão a capital ucraniana como representantes do Conselho Europeu. “O objetivo da visita é confirmar o apoio inequívoco de toda a União Europeia à soberania e independência da Ucrânia. O objetivo desta visita também é apresentar um amplo pacote de apoio à Ucrânia e aos ucranianos”.
Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, visto em seu escritório / Reprodução/Facebook

União Europeia aprova rodada de sanções à Rússia em setores de energia, aço e defesa

A União Europeia aprovou formalmente nesta terça-feira (15) uma nova rodada de sanções contra a Rússia por sua invasão da Ucrânia, que inclui proibições de investimentos no setor de energia russo, exportações de bens de luxo e importações de produtos siderúrgicos da Rússia. As sanções, que entram em vigor após a publicação no jornal oficial da UE na terça-feira, também congelam os ativos de mais líderes empresariais que apoiam o Estado russo, incluindo o proprietário do clube de futebol Chelsea, Roman Abramovich. A Comissão Europeia disse em comunicado na terça-feira que as sanções incluem “uma proibição abrangente de novos investimentos no setor de energia russo”. A medida atingirá as principais petrolíferas russas — Rosneft, Transneft e Gazprom.
Cifrão do euro / REUTERS/Kai Pfaffenbach

Russa que protestou na TV diz ter sido interrogada por 14 horas

A jornalista afirmou que foi interrogada durante 14 horas e não teve direito a aconselhamento jurídico. Ela foi condenada nesta terça-feira (15) por infração administrativa. “Aqueles foram realmente dias muito difíceis da minha vida. Eu literalmente passei dois dias sem dormir. O interrogatório durou mais de 14 horas, não tive permissão para entrar em contato com meus parentes ou amigos, não tive assistência jurídica. Então, estou em uma posição bastante difícil”, disse Ovsyannikova à mídia após a audiência no tribunal. O advogado Dmitry Zakhvatov disse em entrevista à CNN que ficou sem notícias sobre Marina Ovsyannikova, editora de uma TV russa que ergueu um cartaz antiguerra durante uma transmissão ao vivo na segunda-feira (14). A mensagem foi exibida no principal noticiário da emissora estatal russa, Channel One. “Pare a guerra. Não acredite na propaganda, eles contam mentiras aqui”, dizia a placa, concluindo em inglês: “Russos contra a guerra”. Zakhvatov confirmou à CNN que Ovsyannikova é a mulher vista no ar segurando o cartaz e que ela é editora do canal. Horas depois de relatar que estava sem contato com a editora, Zakhvatov disse que ela foi encontrada em um tribunal de Moscou. No Telegram, ele publicou uma foto com Ovsynnikova e um de seus advogados, Anton Gashinsky.

Guerra até maio

Na segunda-feira, o conselheiro do chefe de pessoal do presidente ucraniano, Oleksiy Arestovich, declarou que “é provável que a guerra na Ucrânia só termine no início de maio”, quando a Rússia ficar sem recursos para atacar o país do Leste Europeu. As conversas entre Kiev e Moscou – em que Arestovich não está pessoalmente envolvido – produziram até agora poucos resultados além de vários corredores humanitários fora das cidades sitiadas ucranianas.
Prédio em Kiev atingido por ataque russo em 14 de março / Reuters

Vídeo: Guerra começa a ter condições para entrada da diplomacia, diz professor

Cães da guerra: conflito na Ucrânia desaloja pessoas e animais de estimação

Jakub Kotowicz ama tanto os animais que decidiu que queria passar a vida cuidando deles. Mas o veterinário polonês nunca pensou que de repente seria inundado com animais resgatados de uma guerra ao lado de casa. Kotowicz está com a ADA Foundation, um abrigo de animais que não mata em Przemysl, na Polônia, a apenas 30 minutos da fronteira com a Ucrânia. Desde que as bombas começaram a cair na Ucrânia, ele e os outros veterinários e funcionários não dormiram muito porque a necessidade de encontrar abrigo para animais desalojados não diminui.
Moon é um dos muitos animais de estimação forçados a deixar suas casas na Ucrânia por causa da guerra / Sara Sidner/CNN

EUA diz não ter interesse em Terceira Guerra Mundial

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos não possuem interesse no início de uma Terceira Guerra Mundial e nem no envio de tropas para a guerra na Ucrânia. Psaki respondia a um questionamento sobre a utilização de armas nucleares pela Rússia na Ucrânia, afirmando que a ação não está de acordo com as normas globais. “Qualquer presidente tem que pensar em como liderar o mundo como deixar claro que essas ações são cruéis, inaceitáveis e não estão em linha com as normas globais. Mas ao mesmo tempo pensar nos nossos interesses nacionais. Dar início a Terceira Guerra Mundial certamente não está no interesse dos Estados Unidos. Trazer soldados norte-americanos para solo ucraniano para combater a Rússia não está em nossos interesses”, declarou Psaki.
Secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki / 04/03/2022 REUTERS/Evelyn Hockstein

Otan faz exercício com 30 mil militares na Noruega

Cerca de 30 mil militares de países parceiros e aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciaram, na segunda-feira (14), uma série de exercícios militares na Noruega, no âmbito da chamada Cold Response 2022 (Resposta Fria 2022, em inglês). A atividade é regular e acontece todos os anos na Noruega, mas, de acordo com especialistas, pode ser vista agora como “um sinal de alerta” por parte da Otan, em um momento de grande tensão na Europa, com a invasão da Ucrânia como pano de fundo. Afinal, o que é esta operação militar e por que ocorre agora na Noruega? Como a Rússia poderá interpretar este exercício? O ex-embaixador de Portugal na Otan, Martins da Cruz, e o coronel José Henriques explicam à CNN Portugal qual o motivo este exercício?
Fragata Karlstad, deixa o porto de Copenhague para se juntar às forças JEF (Força Expedicionária Conjunta) no Mar Báltico
Fragata Karlstad, deixa o porto de Copenhague para se juntar às forças JEF (Força Expedicionária Conjunta) no Mar Báltico / Getty Images

Alarme nuclear

O secretário-feral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres fez um alerta na segunda sobre a possibilidade de a Rússia aumentar o nível de alerta para suas forças nucleares, descrevendo-o como um “desenvolvimento de arrepiar os ossos”. Ele acrescentou que a perspectiva de um conflito nuclear estava de volta ao campo de “possibilidade”.

Avanço das tropas russas

A Rússia conseguiu avanço pelas regiões Sul – subindo pela Crimeia e pelo Mar de Azov – e Leste, a partir das regiões separatistas de Luhansk e Donetsk. Os russos, porém, não tiveram êxito na tentativa de capturar a cidade portuária de Mariupol, onde o cerco de dias causa falta de água e combustível. De acordo com autoridades ucranianas, já são mais de 2.200 mortos na região. Outros dois pontos de resistência são Mikolaiv e Odessa, também ao Sul. Odessa é uma cidade portuária muito importante, dando acesso ao Mar Negro. Sem conquistar Mikolaiv, ainda não foi possível avançar para essa região por terra. O exército invasor também avançou pela parte Norte da Ucrânia, por mais que também não tenha conseguido nenhuma conquista de cidades mais expressivas na região. Kharkiv, a segunda maior cidade do país, por exemplo, sofre com bombardeios intensos, mas continua sob controle ucraniano.

Cerca de 350 mil pessoas ainda estão presas em Mariupol, diz oficial local

Cerca de 350 mil pessoas ainda estão presas em Mariupol, a cidade no sudeste ucraniano que têm sido alvo de ataques das tropas russas desde 1º de março. As informações foram repassadas por um oficial local. “Considerando que existem 540 mil residentes e cerca de 150 mil que pessoas já foram evacuadas nos primeiros três dias, quando era seguro fazê-lo, estimamos que cerca de 350 mil pessoas estejam presas em Mariupol”, disse Petro Andriushchenko, conselheiro do prefeito de Mariupol, à uma televisão ucraniana na segunda-feira (14).

Imagens mostram danos em Mariupol e na região de Kiev

Novas imagens de satélite da Maxar Technologies estão ajudando a esclarecer as áreas impactadas por ataques militares na Ucrânia. A apenas 38 quilômetros a noroeste do centro de Kiev, as imagens de satélite mostram que quase todas as casas no lado noroeste da vila de Moschun sofreram danos significativos. Incêndios ainda atingem algumas das casas, enquanto os campos ao redor da vila também estão queimados.