Nove corredores humanitários serão abertos na Ucrânia; Kremlin diz que negociações continuam
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN17/03/2022
Enquanto os ataques da Rússia prosseguem na Ucrânia, nove novas rotas para a retirada de civis devem ser abertas nesta quinta-feira (17), incluindo a cidade de Mariupol, no sudeste, uma das mais devastadas pela guerra. Os corredores são projetados para permitir o transporte seguro de ajuda humanitária para as cidades e a saída segura para os moradores.
Nos últimos dias, um número crescente de veículos particulares conseguiu sair de Mariupol, embora não exista um corredor formal. Um comboio humanitário destinado à cidade está preso em Berdiansk, cerca de 80 quilômetros a oeste, há dias. Iryna Vereshchuk, a ministra ucraniana responsável, disse que outros corredores foram acordados na região de Kiev, incluindo de Borodianka a Zhytomyr e da vila de Shevchenkove a Brovary.
Também nesta quinta-feira, o Kremlin informou que as negociações entre russos e ucranianos continuam em busca de um possível acordo de paz, embora sem nenhum avanço. O Kremlin disse ainda que “muitas pessoas na Rússia estão se mostrando traidores”, e que estavam se demitindo de seus empregos para deixar o país.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fez os comentários um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dizer que o presidente Vladimir Putin era um criminoso de guerra. O Kremlin afirmou que os americanos não tinham o direito “de dar lições à Rússia após seu envolvimento em tantos conflitos”.
Discurso no Parlamento Alemão
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em discurso hoje ao parlamento da Alemanha, invocou a queda do Muro de Berlim para pedir ao chanceler alemão, Olaf Scholz, que derrube um muro entre a paz e o conflito na Europa.
Zelensky descreveu um novo muro “no meio da Europa entre a liberdade e a falta de liberdade”, que ele disse que a Alemanha ajudou a construir, isolando a Ucrânia com seus laços comerciais com a Rússia e seu apoio anterior ao gasoduto Nord Stream 2.
Vídeo: Biden chama Putin de “criminoso de guerra”; Kremlin diz que fala é “inaceitável”
Avanço das tropas russas na Ucrânia está parado, afirmam autoridades britânicas
A invasão russa da Ucrânia estagnou em todas as frentes, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido nesta quinta-feira em sua conta oficial no Twitter. “As forças russas fizeram progressos mínimos em terra, mar ou ar nos últimos dias e continuam sofrendo pesadas perdas”, disse o órgão, acrescentando que a resistência ucraniana continua forte.
“A grande maioria do território ucraniano, incluindo todas as grandes cidades, permanece em mãos ucranianas.” Um relatório anterior de inteligência do ministério disse que a Rússia está recorrendo ao uso de armas mais antigas e menos precisas, menos eficazes militarmente e com maior probabilidade de resultar em baixas civis.
Devido aos atrasos em “atingir seus objetivos e ao fracasso em controlar o espaço aéreo ucraniano”, a atualização de inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido disse que a Rússia provavelmente “gastou muito mais armas lançadas pelo ar do que o planejado originalmente”, levando-os a recorrer a armas que são menos eficazes militarmente.
Veículo militar russo destruído em rua de Kharkiv / 28/02/2022 REUTERS/Vitaliy Gnidyi/File Photo
Resgate em teatro atingido em Mariupol segue, mas ainda sem número de vítimas
Ainda não há informações sobre possíveis mortes ou a condição dos sobreviventes depois que um teatro, que estava sendo usado como abrigo, foi atingido na cidade sitiada de Mariupol, na Ucrânia, na noite de quarta-feira (16).
Acredita-se que cerca de 1.200 pessoas estavam abrigadas no teatro quando ele foi atingido pelo que autoridades ucranianas dizem ter sido um ataque aéreo russo.
Os primeiros relatos do ex-chefe regional de Donetsk, Sergiy Taruta, na quinta-feira de manhã, eram que as pessoas estavam emergindo vivas dos escombros do prédio. Os comentários foram endossados por Liudmyla Denisova, comissária de direitos humanos do parlamento ucraniano.
“Em Mariupol, começou a libertação de civis dos escombros do teatro. O edifício resistiu ao impacto de uma bomba aérea de alta potência e protegeu a vida das pessoas escondidas no abrigo antiaéreo. O trabalho está em andamento para desbloquear o porão”, disse Denisova em comunicado no Telegram.
1 de 4
De acordo com autoridades ucranianas, Teatro de Mariupol estava sendo usado como abrigo para civis
Crédito: Divulgação/Câmara Municipal de Mariupol
Ex-presidente russo alerta EUA: temos o poder de colocá-los em seu lugar
“A Rússia tem o poder de colocar os inimigos liderados pelos Estados Unidos em seu lugar e Moscou frustrará o plano russofóbico do Ocidente de destruir a Rússia”, disse Dmitry Medvedev, um dos aliados mais próximos do presidente Vladimir Putin.
Medvedev, que foi presidente da Rússia de 2008 a 2012 e agora é secretário adjunto do Conselho de Segurança do país, usou a rede social russa VK para afirmar que os Estados Unidos têm alimentado uma “repugnante russofobia” na tentativa de forçar a Rússia a se ajoelhar.
“Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, os Estados Unidos e seus aliados europeus e asiáticos impuseram sanções aos líderes, empresas e empresários russos, isolando a Rússia de grande parte da economia mundial”, denunciou.
Na postagem, Medvedev ainda classifica como “ficção” as penalidades aplicadas ao país: “estão sendo tomadas devido à incapacidade política do Ocidente interferir nos objetivos da Rússia.”
Para o ex-presidente, a ameaça de sanções a cidadãos comuns russos com bens no exterior será respondida de forma simétrica.
Dmitry Medvedev durante entrevista na residência oficial de Gorki, nos arredores de Moscou / Yulia Zyryanova/Reuters
Sanções à Rússia têm ferido máquina de guerra, diz Otan
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, avaliou nesta quinta-feira (17) que as sanções impostas pelos países ocidentais têm “ferido máquina de guerra” da Rússia na Ucrânia.
As declarações foram feitas em Berlim, na Alemanha, onde Stoltenberg teve um encontro com o premiê Olaf Scholz.
Stoltenberg agradeceu os esforços de Scholz para encontrar uma solução diplomática para a guerra, incluindo contatos diretos com o presidente russo Vladimir Putin — que deve “recolher suas forças e se engajar em diplomacia e boa-fé”, disse o secretário.
Mundo passará por redesenho e viveremos “guerra fria 5G”, diz cientista político
O doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da graduação de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, acredita que o “mundo não será mais o mesmo com relação a pactos de segurança”, após o redesenho que será causado pela guerra na Ucrânia.
Em entrevista à CNN Rádio, ele avalia que o mundo “vai ter que ter outros pactos de segurança”: “É triste, mas a Ucrânia acaba sendo laboratório para tratativas desses pactos e a União Europeia deve ter papel importante.”
Mesmo assim, ele fez a ressalva de que, para esse tipo de mudança acontecer, “serão décadas de discussão.”
Niemeyer defende que o mundo deve passar pelo o que chama de “guerra fria 5G”: “Na guerra fria, os EUA olhavam o mundo a partir da Europa, Rússia e China. Agora, continua olhando a partir dessa tríade, mas a China é muito mais poderosa, e vai passar os Estados Unidos na perspectiva econômica.”
Homem busca por pertences em meio aos escombros de um prédio residencial atacado por míssil na região de Kiev / Madeleine Kelly/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Falha técnica interrompe ferrovias na Polônia, importante rota para refugiados
Rotas ferroviárias pararam de operar em diversos lugares da Polônia nesta quinta-feira (17), interrompendo um importante meio de transporte para refugiados ucranianos.
De acordo com o ministro dos Transportes do país, houve uma interrupção do sistema de controle de tráfego, que acabou afetando vários países.
O ministro da Infraestrutura da Polônia, Andrzej Adamczyk, disse que falhas idênticas nos sistemas de controle de tráfego, que são produzidos por uma unidade da fabricante francesa de trens Alstom, também apareceram na Índia, Cingapura e possivelmente no Paquistão.
“A causa ainda está sendo determinada”, escreveu Adamczyk no Twitter. “PKP PLK está trabalhando sem parar para minimizar os efeitos da interrupção, que afetou cerca de 80% do tráfego ferroviário na Polônia.”
Trem sai de Kiev em direção à Polônia / Reprodução/CNNBrasil/26.fev.2022
China “nunca atacará a Ucrânia”, diz enviado de Pequim em Lviv
A China “nunca atacará a Ucrânia”, disse o principal diplomata chinês dentro do país a autoridades na segunda-feira, de acordo com um comunicado à imprensa do governo regional de Lviv.
“A China nunca atacará a Ucrânia. Ajudaremos, especialmente economicamente. Nesta situação, que você estão agora, agiremos com responsabilidade”, disse o embaixador da China na Ucrânia, Fan Xianrong, a Maksym Kozytsky, chefe da administração militar regional em Lviv, durante um encontro.
“A China é um país amigo do povo ucraniano. Como embaixador, posso dizer com responsabilidade que a China sempre será uma força do bem para a Ucrânia, tanto econômica quanto politicamente.”
Em foto do dia 18 de janeiro de 2022, embaixador chinês na Ucrânia, Fan Xianrong, faz discurso no aniversário de 30 anos de relações diplomáticas entre os dois países / Pavlo Bahmut/ Ukrinform/Future Publishing via Getty Images
Repórter da CNN Brasil mostra bunker reativado em Lviv
Enquanto os confrontos entre as tropas russas e ucranianas se aproximam do 22º dia, a população busca abrigos para se proteger dos ataques. Em Lviv, um antigo bunker antibomba está sendo reativado pelas autoridades ucranianas.
O correspondente da guerra da CNN Brasil, Mathias Brotero, teve acesso ao abrigo, que ainda está sendo preparado para receber a população.
EUA analisam meios de ajudar refugiados ucranianos a encontrarem seus familiares
O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está discutindo maneiras de ajudar os refugiados ucranianos a se juntarem a familiares que já vivem nos EUA. Entre as medidas analisadas, está meios especiais para admissão no país, segundo fontes consultadas pela CNN.
Sob crescente pressão para intensificar seus esforços, funcionários do governo Biden consideram uma série de opções de ajuda aos refugiados, incluindo um caminho rápido para aqueles que fogem da invasão russa, bem como um processo especial de admissão nos EUA com base em motivos humanitários, de acordo com uma fonte familiarizada com as discussões.
As propostas podem ajudar centenas de ucranianos a fugir da violência no país. Mais de três milhões de refugiados fugiram da Ucrânia devastada pela guerra para países vizinhos desde o início da invasão russo em 24 de fevereiro.
Corte Internacional determina fim da invasão russa
A Corte Internacional de Justiça, em Haia, determinou na quarta-feira o fim das operações militares russas na Ucrânia. A recomendação foi obtida em uma votação de 13 votos favoráveis e 2 contrários.
O mesmo quórum também decidiu que a Rússia “não progrida com as operações militares referenciadas”. As medidas provisórias foram determinadas enquanto uma decisão final sobre o caso ainda segue sob análise.
Por unanimidade, todos os juízes concordaram que tanto a Rússia como a Ucrânia “não devem tomar nenhuma medida que agrava ou estenda a disputa perante a Corte, ou que a torne mais difícil de ser resolvida”. A Corte Internacional de Justiça é o principal braço judicial da Organização das Nações Unidas e é a principal entidade responsável por julgar e resolver conflitos entre países.
Biden anuncia US$ 800 milhões em ajuda militar à Ucrânia
Também na quarta, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que destinará mais auxílio para os ucranianos e afirmou que a guerra na Ucrânia nunca será uma vitória para Vladimir Putin.
Segundo Biden, os Estados Unidos destinarão mais US$ 800 milhões para a Ucrânia. O valor vem do enorme projeto de lei que o presidente sancionou na terça-feira (15), que inclui um total de US$ 13,6 bilhões em novas ajudas. A Casa Branca havia pedido um total de US$ 10 bilhões para assistência ao país do Leste Europeu. Porém, o Congresso conseguiu a aprovação do montante ainda maior.
Durante o pronunciamento, o presidente disse novamente que “a guerra na Ucrânia nunca será uma vitória para Putin“. “Nossos parceiros e aliados estão comprometidos a enviar mais equipamentos e ajuda à Ucrânia”, complementou. Ele também citou o discurso de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, ao Congresso americano nesta quarta, afirmando que foi “convincente e significativo”.
Ucrânia elabora lista solicitando itens de assistência
Os ucranianos elaboraram uma extensa lista de assistência militar e tecnológica solicitada que ainda estão pedindo para partilhar com o governo dos EUA. A lista está organizada com base em níveis de necessidade, desde necessidades urgentes a baixa prioridade, dizem as fontes.
Incluídos na seção de prioridade máxima estão: sistemas antiaéreos incluindo o S300 e foguetes e lançadores stinger, armas antitanque, incluindo dardos de fabricação americana, diferentes tipos de munições de artilharia, aviões, veículos blindados e helicópteros, segundo fontes.
A lista inclui também drones norte-americanos altamente avançados – chamados sistemas de navalhas de comutação – que podem ser pilotados remotamente e explodir alvos a quilômetros de distância.
Caça norte-americano F-35 / Harald Tittel/picture alliance via Getty Images
Eslováquia também vai enviar equipamentos de defesa
A Eslováquia concordou preliminarmente em fornecer à Ucrânia um importante sistema de defesa aérea da era soviética para ajudar na defesa contra ataques aéreos russos, de acordo com três fontes familiarizadas com o assunto.
Segundo duas das fontes, a Eslováquia – um dos três aliados da Otan que têm os sistemas de defesa em questão – quer garantias de que os sistemas serão substituídos imediatamente.
Casa Branca alerta para riscos da zona de exclusão aérea
Após o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, voltar a pedir por uma zona de exclusão aérea contra a Rússia, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que a medida não deve ser implementada por Joe Biden.
“Uma zona de exclusão aérea, para ser implementada, pediria que americanos potencialmente abatessem aeronaves russas, ou que a Otan abatesse aeronaves russas. E nós não queremos dar início à Terceira Guerra Mundial”, justificou.
A porta-voz chegou a afirmar que, diante da situação dos confrontos no território ucraniano, é compreensível Zelensky pedir “tudo que fosse possível”, no entanto “o presidente Biden vai tomar decisões de acordo com a nossa segurança nacional”, declarou.
Aumento de atividade naval no Mar Negro
Os Estados Unidos observaram um “aumento da atividade naval” de forças russas no norte do Mar Negro, segundo disse um alto funcionário da Defesa.
“Acreditamos que estes são novamente de navios de guerra russos no Mar Negro”, acrescentou o funcionário. “Parece haver bombardeios navais em lugares perto de Odessa.”
Em 25 de fevereiro, a Turquia declarou que não poderia impedir que navios de guerra russos acessem o Mar Negro através de seus estreitos, como a Ucrânia havia solicitado, devido a uma cláusula em um pacto internacional que permite que navios retornem à sua base, de acordo com o ministro das Relações Exteriores.
Prefeito de Melitopol é resgatado
De acordo com uma publicação de Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, as forças russas libertaram o prefeito da cidade ucraniana de Melitopol, Ivan Fedorov, que estava preso desde a última sexta-feira (11).
“O prefeito de Melitopol, Ivan Fedorov, foi libertado do cativeiro russo”, disse o chefe de gabinete da Presidência da Ucrânia. Segundo autoridades ucranianas, o prefeito foi sequestrado e mantido em cativeiro pelas forças russas.
O Ministério da Defesa ucraniano publicou um vídeo em que o presidente Zelensky conversa com Fedorov. “Nós não abandamos os nossos”, disse o presidente ucraniano ao prefeito que está agora em liberdade.
Cidade de Chernihiv tem 53 civis mortos em um dia, acusam autoridades
O governador da região de Chernihiv, na Ucrânia, disse que a cidade está “sofrendo grandes perdas” sob ataques sistemáticos das forças russas. “Ainda na quarta-feira (16), chegaram ao necrotério local 53 corpos de nossos cidadãos mortos pelo agressor russo”, relatou Vyacheslav Chaus, no Telegram.
Localizada próxima a Kiev e à fronteira russa, a cidade tem seu funcionamento ameaçado com os ataques: “o inimigo continua com artilharia e ataques aéreos sistemáticos em nosso centro regional, destruindo a infraestrutura civil”, completou.
A Rússia nega que esteja atacando alvos civis.
Casas são vistas queimando em Chernihiv, na Ucrânia / Maxar Technologies
EUA diz que não houve “avanço significativo” rumo a Kiev
Apesar das imagens de destruição em diversos pontos da Ucrânia, os Estados Unidos dizem as as forças russas “não fizeram nenhum avanço significativo” em direção à capital Kiev. A informação foi dada por um alto funcionário da Defesa norte-americana nesta quarta.
As tropas da Rússia a Leste da capital ainda estão a cerca de 30 quilômetros do centro da cidade, informou a autoridade.
“A conclusão é que eles não fizeram nenhum progresso significativo vindo para o Leste”, complementou.
Imagens de satélite mostram comboio de caminhões e veículos militares russos a sudeste de Ivankiv, na região de Kiev / Satellite image (c) 2022 Maxar Technologies
Facebook remove vídeo falso atribuído a Zelensky
A Meta, empresa dona do Facebook, removeu na quarta um vídeo ‘deepfake’, ou seja, não autêntico, do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, supostamente se rendendo à Rússia.
A falsificação tornou-se viral na quarta-feira, como foi notado anteriormente pela Motherboard do Vice. No vídeo, que a CNN Business analisou, Zelensky parece estar atrás de um pódio presidencial e em frente de um pano de fundo, ambos com o brasão de armas ucraniano.
Vestindo uma camisa verde, Zelensky fala em ucraniano, parecendo dizer aos ucranianos para baixarem as suas armas na guerra contra a Rússia, que dura há semanas.
Grupo resgatado andou 60 km no frio
Após a invasão russa na Ucrânia, o cientista farmacêutico brasileiro Rodolfo Caires deixou sua vida na Irlanda e foi até a fronteira entre Ucrânia e Polônia para ajudar refugiados que tentam deixar o país. “Tive essa ideia quando comecei a ver as cenas da guerra. As pessoas feridas, sem saber onde ir e sem itens de necessidade básica enquanto eu estava no conforto da minha casa”, ele explica.
Caires conta que ele e outros voluntários enchem um carro de mantimentos pela manhã, vão até a Ucrânia e, após distribuir o que compraram, fazem o transporte de quem estiver tentando sair do país até os abrigos humanitários na Polônia.
“Não fazemos distinção de pessoas, quem precisar a gente leva”, diz ele.
O grupo já resgatou mais de 33 pessoas, dentre elas uma família de brasileiros, que andou mais de 60 km a pé, no frio intenso do Leste Europeu, e não conseguiram atravessar a fronteira andando. “Nosso grupo conseguiu ajudá-los a sair depois, essa história foi muito marcante para mim.”
Prisioneiros de guerra russos expressam vergonha e mágoa
Em entrevista à CNN, três pilotos capturados por forças ucranianas condenaram as ações de Putin e questionaram os motivos da invasão.
“Quero dizer ao nosso comandante-chefe para parar os atos terroristas na Ucrânia, porque quando voltarmos, nos levantaremos contra ele.”
O presidente russo Vladimir Putin “deu ordens para cometer crimes. Não é apenas para desmilitarizar a Ucrânia ou derrotar as Forças Armadas da Ucrânia, mas agora cidades de civis pacíficos estão sendo destruídas”.
“Os crimes que cometemos; todos seremos julgados.”
Estas são as vozes dos prisioneiros de guerra russos agora detidos pela Ucrânia. Quase uma dúzia apareceu em coletivas de imprensa realizadas pelas autoridades ucranianas, apenas alguns dos 600 que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky diz terem sido capturados.
Hospital destruído por bombardeio russo em Mariupol / Reuters
Jornalista presa diz que “era impossível ficar calada”
A jornalista da televisão estatal russa que se posicionou contra a guerra do presidente Vladimir Putin na Ucrânia durante uma transmissão ao vivo na TV disse que era “impossível ficar em silêncio” e que ela quer que o mundo saiba que muitos russos são contra a invasão.
Marina Ovsyannikova disse a Christiane Amanpour, âncora da CNN, que muitos jornalistas russos veem uma desconexão entre a realidade e o que é apresentado nos canais de televisão do país, e que até sua mãe sofreu “lavagem cerebral” pela propaganda estatal.
“Tenho sentido uma dissonância cognitiva, cada vez mais, entre minhas crenças e o que dizemos no ar”, disse Ovsyannikova. “A guerra era o ponto sem volta, quando era simplesmente impossível ficar em silêncio.”
Na segunda-feira, a editora do “Channel One” apareceu atrás de uma âncora segurando uma placa que dizia: “sem guerra”.
Foguete russo atinge torre de TV em cidade ucraniana
Uma torre de TV em Vinnytsia, na região central da Ucrânia, foi atingida por foguetes russos, de acordo com um comunicado do serviço estatal de comunicações ucraniano. As instalações que fazem as transmissões na cidade foram derrubadas pelo ataque, segundo o um informe. Não há relatos de vítimas.
Uma equipe da CNN na área relatou ter ouvido aeronaves e duas explosões por volta das 4h, horário local – 23h no horário de Brasília de terça-feira (15).
O ataque contra a torre de comunicação é o mais recente de uma série de torres de comunicação que foram atingidas pelas forças russas, incluindo estruturas em Kiev, Kharkiv, Vynarivka e, mais recentemente, na cidade de Rivne, no noroestedo país.
Kremlin diz que Putin ainda está aberto a falar com Biden
O presidente russo, Vladimir Putin, não fala com o presidente norte-americano Joe Biden desde o início da guerra na Ucrânia, mas o contato entre os dois líderes pode ser retomado se necessário, disse o Kremlin na quarta-feira (16).
“Se necessário, os contatos [entre Biden e Putin] podem ser retomados”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em uma coletiva de imprensa. “Impor sanções a [altos funcionários dos EUA] não significa interromper os contatos”, acrescentou Peskov.
Na terça-feira (15), a Rússia sancionou altos funcionários dos EUA, incluindo Biden e o secretário de Estado Antony Blinken, em resposta às sanções dos Estados Unidos.
A Rússia anunciou na terça que colocou Biden, Blinken, e outros altos funcionários em uma “lista de impedimentos” que os proíbe de entrar no país.
Encontro entre Biden e Putin, em junho de 2021, em Geneva / Foto: Peter Klaunzer – Pool/Keystone via Getty Images
Países nórdicos temem ser os próximos da lista de Putin
A invasão em larga escala da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin fez mais para unificar a Europa Ocidental do que quase qualquer evento desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
As nações neutras forneceram armas aos ucranianos, governos que durante anos não cumpriram suas obrigações de gastos com defesa da Otan fizeram reviravoltas espetaculares, e países que tinham laços econômicos profundos com a Rússia foram mais longe em romper o vínculo do que qualquer um havia previsto seriamente há pouco mais de um mês.
A unidade quase sem precedentes do Ocidente em sanções, ação política e militar deixou muitos na Europa, apesar dos horrores da guerra de Putin, otimistas de que o continente emergirá melhor equipado para lidar com ameaças à segurança.
Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que nas três nações nórdicas que ficam na Península Escandinava: Noruega, Suécia e Finlândia.
O destino desses três países foi colocado em foco pela crise na Ucrânia devido ao relacionamento único entre eles, o resto da Europa e a Rússia.
Presidente russo, Vladimir Putin / Reuters
Fotos: as principais imagens da guerra
1 de 122
Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.