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Putin cita “bíblia” e “genocídio” para defender operação; em telefonema, Xi diz a Biden que guerra “não é de interesse”

O reconhecimento da Crimeia como território russo é uma das exigências de Putin para encerrar a guerra

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 18/03/2022
No mesmo dia em que o presidente chinês, Xi Jinping, disse ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em conversa por telefone, de que a guerra “não é de interesse de ninguém”, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participou nesta sexta-feira (18) de um evento para celebrar a anexação da Crimeia à Rússia, ocorrido em 2014. Em discurso para um público estimado de 100 mil pessoas no Estádio Luzhniki, em Moscou, o russo falou sobre a guerra em andamento e defendeu a operação citando “bíblia” e “genocídio”. “As pessoas da Crimeia e Sebastopol fizeram o certo [em 2014], colocando uma barreira enquanto o nazismo e nacionalismo extremo acontecia”, disse Putin. “Houve bombardeios, eles foram vítimas de ataques aéreos. Foi para tirar as pessoas desse sofrimento e do genocídio a principal razão da operação [de 2022] que começamos em Donbass”, completou o russo. Ele ainda disse que, segundo a bíblia, “não há amor maior do que alguém dar sua alma por seu amigo”. O reconhecimento da Crimeia como território russo é uma das exigências de Putin para encerrar a guerra. Os ataques ordenados por Putin à Ucrânia, que começaram em 24 de fevereiro, foram o motivo da conversa por telefone entre Biden e Xi, ocorrida às 9h03 (horário de Brasília) de hoje. Os Estados Unidos temem que a China possa fornecer à Rússia equipamentos militares para ajudar na invasão. Xi, no entanto, negou interesse no conflito. “As relações entre os Estados não podem chegar ao estágio de confronto militar. Conflito e confronto não são do interesse de ninguém. A paz e a segurança são os tesouros mais queridos da comunidade internacional”, afirmou o presidente chinês, segundo a CCTV. O telefonema foi o primeiro entre os dois líderes mundiais sobre o assunto.

Vídeo: Lutamos na Ucrânia contra o genocídio, diz Putin

Ataques

Também nesta sexta-feira, cidades ucranianas voltaram a registrar bombardeios. Mísseis atingiram a cidade de Lviv, a 70 quilômetros da fronteira com a Polônia, país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em Kiev, na capital, uma pessoa morreu após um incêndio em um prédio provocado por um míssil. Em uma postagem no Facebook, o prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi, disse que o local atingido era uma empresa de reparos de aeronaves. A operação foi interrompida devido à invasão russa, portanto, nenhum funcionário estava no local no momento do ataque.

Corredores humanitários

Nove corredores para retirar civis de cidades severamente atingidas por ataques russos foram acordados para esta sexta-feira, segundo o governo ucraniano. Pelo segundo dia consecutivo, um dos corredores acordados liga a cidade sitiada de Mariupol, no sudeste, a Zaporizhzhia, que permanece sob controle ucraniano. A vice-primeira-ministra Iryna Vereshchuk disse que havia planos para entregar ajuda humanitária às cidades de Balakleia e Izium, a sudeste de Kharkiv.

Vídeo: Tráfico de pessoas gera temor entre refugiados

Enviado especial da CNN à Ucrânia, Mathias Brotero, mostra reflexos da crise humanitária no Leste Europeu após a invasão russa à Ucrânia; mais de 3 milhões de pessoas já deixaram o país, com Polônia e Romênia como principais destinos. Só na Polônia, foi registrada a entrada de 2 milhões de refugiados.

Destaques das últimas 24 horas

Ilusões da Rússia sobre o Ocidente acabaram, diz Lavrov

Rússia “perdeu todas as ilusões” de depender do Ocidente e Moscou “nunca aceitará” uma visão do mundo dominada pelos Estados Unidos, que quer agir como um “xerife global”, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, nesta sexta-feira (18). As nações ocidentais impuseram sanções abrangentes nos setores financeiro e corporativo da Rússia em resposta à invasão da Ucrânia por Moscou em 24 de fevereiro, mergulhando a economia russa em sua crise mais grave desde a queda da União Soviética em 1991. Lavrov, ministro de Vladimir Putin desde 2004, disse que a reação do Ocidente ao que Moscou chamou de “operação militar especial” tinha ilustrado que o Ocidente era completamente dominado pelos Estados Unidos e que a União Europeia era em grande parte impotente. Ele acrescentou que muitos países como China, Índia e Brasil não queriam ser ordenados pelo “Tio Sam” agindo como um xerife.
Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Moscou / 15/02/2022 REUTERS/Shamil Zhumatov/Pool

O que significa para a Rússia dar calote em sua dívida externa

Rússia está caminhando para um default em seus pagamentos de dívida externa, ameaçando mergulhar sua economia ainda mais na crise. A inadimplência é um território obscuro na economia global, e a situação da Rússia é complicada por seu crescente isolamento sob as sanções sem precedentes impostas pelas potências ocidentais. Para esclarecer, a Rússia tem o dinheiro. Ela só não pode acessá-lo. Para aqueles de nós que dormiram durante a aula de Introdução à Macroeconomia na faculdade, vamos descompactar (aqui) exatamente o que queremos dizer quando falamos sobre esse histórico (e ainda potencial) calote russo.
Vendedor conta notas de rublos em mercado de Omsk, Rússia / Alexey Malgavko/Reuters

Kremlin eleva o tom contra os EUA

Em reação às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, contra o presidente russo, Vladimir Putino Kremlin elevou o tom nos últimos dias enquanto as tropas russas continuam com a invasão da Ucrânia desde 24 de fevereiro. Na quinta-feira (17), Biden voltou a falar sobre Putin e fez duras declarações contra o líder russo. Durante um almoço no Capitólio dos EUA, Biden chamou Putin de “ditador assassino, bandido completo, que está travando uma guerra imoral contra o povo da Ucrânia”. No dia anterior, o presidente americano já havia chamado o líder da Rússia de “criminoso de guerra”. Para o Kremlin, a fala de Biden é uma observação “imperdoável” de um líder de um país que matou civis durante conflitos em diversas partes do mundo. “Nosso presidente é uma figura internacional muito sábia, presciente, culta e chefe da Federação Russa, nosso chefe de Estado”, disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov. Peskov ainda classificou as falas de Biden como “absolutamente inadmissíveis e inaceitáveis”. “O principal é que o chefe de um estado que por muitos anos bombardeou pessoas em todo o mundo (…) o presidente de tal país não tem o direito de fazer tais declarações”, disse Peskov.
Visão geral do Kremlin, em Moscou, na Rússia
Visão geral do Kremlin, sede do governo russo, em Moscou / Getty Images
Drones invadem espaço aéreo da Otan Na semana passada, um drone voou mais de 560 quilômetros para além da fronteira ocidental da Ucrânia antes de quebrar na Croácia, um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O drone transportava uma bomba, disseram as autoridades croatas, e ainda não é claro se pertencia às forças ucranianas ou russas. Outro equipamento entrou recentemente no espaço aéreo da Romênia, ao sul da Ucrânia. E na terça-feira (15), os militares ucranianos disseram que abateram um drone russo que havia reentrado na Ucrânia através do espaço aéreo polaco. O trio de incidentes com drones aumentou as preocupações de que a guerra da Rússia na Ucrânia pudesse se alastrar aos países da Otan, mesmo que involuntariamente, forçando a aliança a decidir como responder a incidentes que ocorrem dentro das suas fronteiras.
Sede da Otan em Bruxelas, na Bélgica 21/10/2021 REUTERS/Pascal Rossignol

OMS diz que 12 pessoas morreram em ataques a hospitais

Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou ataques contra 43 hospitais na Ucrânia, atos que causaram 12 mortes e dezenas de feridos, incluindo profissionais da saúde. A informação foi divulgada pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom, ao Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira. “Em qualquer conflito, os ataques à saúde são uma violação do direito internacional humanitário”, disse Tedros ao conselho de 15 membros, sem especificar quem foi o culpado pelos ataques. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, condenou o ato e foi dura em suas críticas contra a Rússia. “A Rússia violou o direito internacional, violando a soberania e integridade territorial da Ucrânia. A tática brutal da Rússia matou civis, paramédico e jornalistas que mostravam a verdade sobre essa guerra. A Rússia atacou tudo que nos é sagrado e tudo que a ONU representa”, disse.

Invasão russa desperta preocupação em Taiwan

Mesmo antes da Rússia lançar seu ataque não provocado à Ucrânia no mês passado, os temores de que Pequim pudesse tomar Taiwan à força já aumentavam. Nos últimos meses, Pequim vem realizando exercícios de prontidão de combate perto da ilha, incluindo o voo regular de aeronaves militares para a zona de identificação de defesa aérea de Taiwan, bem como a realização de exercícios aéreos e navais conjuntos ao redor do Estreito de Taiwan, informou a mídia estatal chinesa. O governo da ilha também está procurando aumentar o tamanho de suas fileiras militares – com 160 mil membros em suas fileiras profissionais totalmente voluntárias, as forças armadas de Taiwan têm menos de um décimo do tamanho do Exército de Libertação Popular de Pequim, embora também tenham mais de 1 milhão de reservistas que poderiam convocar, se necessário.
Peças de xadres à frente das bandeiras da China e de Taiwan em foto de ilustração / Dado Ruvic/Reuters (25.jan.2022)

Sanções contra Rússia exigiram “coragem”, diz Biden

Em pronunciamento na noite de quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que as medidas aplicadas em sanção à Rússia pela invasão ao território ucraniano necessitaram de “coragem”. “Estamos apoiando não apenas as sanções econômicas, que têm um impacto gigantesco – e o que nós fizemos necessitou muita coragem e eu digo isso com toda a clareza”, disse. Biden discursou após o almoço anual dos Amigos da Irlanda no Capitólio.
Presidente dos EUA, Joe Biden / Saul Loeb/Pool via REUTERS

Blinken concorda que Rússia cometeu crimes de guerra

Também na quinta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou em pronunciamento que concorda com as declarações de Joe Biden de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é um “criminoso de guerra”. Blinken justificou a afirmação ao dizer que as forças russas continuam a atacar civis na Ucrânia. O secretário avaliou que “atirar intencionalmente em civis é um crime de guerra” e confirmou que especialistas americanos estão documentando e avaliando possíveis crimes de guerra na invasão russa à Ucrânia. “Vamos garantir que nossas descobertas ajudem os esforços internacionais para investigar crimes de guerra e responsabilizar os responsáveis”, disse ele. Blinken também confirmou que um cidadão americano foi morto na Ucrânia em meio à invasão russa. “Posso confirmar que um cidadão americano foi morto. Não tenho mais detalhes para vocês além disso”, pontuou.

Câmara dos EUA aprova projeto que trava comércio com russos

A Câmara dos EUA aprovou, por 424 a 8, um projeto de lei que suspende as relações comerciais normais com a Rússia e Belarus – o mais recente esforço dos legisladores dos norte-americanos para infligir dor econômica à Rússia por sua invasão à Ucrânia. Os republicanos Chip Roy do Texas, Tom Massie do Kentucky, Lauren Boebert do Colorado, Andy Biggs do Arizona, Matt Gaetz da Flórida, Dan Bishop da Carolina do Norte, Marjorie Taylor Greene da Geórgia e Glenn Grothman do Wisconsin votaram contra o projeto. O projeto segue agora para o Senado, onde deve ser aprovado na próxima semana.

Zelensky discursa para o Parlamento Alemão

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em discurso na quinta ao Parlamento da Alemanha, invocou a queda do Muro de Berlim para pedir ao chanceler alemão, Olaf Scholz, que derrube um muro entre a paz e o conflito na Europa. Zelensky descreveu um novo muro “no meio da Europa entre a liberdade e a falta de liberdade”, que ele disse que a Alemanha ajudou a construir, isolando a Ucrânia com seus laços comerciais com a Rússia e seu apoio anterior ao gasoduto Nord Stream 2.
Volodymyr Zelensky em transmissão com o Bundestag, Parlamento Alemão / Hannibal Hanschke/Getty Images

Erdogan diz que Turquia pode sediar encontro com Zelensky

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, ofereceu o país como local para um encontro entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para negociações, de acordo com seu gabinete. O fato aconteceu durante um telefonema entre Erdogan e Putin. Segundo um comunicado, o chefe de Estado turco disse ao russo que pode ser necessário um encontro entre os dois presidentes para se chegar a um acordo sobre determinadas questões, acrescentando que um cessar-fogo duradouro pode abrir caminho para uma solução de longo prazo.
Tayyip Erdogan, presidente da Turquia / 13/09/2019 REUTERS/Umit Bektas

Não há evidências de diminuição de ataques russos, dizem EUA

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse na quinta-feira que não há sinais de que a Rússia esteja “desescalando” o conflito na Ucrânia, mas que a invasão não está indo conforme o esperando pelas autoridades russas.

Reino Unido diz que invasão está estagnada

Apesar das declarações da Casa Branca, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou pelo Twitter na quarta que a invasão russa à Ucrânia está estagnada. “As forças russas fizeram progressos mínimos em terra, mar ou ar nos últimos dias e continuam sofrendo pesadas perdas”, disse o órgão, acrescentando que a resistência ucraniana continua forte. “A grande maioria do território ucraniano, incluindo todas as grandes cidades, permanece em mãos ucranianas.” Um relatório anterior de inteligência do ministério disse que a Rússia está recorrendo ao uso de armas mais antigas e menos precisas, menos eficazes militarmente e com maior probabilidade de resultar em baixas civis.
Veículo militar russo destruído em rua de Kharkiv / 28/02/2022 REUTERS/Vitaliy Gnidyi/File Photo

Ataques cibernéticos “sem precedentes”

Segundo a agência de notícias russa TASS, o governo russo está enfrentando uma forte onda de ataques cibernéticos em seus sites. O Ministério de Desenvolvimento Digital do país já está mobilizando esforços para filtrar o tráfego da internet estrangeira para evitar os danos dos ataques “sem precedentes”. Entre os alvos, estão portais de entidades governamentais da Rússia, empresas estatais, sites do Kremlin, da principal transportadora Aeroflot AFLT.MM e o principal credor Sberbank SBER.MM. Os sites estão passando por interrupções de sinal ou problemas de acesso temporário nas últimas semanas. Desde o início da guerra, diversas plataformas, como a Meta (dona do Facebook) e o Twitter, aplicaram sanções a agências de notícias estatais russas. O Google, por exemplo, não permitirá mais que os meios de comunicação estatais russos exibam anúncios, decisão também tomada pelo YouTube. Em resposta a essas medidas, a Rússia bloqueou o Twitter, o Facebook e o Instagram no país.

Resgate em teatro atingido em Mariupol continua

Ainda não há informações sobre possíveis mortes ou a condição dos sobreviventes depois que um teatro, que estava sendo usado como abrigo, foi atingido na cidade sitiada de Mariupol, na Ucrânia, na noite de quarta-feira (16). Acredita-se que cerca de 1.200 pessoas estavam abrigadas no teatro quando ele foi atingido pelo que autoridades ucranianas dizem ter sido um ataque aéreo russo. Os primeiros relatos do ex-chefe regional de Donetsk, Sergiy Taruta, na quinta-feira de manhã, eram que as pessoas estavam emergindo vivas dos escombros do prédio. Os comentários foram endossados por Liudmyla Denisova, comissária de direitos humanos do parlamento ucraniano.
Teatro foi destruído após bombardeio de tropas russas / Foto: Conselho de Mariupol via Telegram

Coluna de fumaça é vista após ataque em mercado

De acordo com autoridades ucranianas, um bombardeio russo atingiu um supermercado na região de Barabashova, em Kharkiv, cidade que fica no lado leste da Ucrânia. O ataque fez com que uma grande coluna de fumaça Vídeos mostram enormes nuvens de fumaça preta vindo de várias partes do mercado, sugerindo que o complexo sofreu vários ataques. O prefeito de Kharkiv anunciou que um socorrista que estava combatendo as chamas foi morto. O mercado atingido pelo incêndio é considerado um dos maiores do mundo, com uma área total de 300 mil metros quadrados, de acordo com uma publicação do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia.

Ex-presidente russo faz alerta aos EUA

A Rússia tem o poder de colocar os inimigos liderados pelos Estados Unidos em seu lugar e Moscou frustrará o plano ‘russofóbico’ do Ocidente de destruir a Rússia”, disse Dmitry Medvedev, um dos aliados mais próximos do presidente Vladimir Putin. Medvedev, que foi presidente da Rússia de 2008 a 2012 e agora é secretário adjunto do Conselho de Segurança do país, usou a rede social russa VK para afirmar que os Estados Unidos têm alimentado uma “repugnante russofobia” na tentativa de forçar a Rússia a se ajoelhar. Na postagem, Medvedev ainda classifica como “ficção” as penalidades aplicadas ao país: “estão sendo tomadas devido à incapacidade política do Ocidente interferir nos objetivos da Rússia.” Para o ex-presidente, a ameaça de sanções a cidadãos comuns russos com bens no exterior será respondida de forma simétrica.
Dmitry Medvedev durante entrevista na residência oficial de Gorki, nos arredores de Moscou / Yulia Zyryanova/Reuters

Putin diz que muitos russos se mostraram “traidores”

O Kremlin disse, na quinta-feira (17), que muitas pessoas na Rússia estavam se mostrando “traidoras”, e apontou para aqueles que estavam se demitindo de seus empregos e deixando o país. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fez os comentários um dia depois que o presidente Vladimir Putin fez um alerta severo aos “traidores” russos que ele disse que o Ocidente queria usar como uma “quinta coluna” para destruir o país. O líder do Kremlin atacou os russos que, segundo ele, estavam mais mentalmente em sintonia com o Ocidente do que a Rússia, e disse que o povo russo seria rapidamente capaz de dizer a diferença entre traidores e patriotas.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou / 02/03/2022 Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS

Sanções à Rússia têm ferido máquina de guerra, diz Otan

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, avaliou na quinta-feira que as sanções impostas pelos países ocidentais têm “ferido máquina de guerra” da Rússia na Ucrânia. As declarações foram feitas em Berlim, na Alemanha, onde Stoltenberg teve um encontro com o premiê Olaf Scholz. Stoltenberg agradeceu os esforços de Scholz para encontrar uma solução diplomática para a guerra, incluindo contatos diretos com Putin — que deve “recolher suas forças e se engajar em diplomacia e boa-fé”, disse o secretário.

Forçar ucranianos a fugir é parte do plano brutal, diz Ucrânia

O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, discursou no Conselho de Segurança da entidade e condenou o ataque de forças russas a crianças e civis. Kyslytsya disse que forçar os ucranianos a fugirem de seus lares “é parte do plano brutal da Rússia”. “Russos invadem casas, jogam as pessoas nas ruas, tomam seus alimentos. Houve relatos de torturas e sequestros. Os russos forçam os ucranianos a fugirem de seus lares, que é parte desse plano brutal”, disse. “O plano de Putin não se restringe a mortes de mulheres e crianças; civis também estão sendo ameaçado: são 126 mortes de civis já confirmadas, mas acreditamos que o número seja muito maior e com certeza é”, acrescentou o embaixador ucraniano.

“Não tenho nada, mas os cães estão a salvo”, diz ucraniana

Quando a guerra chegou até a cidade de Irpin, a ucraniana Anastasia e seu marido decidiram fugir levando seus 19 cães, gatos e um hamster. À CNN, a mulher contou que sempre gostou e teve cães a vida toda, por isso não houve dúvidas de que os animais de estimação deveriam acompanhá-los na fuga a pé para Kiev. “Havia dois cães em suas cadeiras de rodas. Outro, sem patas traseiras, não queria andar de cadeira de rodas. Ele viajou parte do caminho em meus braços e parte do caminho andou em seus tocos”, disse ela à CNN. “Eu só conseguia pensar que eram os cães que me faziam continuar e não tinha certeza se poderia reduzir o ritmo e parar em frente ao rio. Quase todos os cães são grandes, com mais de 10 quilos.” No início, os cães ficaram assustados com as grandes multidões e tentaram voltar para casa, relata Anastasia. Mas a ucraniana acrescentou que os animais não estão mais com medo dos sons da guerra, tendo se acostumado com o barulho constante de bombardeios e explosões.
Um cachorro e uma mala são vistos enquanto civis deixam a cidade de Irpin, na Ucrânia. Imagem ilustrativa / NurPhoto via Getty Images

Schwarzenegger aos russos contra guerra: “vocês são heróis”

O ator e ex-governador do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger, publicou um vídeo em suas redes sociais no qual enviou mensagens para diversos personagens da guerra na Ucrânia. Ele aparece em um escritório e, em nove minutos, endereçou recados para o povo russo, os soldados em combate no exército russo, manifestantes e para Vladimir Putin, presidente da Rússia. Ao falar sobre os manifestantes que realizam protestos em cidades russas contra a invasão da Ucrânia, o ator disse que eram “seus novos heróis”.
É uma crise humanitária. (…) A destruição das bombas russas que estão chovendo estão atingindo civis inocentes está enfurecendo tanto o mundo que as sanções econômicas mais duras globais já feitas foram impostas ao seu país. Aqueles que não merecem, dos dois lados da guerra, sofrerão Arnold Schwarzenegger

Brasileiro conta à CNN como resgatou familiares na Ucrânia

Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, pelo menos 3 milhões de pessoas deixaram o país, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentre a multidão de refugiados, quatro deles são familiares do engenheiro elétrico brasileiro Daniel Duarte, que falou à CNN sobre o resgate. Casado desde 2014 com uma ucraniana, Daniel mora na Bélgica. No dia em que começou a guerra, em 24 de fevereiro, o brasileiro estava em uma viagem de trabalho na Itália. O combinado era que Daniel encontraria sua família na Polônia. Ainda na Ucrânia, a família conseguiu pegar o primeiro trem disponibilizado para pessoas que tentavam deixar o país. “Totalmente cheio de crianças e mulheres. Normalmente, um assento é uma cama retrátil e nesse assento, em cada um, tinha sete, oito pessoas. O trem totalmente cheio”, relata o engenheiro. O encontro ocorreu no sábado, quando o engenheiro conseguiu chegar à Polônia, em uma longa viagem de carro, levando mantimentos para a família.

Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?

A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. “É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
  • ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões Rússia: US$ 45,3 bilhões
  • TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados Rússia: 840 mil soldados
  • AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170 Rússia: 1.212
  • HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170 Rússia: 997
  • TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302 Rússia: 3.601
  • ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555 Rússia: 5.613

Resumo para entender o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país. O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência). O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev. Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.
Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos. A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país. Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito. A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou. A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.