Forças ucranianas recuperam controle de cidade próxima a Kiev; capital tem toque de recolher
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN22/03/2022
Foto: CNN
As forças ucranianas recuperaram nesta terça-feira (22) o controle da cidade de Makariv, a 48 quilômetros da capital, Kiev, após dias de combates, informaram através das redes sociais as Forças Armadas da Ucrânia. Makariv havia sofrido danos significativos de ataques aéreos russos nos últimos dias. Enquanto isso, Kiev entra hoje em mais um dia de toque de recolher, já que autoridades esperam por novos ataques dos russos. Acompanhe ao vivo acima a programação da CNN.
A “bandeira do estado da Ucrânia foi hasteada sobre a cidade de Makariv” quando os russos recuaram, informou as Forças Armadas da Ucrânia através das redes sociais. A CNN não pôde confirmar de maneira independente a alegação.
A guerra entre russos e ucranianos está perto de completar um mês. Os russos dominaram cidades de regiões separatistas e cercaram a capital. Negociações entre as delegações têm conseguido pouco avanço.
Sobre o toque de recolher, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, disse que a medida terá duração até as 7 horas de quarta-feira (23). O horário de Kiev está cinco horas à frente do de Brasília.
“Lojas, farmácias, postos de gasolina, instituições não vão funcionar amanhã [terça-feira]”, disse. “Por isso, peço a todos que fiquem em casa ou em abrigos ao som de um alarme. Somente aqueles com permissão especial poderão circular pela cidade”, acrescentou.
Até segunda-feira (21), 925 civis foram mortos na Ucrânia desde o início da invasão russa, de acordo com uma atualização do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Zelensky: queremos restaurar a Ucrânia com a Europa
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursou ao Parlamento italiano nesta terça-feira (22) e destacou que o país quer “restaurar a paz junto a Itália, com a Europa e a União Europeia“.
Em suas declarações, Zelensky ressaltou o pedido por mais pressão e mais sanções contra a Rússia, uma solicitação feita nas vezes que se dirigiu aos parlamentares dos países aos quais discursou.
“Parem as mortes, ajudem as famílias ucranianas, precisamos voltar à paz. Precisamos que as tropas saiam da Ucrânia. Precisamos tirar as minas da Ucrânia e restaurar o país com vocês, Itália, Europa, União Europeia”, declarou.
Ucranianos chegaram assustados ao Brasil, diz diretora de associação de acolhida
A diretora executiva da Associação Batista de Ação Social (ABASC), Martha Zimermann de Morais, disse, em entrevista à CNN Rádio, que os ucranianos que fugiram da guerra chegaram ao Brasil “muito assustados.”
O primeiro grupo de cidadãos da Ucrânia chegou no último dia 18 em Curitiba, no Paraná, com 17 crianças e adolescentes, dois homens e dez mulheres.
“Eles chegaram muito assustados, me ponho no lugar, chegam com língua estranha, alimentação e cultura diferentes. Foi um momento de silêncio deles, percebemos realmente assustados”, contou.
Ucranianos refugiados da guerra buscam um novo começo no Brasil / Reprodução/CNN
Otan “nunca esteve tão forte e unida”, diz Biden
Após participar de uma reunião com empresários para tratar sobre petróleo e preços dos combustíveis, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um pronunciamento em que comentou sobre a atual situação da guerra na Ucrânia.
Na avaliação do presidente norte-americano, a invasão russa não tomou proporções maiores do que as atuais devido à união dos países ocidentais em torno da Otan. Biden pontuou que conhece Vladimir Putin “muito bem”, e disse que o presidente russo não contava com a unidade da aliança militar.
“Ele [Putin] estava contando que a Otan ficaria separada, ele nunca contou com essa união, e posso garantir que a Otan nunca esteve tão forte e tão unida em toda a sua história, e em grande parte por conta de Putin”, afirmou.
“Seja inteligente e saia da cidade se puder”, diz prefeito ucraniano de Boryspil
Enquanto as forças ucranianas comemoram o que dizem ser a recaptura de uma cidade a oeste de Kiev, o prefeito de uma cidade a leste da capital está pedindo aos moradores que saiam.
Volodymyr Borysenko disse em um vídeo que havia combates na região de Kiev, onde Boryspil está localizada.
“Não há necessidade de estar na cidade agora, pois já há combates acontecendo na área ao redor. Convido a população civil a ser inteligente, entrar em contato com nosso call center e sair da cidade assim que surgir uma oportunidade,” afirmou.
Ucranianos que fugiram de guerra aguardam para embarcar em ônibus próximo à fronteira com a Polônia / Getty Images
Pouco avanço nas negociações
O Kremlin afirmou na segunda-feira que as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia ainda não renderam um avanço significativo para gerar um encontro entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.
Apesar disso, novos corredores humanitários foram acordados entre russos e ucranianos para esta segunda, mas Mariupol ficou de fora da lista, disse a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk.
Aliados da Ucrânia, países ocidentais reunidos principalmente na Otan ainda tentam entender qual é o real status das negociações entre os países. Líderes dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Reino Unido irão conversar virtualmente nesta segunda.
O presidente norte-americano, Joe Biden, informou que viajará à Polônia na próxima sexta-feira (25) para reunião com o líder polonês Andrzej Duda sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Visão geral do Kremlin, sede do governo russo, em Moscou / Getty Images
Mais de 3,5 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia desde início da guerra
Cerca de 3,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, informou a agência nas Nações Unidas para refugiados, o Acnur, nesta terça-feira (22). O número exato divulgado pela organização foi de 3.528,346.
Deste total, mais de 2 milhões teriam se deslocado para a Polônia, país destino da maioria dos refugiados da guerra.
A quantidade de civis deslocados em decorrência da guerra é ainda maior, e se somam aos que deixaram o país. A agência de migração da ONU disse que quase 6,5 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da Ucrânia como resultado direto da guerra, superando suas piores previsões.
Refugiados da Ucrânia chegam à Polônia / Christoph Reichwein/picture alliance via Getty Images
Vídeo: Russos enfrentam dificuldade real no campo da guerra, diz cientista político
Ao menos oito civis morrem em ataque a shopping de Kiev
Pelo menos oito pessoas foram mortas em um ataque russo a um shopping center no distrito de Podilskyi, em Kiev, segundo o procurador-geral ucraniano.
Segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia no final do domingo, 63 bombeiros trabalharam para extinguir as chamas que atingiram o terceiro e quarto andares do prédio.
“Como consequência do ataque de mísseis inimigos e do incêndio resultante, um shopping center foi destruído, as janelas dos prédios residenciais próximos e os veículos estacionados nas proximidades foram danificados”, disse o procurador-geral em um post em seu canal no Telegram.
“Bombas caem a cada dez minutos”, diz oficial em Mariupol
A cidade de Mariupol foi alvo de diversos ataques na madrugada de segunda-feira, informaram forças ucranianas locais à CNN.
“Bombas estão caindo a cada dez minutos. Navios de guerra da Marinha russa estão bombardeando. Ontem, os soldados desarmaram quatro tanques, [assim como] veículos blindados e tropas. Ainda precisamos de munição, armas antitanque e defesa aérea”, disse o capitão Svyatoslav Palamar, do Regimento da Guarda Nacional Azov, em Mariupol.
Palamar disse que ele e seus companheiros não se renderiam em Mariupol. O prazo emitido pela Rússia para que as autoridades de Mariupol entregassem a cidade passou às 5h de Moscou (23h de domingo, pelo horário de Brasília), com os ucranianos rejeitando o ultimato.
Comboio de ônibus saindo de Mariupol, destruída por ataques / Imagem de satélite/Maxar Technologies
Veja imagens do teatro destruído em Mariupol:
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De acordo com autoridades ucranianas, Teatro de Mariupol estava sendo usado como abrigo para civis
Crédito: Divulgação/Câmara Municipal de Mariupol
Crítico de Putin, Alexei Navalny é considerado culpado em acusação de fraude
Um tribunal russo considerou Alexei Navalny, notório crítico do Kremlin, culpado de fraude em larga escala na terça-feira (22), uma medida que provavelmente fará com que o tempo que o ativista passa na prisão seja estendido por anos.
Navalny já está cumprindo uma sentença de dois anos e meio em um campo de prisioneiros a leste de Moscou por violações de liberdade condicional relacionadas a acusações que ele diz terem sido fabricadas para frustrar suas ambições políticas.
Com a decisão, Navalny pode ter até 13 anos de pena acrescidos a sua sentença.
Bombardeio mata 21 pessoas de equipes de resgate, diz Ucrânia
Autoridades ucranianas informam que 21 pessoas de equipes de resgate da Ucrânia foram mortas e 47 ficaram feridas devido a bombardeios de tropas russas.
“De acordo com a Convenção de Genebra, bombardeios ou outras ameaças aos socorristas durante operações de resgate são considerados crimes de guerra. Registramos todos esses casos, e os órgãos competentes farão uma avaliação legal de tais ações e identificarão os responsáveis”, disse o vice chefe do Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia, Roman Prymush.
Ele observou que a detenção de socorristas pelas forças russas também é uma violação da Convenção de Genebra. Prymush acrescentou que os atos serão objeto de processos em tribunais internacionais, que já estão em andamento.
Regiões da Ucrânia que registraram bombardeios da Rússia
Forças ucranianas e internacionais acreditavam que a Rússia atacaria apenas regiões próximas à fronteira entre os dois países. No entanto, foram registrados bombardeios em diferentes regiões
“Só novas sanções podem parar a Rússia”, diz premiê tcheco
“O presidente russo, Vladimir Putin, está cometendo crimes de guerra na Ucrânia e mais sanções são a única maneira de detê-lo”, disse o primeiro-ministro tcheco Petr Fiala na segunda-feira em postagem no Twitter.
“O exército russo devastou Mariupol, na Ucrânia. O mundo inteiro vê que pessoas inocentes estão morrendo por causa dessa guerra”, escreveu Fiala. “Devemos continuar pressionando por uma abordagem clara e unida à Rússia e mais sanções, é a única maneira de deter Putin”, concluiu.
O Ocidente tem aplicado sanções à Rússia e a cidadãos do país próximos a Vladimir Putin nas últimas semanas. Apesar de já impactar a população russa, as medidas não têm sido eficazes no propósito de frear a ofensiva russa.
Veja imagens da destruição na Ucrânia:
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Imagens foram captadas por satélite nesta quarta-feira (16)
Crédito: Maxar Technologies
Países podem ceder defesa aérea à Ucrânia, diz Pentágono
Os Estados Unidos estão em “discussões contínuas” com outras nações para fornecer à Ucrânia “os tipos de capacidades de defesa para incluir defesas aéreas de longo alcance, que sabemos que eles estão confortáveis em usar”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, durante um pronunciamento na segunda-feira.
O secretário de Defesa, Lloyd Austin, visitou a Eslováquia e a Bulgária na semana passada após participar da Reunião Ministerial de Defesa da Otan em Bruxelas.
A CNN informou anteriormente que os EUA estavam em discussões com a Eslováquia para fornecimento de armas de defesa aérea S-300 para a Ucrânia em troca de algo para preencher seu suprimento. Nenhum acordo foi anunciado entre a Eslováquia e os EUA até o momento.
John Kirby, porta-voz do Pentágono / Anadolu Agency via Getty Images
EUA restringem vistos de funcionários chineses
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou na segunda-feira a restrição dos vistos de funcionários chineses por assédio e repressão contra dissidentes e defensores dos direitos humanos dentro e fora da China.
“Os perpetradores de violações dos direitos humanos devem continuar a enfrentar as consequências. Os Estados Unidos tomaram medidas para impor restrições de visto a funcionários da RPC [República Popular da China] por tentarem intimidar, assediar e reprimir dissidentes e defensores dos direitos humanos dentro e fora da China”, afirmou Blinken pelas redes sociais.
Biden pede reforço contra possíveis ataques cibernéticos
O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu os parceiros do setor privado “que endureçam suas defesas cibernéticas imediatamente”, apontando para “evolução em inteligência” e indicando “o potencial de que a Rússia pode realizar atividades cibernéticas maliciosas contra os Estados Unidos”.
Embora tenha prometido que seu governo “continuará a usar todas as ferramentas para impedir, interromper e, se necessário, responder a ataques cibernéticos contra infraestrutura crítica”, o presidente reconheceu em comunicado que “o governo federal não pode se defender contra essa ameaça sozinho”.
“A maior parte da infraestrutura crítica da América pertence e é operada pelo setor privado, e os proprietários e operadores de infraestrutura crítica devem acelerar os esforços para trancar suas portas digitais.
Presidente dos EUA, Joe Biden / REUTERS/Jonathan Ernst
Rota da Guerra Fria, com voos sobre o Polo Norte, é recriada
O fechamento do espaço aéreo russo para algumas empresas aéreas internacionais, incluindo muitas na Europa, forçou as companhias a procurar rotas alternativas. Para alguns voos, como os que ligam a Europa e o Sudeste Asiático, isso é especialmente problemático, já que a Rússia, o maior país do mundo, fica diretamente no meio.
O problema é melhor ilustrado pelo voo da Finnair de Helsinque para Tóquio. Antes da invasão da Ucrânia, aviões da empresa da Finlândia decolavam e se dirigiam rapidamente para o espaço aéreo da vizinha Rússia, cruzando mais de 4,8 mil quilômetros.
Eles então entravam no espaço aéreo da China, perto da fronteira norte com a Mongólia, voavam em seu espaço aéreo por cerca de 1,6 mil quilômetros, antes de entrar na Rússia novamente ao norte de Vladivostok. Finalmente, atravessavam o Mar do Japão e viravam para o Sul em direção ao Aeroporto de Narita.
Rota sobre o Polo Norte voltou a ser utilizada por empresas que evitam o espaço aéreo da Rússia; um exemplo são os voos da A Finnair que têm países asiáticos como destino / Divulgação/Finnair
Mudança geopolítica é veloz, diz professor
A guerra na Ucrânia tem promovido mudanças geopolíticas na velocidade “de motor de Ferrari”, na avaliação do professor de Relações Internacionais da Unifesp, José Alexandre Altahyde Hage.
Em entrevista à CNN Rádio, ele explicou: “A geopolítica já está mudando desde o final da Guerra Fria, com a ascensão da China como grande potência. São 20, 30 anos que a geopolítica muda, mas a comunidade não estava esperando mudança tão dramática, como a causada pela guerra da Ucrânia.”
Para o professor, as sanções impostas à Rússia podem surtir efeito, mas há meios de o presidente Vladimir Putin burlar as pressões. “Há um termo na geopolítica que é o poder de manobra. Ela é a possibilidade de uma grande potência de sobressair a essas pressões das sanções, ela funciona a partir das reservas econômicas e naturais que o país tem”, disse.
Tropas da Otan fazem exercícios na Noruega. Foto:Anadolu Agency via Getty Images) / Anadolu Agency via Getty Images
Atravessar a fronteira é sempre um alívio, diz voluntário
Voluntário da Frente BrazUcra, Alysson Vitali atua na fronteira entre Polônia e Ucrânia para ajudar os refugiados. Em entrevista à CNN Rádio, ele relatou que há “estrutura fenomenal” para recebê-los: “há acomodação, alimentos, remédios.”
“Atravessar a fronteira [para fora da Ucrânia] é um alívio, pelo menos para nós. Tomamos os cuidados, a atenção é redobrada, mas tentamos ficar os mais calmos possíveis, para entrar e fazer o trabalho”, relatou.
Alysson, que havia acabado de cruzar a fronteira, acredita que o ritmo de travessia sofreu redução: “O fluxo tem sido menor do que no princípio do conflito. Há calmaria, por mais que haja ataques.”
Refugiados da Ucrânia chegando à Polônia no dia 20 de março / Christoph Reichwein/picture alliance via Getty Images
Além de Rússia e Ucrânia: as outras guerras ativas no mundo
Quando o mundo parecia começar a emergir da pandemia de Covid-19, a escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia teve o pior desfecho: a invasão russa e o surgimento de um novo conflito armado no coração da Europa, o que se soma às guerras ativas no mundo.
As imagens de tanques e veículos blindados agora avançando pela Ucrânia, de soldados montando trincheiras defensivas e de aviões e mísseis bombardeando cidades enquanto civis tentam escapar da guerra, trazem de volta memórias de guerras passadas. Mas a Ucrânia não é o único conflito armado no mundo hoje. Veja a lista.
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.