Rússia não quer ocupar Ucrânia, mas acabar com os nazistas, diz porta-voz do Kremlin à CNN
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN22/03/2022
Foto: CNN
Em entrevista à âncora Christiane Amanpour, da CNN, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os objetivos da Rússia seguem os mesmos desde o início da operação: desmilitarizar e neutralizar a Ucrânia, se livrar de batalhões neonazistas e o reconhecimento dos territórios independentes no país vizinho.
“Ninguém tem raiva da Ucrânia nem dos ucranianos, apenas daqueles proíbem que se fale russo, dos que carregam símbolos nazistas nas ruas, dessas pessoas que querem a Otan ameaçando a Rússia”, afirmou Peskov. Sobre as ameaças de Vladimir Putin usar armas nucleares, Peskov descartou, a princípio: “caso haja uma ameaça existencial à Rússia, então isso pode ser uma consequência, não há outras razoes mencionadas nesse texto.”
Durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, afirmou que grupos nazistas atiram propositalmente em ucranianos que tentam fugir do país. A narrativa foi repetida na entrevista de Peskov à CNN, que quando questionado sobre os constantes ataques à cidade de Mariupol, negou mais uma vez os ataques a civis e acusou tropas nacionalistas ucranianas de impedir a fuga dos moradores. Acompanhe no vídeo acima a cobertura ao vivo da CNN sobre a guerra.
Confira a íntegra da entrevista com o porta-voz russo:
Falta de alimentos na Ucrânia
De acordo com informações da agência de socorro Mercy Corps, algumas cidades na Ucrânia não têm mais do que três ou quatro dias de comida. A instituição alerta que o sistema humanitário no país “está totalmente quebrado”.
Segundo o representante da instituição, Steve Gordon, pequenas organizações da sociedade civil ucraniana ajudam áreas onde os corredores humanitários fracassaram. Pelo menos 70% da população de Kharkiv e Sumy depende inteiramente da ajuda, estimou Gordon.
“Uma das nossas maiores preocupações no momento é a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Sabemos que a maioria dos municípios em áreas onde os combates mais intensos não têm mais do que três a quatro dias de itens essenciais, como alimentos”, disse o representante.
Várias explosões foram ouvidas em Kiev, capital ucraniana, nesta terça-feira (22), enquanto a cidade passa por um toque de recolher. Uma equipe da CNN testemunhou uma das explosões, que foi tão forte que chegou a disparar o alarme de alguns carros
Segundo o assessor do Ministério do Interior, Anton Gerashchenko, defesas aéreas ucranianas destruíram um míssil russo e os destroços caíram no rio Dnieper, que divide Kiev.
Sobre o toque de recolher, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, disse que a medida terá duração até as 7h de quarta-feira (23). O horário de Kiev está cinco horas à frente do de Brasília.
Até segunda-feira (21), 925 civis foram mortos na Ucrânia desde o início da invasão russa, de acordo com uma atualização do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Veja imagens de ataque que destruiu shopping e deixou oito mortos na capital ucraniana:
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Vista aérea de shopping destruído em Kiev, Ucrânia, após ataque aéreo russo
Crédito: Emin Sansar/Anadolu Agency via Getty Images
Mais de 100 mil civis não conseguem fugir de Mariupol
A vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, disse nesta terça-feira que pelo menos 100 mil civis queriam fugir de Mariupol, no sul da Ucrânia, mas não conseguiram devido à falta de corredores humanitários para sair da cidade portuária sitiada.
Segundo ela, o bombardeio das forças russas também impediu que equipes de resgate acessassem um teatro bombardeado em Mariupol, onde autoridades da cidade dizem que centenas estariam abrigados no subsolo quando foi atingido por um ataque aéreo na semana passada.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a cidade “está sendo reduzida a cinzas”, mas que “sobreviverá.” Um oficial ucraniano afirmou que a cidade segue sob pesado bombardeio russo: “bombas caem a cada dez minutos.”Civis tentam deixar Mariupol, uma das cidades mais atingidas pela Rússia na Ucrânia / Foto: Anadolu Agency via Getty Images
Cerca de 500 mil refugiados precisam de apoio para saúde mental
Cerca de meio milhão de refugiados que fugiram da guerra na Ucrânia para a Polônia precisam de apoio para problemas de saúde mental e estima-se que 30 mil tenham graves problemas, afirmou nesta terça-feira a representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Polônia, Paloma Cuchi.
A OMS disse que sua avaliação é baseada em estimativas de condições de saúde mental após conflitos armados.
Segundo a organização, além do sofrimento mental e emocional, os principais problemas enfrentados pelos refugiados da Ucrânia em centros de acolhimento incluem febre, diarreia, hipotermia, infecções do trato respiratório superior e parada cardíaca.
Zelensky: queremos restaurar a Ucrânia com a Europa
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursou ao Parlamento italiano nesta terça-feira e destacou que o país quer “restaurar a paz junto a Itália, com a Europa e a União Europeia“.
Em suas declarações, Zelensky ressaltou o pedido por mais pressão e mais sanções contra a Rússia, uma solicitação feita nas vezes que se dirigiu aos parlamentares dos países aos quais discursou.
“Parem as mortes, ajudem as famílias ucranianas, precisamos voltar à paz. Precisamos que as tropas saiam da Ucrânia. Precisamos tirar as minas da Ucrânia e restaurar o país com vocês, Itália, Europa, União Europeia”, declarou.
Ucranianos vivem “inferno”, diz secretário-geral da ONU
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez declarações nesta terça-feira (22) classificando o que os ucranianos vivem como “inferno” e condenando novamente os ataques russos à Ucrânia.
“Os ucranianos estão vivendo um inferno, além de sofrer com problemas que se agravam em relação aos preços e à falta de alimentos que podem acontecer num futuro próximo”, disse Guterres em Nova York, nos Estados Unidos.
Para o secretário, apesar de a Rússia agora pagar “um preço alto” pela invasão –devido aos impactos econômicos das sanções impostas por países e empresas ocidentais–, é necessário que a guerra saia “do campo de batalha para a mesa de discussões” neste momento, avaliou.
Míssil atingiu estação de trem e deixou um morto
Um míssil russo atingiu e destruiu a estação de trem Pavlohrad-2 em Pavlohrad, Dnipropetrovsk, na Ucrânia diz Valentin Reznichenko, chefe regional de guerra e administração civil.
O ataque russo matou uma pessoa, descarrilou 15 vagões e destruiu um trecho da pista, disse Reznichenko. As operações da estação foram suspensas indefinidamente, acrescentou.
Pavlohrad é uma importante encruzilhada para o sistema ferroviário da Ucrânia. É um centro ferroviário de carga e ligação de transporte para várias regiões do leste que são linhas de frente ativas na guerra da Rússia com a Ucrânia.
Ucranianos chegaram assustados ao Brasil
A diretora executiva da Associação Batista de Ação Social (ABASC), Martha Zimermann de Morais, disse, em entrevista à CNN Rádio, que os ucranianos que fugiram da guerra chegaram ao Brasil “muito assustados”.
O primeiro grupo de cidadãos da Ucrânia chegou na última sexta-feira (18) em Curitiba, no Paraná, com 17 crianças e adolescentes, dois homens e dez mulheres. “Eles chegaram muito assustados, me ponho no lugar, chegam com língua estranha, alimentação e cultura diferentes. Foi um momento de silêncio deles, percebemos realmente assustados”, contou.
De acordo com dados da Polícia Federal, mais de 1.100 ucranianos desembarcaram no Brasil desde o início da guerra, em 24 de fevereiro. Destes, 13 receberam a concessão de visto humanitário, um está classificado como refugiado e outro pediu refúgio.
Nos últimos dias do mês passado, foram 160 ucranianos que deram entrada no território brasileiro. Em março, até o dia 21, foram 944 pessoas, totalizando 1.104 desde começo da invasão russa. Os que entraram no Brasil com visto para turismo totalizam 221 entre as datas em questão.
Ucranianos refugiados da guerra buscam um novo começo no Brasil / Reprodução/CNN
França se prepara para receber 100 mil refugiados ucranianos
A França apresentou um plano nacional para preparar moradia para pelo menos 100 mil refugiados ucranianos, disse o primeiro-ministro francês, Jean Castex, a repórteres nesta terça-feira. “Cada vez mais ucranianos estão encontrando refúgio na França ou transitando por nosso território”, disse Castex, após uma reunião interdepartamental de crise sobre o assunto.
Mais de 26 mil refugiados ucranianos chegaram à França desde o início da guerra, segundo o primeiro-ministro. Entre eles, 10.500 obtiveram residência temporária prevista na política de proteção temporária da UE, ativada em 3 de março.
O primeiro-ministro francês também prometeu ajudar os refugiados ucranianos a se integrarem melhor ao mercado de trabalho da França, com aulas de francês oferecidas na agência de emprego do país.
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Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na Polônia
Crédito: Sean Gallup/Getty Images
Belarus pode entrar em guerra na Ucrânia “em breve”
Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acreditam que Belarus poderia “em breve” se juntar à Rússia em sua guerra contra a Ucrânia e que o país já está tomando medidas para fazê-lo, disseram funcionários americanos e da aliança à CNN.
É cada vez mais “provável” que Belarus entre no conflito, disse um oficial militar da Otan na segunda-feira. “Putin precisa de apoio. Qualquer coisa ajudaria”, explicou o funcionário.
Uma fonte da oposição belarussa disse que as unidades de combate estão prontas para entrar na Ucrânia nos próximos dias, com milhares de forças preparadas para serem mobilizadas.
Putin e Lukashenko em imagem de arquivo de setembro de 2021 / Reuters
“Seja inteligente e saia da cidade se puder”, diz prefeito ucraniano de Boryspil
Enquanto as forças ucranianas comemoram o que dizem ser a recaptura de uma cidade a oeste de Kiev, o prefeito de uma cidade a leste da capital está pedindo aos moradores que saiam.
Volodymyr Borysenko disse em um vídeo que havia combates na região de Kiev, onde Boryspil está localizada.
“Não há necessidade de estar na cidade agora, pois já há combates acontecendo na área ao redor. Convido a população civil a ser inteligente, entrar em contato com nosso call center e sair da cidade assim que surgir uma oportunidade,” afirmou.
Ucranianos que fugiram de guerra aguardam para embarcar em ônibus próximo à fronteira com a Polônia / Getty Images
Zelensky conversou com papa sobre guerra na Ucrânia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o papa Francisco conversaram por telefone na terça-feira (22) sobre a guerra, disse Zelensky a parlamentares italianos. “Hoje falei com Sua Santidade o Papa Francisco, e ele disse palavras muito importantes: ‘Eu entendo que você quer a paz. Eu entendo que você tem que se defender, que os soldados defendem os civis, eles defendem sua pátria”, disse o ucraniano em um discurso ao Parlamento italiano.
“E eu respondi: ‘Nosso povo se tornou o exército, quando viu quanta maldade o inimigo traz, quanta devastação traz e quanto derramamento de sangue a Rússia quer ver’”, disse o presidente.
Segundo Zelensky, 117 crianças foram mortas até agora durante a guerra, chamando isso de “o preço da procrastinação” de outros países para parar a guerra.
Papa Francisco / 26/01/2022 REUTERS/Remo Casilli
Rússia pode ganhar guerra a qualquer momento com poderio “sem freio”, diz professor
Desde o início da invasão russa à Ucrânia, mais de 3,5 milhões de pessoas já deixaram o país e mais de 900 civis foram mortos em bombardeios e ataques. No último fim de semana, os Estados Unidos comprovaram o uso de mísseis hipersônicos durante os ataques russos na Ucrânia – a primeira vez que esse tipo de ataque é praticado pela Rússia.
Na avaliação do professor de Relações Internacionais de Direito no Ibmec-SP, Marcelo Suano, a guerra é custosa para russos, mas eles poderiam vencê-la “a qualquer momento.”
“A desproporção de tropas é muito grande, a resistência ucraniana tem sido monumental e a guerra é custosa para a Rússia, mas eles podem ganhar a qualquer momento se usarem a massa desproporcional de forma sem freio”, explicou.
Explosão provocada por ataque russo na Ucrânia / Anadolu Agency via Getty Images
Mais de 3,5 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia desde início da guerra
Cerca de 3,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, informou a agência nas Nações Unidas para refugiados, o Acnur, nesta terça-feira (22). O número exato divulgado pela organização foi de 3.528,346.
Deste total, mais de 2 milhões teriam se deslocado para a Polônia, país destino da maioria dos refugiados da guerra.
A quantidade de civis deslocados em decorrência da guerra é ainda maior, e se somam aos que deixaram o país. A agência de migração da ONU disse que quase 6,5 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da Ucrânia como resultado direto da guerra, superando suas piores previsões.
Refugiados da Ucrânia chegam à Polônia / Christoph Reichwein/picture alliance via Getty Images
Vídeo: Russos enfrentam dificuldade real no campo da guerra, diz cientista político
O que se sabe sobre os mísseis hipersônicos da Rússia
A Rússia usou mísseis hipersônicos em sua invasão da Ucrânia, afirmou o presidente dos EUA, Joe Biden, na segunda-feira. “E se você notar, acabou de lançar o míssil hipersônico, porque é a única coisa que eles podem passar com absoluta certeza”, disse Biden. “É uma arma quase impossível de ser anulada, há uma razão para eles a estarem usando.”
Mas a inteligência britânica e até mesmo o próprio secretário de Defesa de Biden minimizaram o uso da Rússia de seus mísseis Kinzhal lançados do ar. “Eu não veria isso como um divisor de águas”, disse o chefe do Pentágono, Lloyd Austin, ao programa “Face the Nation”, da CBS.
O Ministério da Defesa do Reino Unido disse que o míssil Kinzhal é realmente apenas uma versão lançada do ar do míssil balístico de curto alcance Iskander (SRBM), que a Rússia usou repetidamente em sua invasão da Ucrânia.
A Rússia confirmou que tem usado os mísseis Kinzhal para atacar alvos militares, como bases de armazenamento de combustíveis e armas em território ucraniano.
Caças Mikoyan MiG-31K com mísseis hipersônicos Kinzhal sobrevoam a Praça Vermelha de Moscou durante o desfile militar do Dia da Vitória, em 2018 / Sefa Karacan/Agência Anadolu/Getty Images
Ao menos oito civis morrem em ataque a shopping de Kiev
Pelo menos oito pessoas foram mortas em um ataque russo a um shopping center no distrito de Podilskyi, em Kiev, segundo o procurador-geral ucraniano.
Segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia no final do domingo, 63 bombeiros trabalharam para extinguir as chamas que atingiram o terceiro e quarto andares do prédio.
“Como consequência do ataque de mísseis inimigos e do incêndio resultante, um shopping center foi destruído, as janelas dos prédios residenciais próximos e os veículos estacionados nas proximidades foram danificados”, disse o procurador-geral em um post em seu canal no Telegram.
“Bombas caem a cada dez minutos”, diz oficial em Mariupol
A cidade de Mariupol foi alvo de diversos ataques na madrugada de segunda-feira, informaram forças ucranianas locais à CNN.
“Bombas estão caindo a cada dez minutos. Navios de guerra da Marinha russa estão bombardeando. Ontem, os soldados desarmaram quatro tanques, [assim como] veículos blindados e tropas. Ainda precisamos de munição, armas antitanque e defesa aérea”, disse o capitão Svyatoslav Palamar, do Regimento da Guarda Nacional Azov, em Mariupol.
Palamar disse que ele e seus companheiros não se renderiam em Mariupol. O prazo emitido pela Rússia para que as autoridades de Mariupol entregassem a cidade passou às 5h de Moscou (23h de domingo, pelo horário de Brasília), com os ucranianos rejeitando o ultimato.
Comboio de ônibus saindo de Mariupol, destruída por ataques / Imagem de satélite/Maxar Technologies
Russo vencedor do Nobel da Paz leiloará medalha para ajudar refugiados ucranianos
O jornal independente russo Novaya Gazeta vai leiloar a medalha do Prêmio Nobel da Paz conquistada por seu editor-chefe, Dmitry Muratov, em ajuda aos refugiados ucranianos.
Em um comunicado publicado no site do jornal nesta terça-feira (22), Muratov disse que as multidões de “crianças feridas e doentes” que precisavam de “tratamento urgente” o obrigaram a oferecer a prestigiosa medalha.
Muratov, cofundador da Novaya Gazeta, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em outubro de 2021 devido a sua incansável defesa da liberdade de expressão na Rússia.
O editor-chefe destacou no comunicado a necessidade urgente de um cessar-fogo, troca de prisioneiros e provisão de corredores humanitários.
Jornalista russo Dmitry Muratov discursa durante cerimônia em que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2021 -10/12/2021 Stian Lysberg Solum/NTB/ Reuters
Crítico de Putin, Alexei Navalny é considerado culpado em acusação de fraude
Um tribunal russo condenou nesta terça-feira o crítico do Kremlin Alexei Navalny a nove anos de prisão por acusações de fraude, em uma decisão que manterá o oponente mais proeminente do presidente Vladimir Putin fora da política ativa nos próximos anos.
Navalny, que também foi considerado culpado por desacato ao tribunal, já está cumprindo uma sentença de dois anos e meio em um campo de prisioneiros a leste de Moscou por violações de condicional relacionadas a acusações que ele diz terem sido forjadas para frustrar suas ambições políticas.
Navalny, que o tribunal também multou em 1,2 milhão de rublos (R$ 56.611,35), rejeitou o último caso criminal contra ele como politicamente motivado e se declarou inocente.
Bombardeio mata 21 pessoas de equipes de resgate, diz Ucrânia
Autoridades ucranianas informam que 21 pessoas de equipes de resgate da Ucrânia foram mortas e 47 ficaram feridas devido a bombardeios de tropas russas.
“De acordo com a Convenção de Genebra, bombardeios ou outras ameaças aos socorristas durante operações de resgate são considerados crimes de guerra. Registramos todos esses casos, e os órgãos competentes farão uma avaliação legal de tais ações e identificarão os responsáveis”, disse o vice chefe do Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia, Roman Prymush.
Ele observou que a detenção de socorristas pelas forças russas também é uma violação da Convenção de Genebra. Prymush acrescentou que os atos serão objeto de processos em tribunais internacionais, que já estão em andamento.
“Só novas sanções podem parar a Rússia”, diz premiê tcheco
“O presidente russo, Vladimir Putin, está cometendo crimes de guerra na Ucrânia e mais sanções são a única maneira de detê-lo”, disse o primeiro-ministro tcheco Petr Fiala na segunda-feira em postagem no Twitter.
“O exército russo devastou Mariupol, na Ucrânia. O mundo inteiro vê que pessoas inocentes estão morrendo por causa dessa guerra”, escreveu Fiala. “Devemos continuar pressionando por uma abordagem clara e unida à Rússia e mais sanções, é a única maneira de deter Putin”, concluiu.
O Ocidente tem aplicado sanções à Rússia e a cidadãos do país próximos a Vladimir Putin nas últimas semanas. Apesar de já impactar a população russa, as medidas não têm sido eficazes no propósito de frear a ofensiva russa.
Veja imagens da destruição na Ucrânia:
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Imagens foram captadas por satélite nesta quarta-feira (16)
Crédito: Maxar Technologies
Países podem ceder defesa aérea à Ucrânia, diz Pentágono
Os Estados Unidos estão em “discussões contínuas” com outras nações para fornecer à Ucrânia “os tipos de capacidades de defesa para incluir defesas aéreas de longo alcance, que sabemos que eles estão confortáveis em usar”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, durante um pronunciamento na segunda-feira.
O secretário de Defesa, Lloyd Austin, visitou a Eslováquia e a Bulgária na semana passada após participar da Reunião Ministerial de Defesa da Otan em Bruxelas.
A CNN informou anteriormente que os EUA estavam em discussões com a Eslováquia para fornecimento de armas de defesa aérea S-300 para a Ucrânia em troca de algo para preencher seu suprimento. Nenhum acordo foi anunciado entre a Eslováquia e os EUA até o momento.
John Kirby, porta-voz do Pentágono / Anadolu Agency via Getty Images
EUA restringem vistos de funcionários chineses
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou na segunda-feira a restrição dos vistos de funcionários chineses por assédio e repressão contra dissidentes e defensores dos direitos humanos dentro e fora da China.
“Os perpetradores de violações dos direitos humanos devem continuar a enfrentar as consequências. Os Estados Unidos tomaram medidas para impor restrições de visto a funcionários da RPC [República Popular da China] por tentarem intimidar, assediar e reprimir dissidentes e defensores dos direitos humanos dentro e fora da China”, afirmou Blinken pelas redes sociais.
Biden pede reforço contra possíveis ataques cibernéticos
O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu os parceiros do setor privado “que endureçam suas defesas cibernéticas imediatamente”, apontando para “evolução em inteligência” e indicando “o potencial de que a Rússia pode realizar atividades cibernéticas maliciosas contra os Estados Unidos”.
Embora tenha prometido que seu governo “continuará a usar todas as ferramentas para impedir, interromper e, se necessário, responder a ataques cibernéticos contra infraestrutura crítica”, o presidente reconheceu em comunicado que “o governo federal não pode se defender contra essa ameaça sozinho”.
“A maior parte da infraestrutura crítica da América pertence e é operada pelo setor privado, e os proprietários e operadores de infraestrutura crítica devem acelerar os esforços para trancar suas portas digitais.
Presidente dos EUA, Joe Biden / REUTERS/Jonathan Ernst
Rota da Guerra Fria, com voos sobre o Polo Norte, é recriada
O fechamento do espaço aéreo russo para algumas empresas aéreas internacionais, incluindo muitas na Europa, forçou as companhias a procurar rotas alternativas. Para alguns voos, como os que ligam a Europa e o Sudeste Asiático, isso é especialmente problemático, já que a Rússia, o maior país do mundo, fica diretamente no meio.
O problema é melhor ilustrado pelo voo da Finnair de Helsinque para Tóquio. Antes da invasão da Ucrânia, aviões da empresa da Finlândia decolavam e se dirigiam rapidamente para o espaço aéreo da vizinha Rússia, cruzando mais de 4,8 mil quilômetros.
Eles então entravam no espaço aéreo da China, perto da fronteira norte com a Mongólia, voavam em seu espaço aéreo por cerca de 1,6 mil quilômetros, antes de entrar na Rússia novamente ao norte de Vladivostok. Finalmente, atravessavam o Mar do Japão e viravam para o Sul em direção ao Aeroporto de Narita.
Rota sobre o Polo Norte voltou a ser utilizada por empresas que evitam o espaço aéreo da Rússia; um exemplo são os voos da A Finnair que têm países asiáticos como destino / Divulgação/Finnair
Mudança geopolítica é veloz, diz professor
A guerra na Ucrânia tem promovido mudanças geopolíticas na velocidade “de motor de Ferrari”, na avaliação do professor de Relações Internacionais da Unifesp, José Alexandre Altahyde Hage.
Em entrevista à CNN Rádio, ele explicou: “A geopolítica já está mudando desde o final da Guerra Fria, com a ascensão da China como grande potência. São 20, 30 anos que a geopolítica muda, mas a comunidade não estava esperando mudança tão dramática, como a causada pela guerra da Ucrânia.”
Para o professor, as sanções impostas à Rússia podem surtir efeito, mas há meios de o presidente Vladimir Putin burlar as pressões. “Há um termo na geopolítica que é o poder de manobra. Ela é a possibilidade de uma grande potência de sobressair a essas pressões das sanções, ela funciona a partir das reservas econômicas e naturais que o país tem”, disse.
Tropas da Otan fazem exercícios na Noruega. Foto:Anadolu Agency via Getty Images) / Anadolu Agency via Getty Images
Atravessar a fronteira é sempre um alívio, diz voluntário
Voluntário da Frente BrazUcra, Alysson Vitali atua na fronteira entre Polônia e Ucrânia para ajudar os refugiados. Em entrevista à CNN Rádio, ele relatou que há “estrutura fenomenal” para recebê-los: “há acomodação, alimentos, remédios.”
“Atravessar a fronteira [para fora da Ucrânia] é um alívio, pelo menos para nós. Tomamos os cuidados, a atenção é redobrada, mas tentamos ficar os mais calmos possíveis, para entrar e fazer o trabalho”, relatou.
Alysson, que havia acabado de cruzar a fronteira, acredita que o ritmo de travessia sofreu redução: “O fluxo tem sido menor do que no princípio do conflito. Há calmaria, por mais que haja ataques.”
Refugiados da Ucrânia chegando à Polônia no dia 20 de março / Christoph Reichwein/picture alliance via Getty Images
Além de Rússia e Ucrânia: as outras guerras ativas no mundo
Quando o mundo parecia começar a emergir da pandemia de Covid-19, a escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia teve o pior desfecho: a invasão russa e o surgimento de um novo conflito armado no coração da Europa, o que se soma às guerras ativas no mundo.
As imagens de tanques e veículos blindados agora avançando pela Ucrânia, de soldados montando trincheiras defensivas e de aviões e mísseis bombardeando cidades enquanto civis tentam escapar da guerra, trazem de volta memórias de guerras passadas. Mas a Ucrânia não é o único conflito armado no mundo hoje. Veja a lista.
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.