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Pacote fiscal de Trump enfrenta resistência de republicanos
Moderados contrários ao corte de direitos sociais e conservadores que se opõem ao aumento do déficit ameaçam aprovação

O líder da maioria republicana no Senado americano, John Thune, tenta contornar a resistência de ao menos cinco senadores de seu próprio partido contra o pacote orçamentário e tributário que o presidente Donald Trump quer ver aprovado antes do Dia da Independência, 4 de julho.
Chamado de One Big Beautiful Bill Act (“único grande bonito projeto de lei”) pelo presidente, o pacote de 940 páginas mantém os cortes de impostos introduzidos em 2017 por Trump em seu primeiro mandato, que expiram no fim deste ano, e reduz gastos com assistência médica e vales de alimentação para os mais pobres.
Dois senadores republicanos moderados se opõem à proposta por causa desses cortes na assistência social.
Em contrapartida, três republicanos fiscalmente conservadores resistem por causa da elevação de US$ 5 trilhões do teto de endividamento.
Calcula-se que as renúncias fiscais levariam a um aumento de US$ 3,3 trilhões na dívida nos próximos dez anos, mesmo com os cortes de gastos.
Os governistas afirmam que esses cortes vão impactar apenas as pessoas que preferem viver da assistência social em vez de trabalhar: os que conseguirem emprego terão acesso, se ainda precisarem, à ajuda para comprar comida e pagar um plano de saúde.
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O jornal The Washington Post criou uma calculadora para simular o impacto de acordo com a composição das famílias, a renda e o estado onde elas vivem, já que as deduções de impostos variam segundo regras estaduais.
Uma família composta por um casal e dois filhos menores na Pensilvânia com renda anual de US$ 50 mil perde US$ 655 por ano com as novas regras, pela simulação, apesar do aumento em deduções para crianças e o fim dos impostos sobre horas-extras e gorjetas.
Já um casal com dois filhos menores no mesmo estado com renda anual de U$ 250 mil ganha US$ 11.226 por ano, mesmo sem os novos benefícios para a renda baixa.
Os senadores passaram o fim de semana discutindo emendas à proposta. Houve uma votação sobre se a aprovação do pacote poderia ser por maioria simples ou qualificada (60 a 40), exigida por projetos que mudam o orçamento. A maioria simples foi aprovada, beneficiando o governo, por 51 a 49.
O Senado tem 53 republicanos e 47 democratas. Os desertores foram Thom Tillis, um moderado contrário ao corte na assistência médica e no vale-alimentação, e Rand Paul, um conservador que se opõe ao aumento do déficit.
Por causa das modificações, a proposta terá de voltar para a Câmara, onde foi aprovada por apenas um voto: 215 a favor, 214 contra e 1 abstenção.
A Câmara tem 220 republicanos e 212 democratas. Portanto dois republicanos votaram contra e um se absteve, no que Trump chamou de “traição”.
O presidente ameaça fazer campanha contra senadores e deputados republicanos que votarem contra a proposta, nas primárias do partido, que escolherão os candidatos às eleições de meio de mandato de novembro de 2026, quando toda a Câmara e um terço do Senado serão renovados.
Como já fez em outra primárias, Trump deve apoiar pré-candidatos alternativos àqueles republicanos que votaram contra seu governo.
Diante disso, o senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, já disse que não se candidatará no ano que vem – o que Trump chamou de “boa notícia”.