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EUA suspendem processamento de vistos de imigração para 75 países: o que se sabe até agora
A informação foi divulgada pela emissora Fox News com base em documentos obtidos com o Departamento de Estado e confirmada à BBC News Brasil por uma fonte do órgão
O Departamento de Estado dos Estados Unidos vai suspender o processamento de "vistos de imigração" para 75 países.
A informação foi divulgada pela emissora Fox News com base em documentos obtidos com o Departamento de Estado e confirmada à BBC News Brasil por uma fonte do órgão.
Segundo a emissora, o Brasil estaria entre os países afetados. A reportagem não conseguiu confirmar essa informação de forma independente.
À BBC News Brasil, a embaixada dos EUA no Brasil também confirmou a suspensão do processamento para 75 países, mas afirmou que ainda aguarda os detalhes oficiais.
As autoridades americanas não detalharam os tipos de vistos afetados, mas, segundo as páginas oficiais do governo, vistos de imigração são aqueles dados a quem deseja viver nos EUA, seja por requisito de um empregador ou por ter um parente direto vivendo legalmente no país, entre outras situações.
Vistos de turismo, por exemplo, são classificados como de "não imigração" e, em tese, não seriam afetados pelo congelamento.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou no X (antigo Twitter) a reportagem publicada pela Fox, mas não deu mais informações sobre a decisão.
Também no X, o perfil do Departamento de Estado afirmou que suspenderá vistos de 75 países "cujos migrantes recorrem a benefícios sociais pagos pelo povo americano em taxas consideradas inaceitáveis".
"A suspensão permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano", afirmou o órgão.
A nota diz também que a suspensão afeta países — incluindo Somália, Haiti, Irã e Eritreia — cujos imigrantes frequentemente se tornam "dependentes de assistência pública nos Estados Unidos logo após a chegada".
"Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo americano não seja mais explorada", continua a nota. "O governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar."
De acordo com a Fox News, além do Brasil, entre os países afetados estariam Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Iêmen e outros.
Segundo a emissora, a suspensão começaria em 21 de janeiro e continuará por tempo indeterminado até que o Departamento de Estado realize uma reavaliação do processamento de vistos.
O memorando do Departamento de Estado, ao qual a Fox teve acesso, orienta ainda os funcionários dos consulados americanos nos países afetados a negarem vistos com base na legislação vigente, enquanto o departamento reavalia os procedimentos de triagem e verificação.
A medida se soma a outras muitas ações anti-imigratórias do governo de Donald Trump e seria uma forma de impedir que pessoas fiquem no país e se tornem um encargo público, segundo a emissora.
A reportagem procurou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro sobre a decisão, mas o órgão não se posicionou até o momento.

Crédito,Getty Images
"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um ônus para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", teria dito o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, em um comunicado citado pela Fox News.
"A imigração desses 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de estrangeiros que se beneficiariam de programas de assistência social e benefícios públicos."
Em dezembro, os EUA já haviam anunciado a suspensão dos pedidos de imigração apresentados por cidadãos da Venezuela, de Cuba, do Haiti e de outros 16 países não europeus.
Um mês antes, Trump prometeu "interromper permanentemente a imigração" para os Estados Unidos de pessoas de todos os "países do Terceiro Mundo", ao se manifestar contra o "ônus dos refugiados" do seu país.
A mais nova determinação do Departamento de Estado representaria um endurecimento ainda maior da posição do presidente republicano em relação aos migrantes, durante seu segundo mandato.
Entre outras medidas, Trump procurou realizar deportações em massa de migrantes que entraram no país ilegalmente, reduzir drasticamente o número de refugiados e eliminar os direitos à cidadania automática que se aplicam atualmente a quase todos os nascidos em território americano.
O governo também promove um endurecimento das ações de fiscalização por meio do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Como consequência, aumentaram os episódios violentos envolvendo agentes da organização.
Na semana passada, a morte de uma mulher de 37 anos por um agente do ICE em Minneapolis provocou protestos e muita indignação.
Renee Nicole Good foi baleada em seu carro em 7 de janeiro. Autoridades federais alegam que ela teria atropelado agentes com seu carro, mas o prefeito de Minneapolis diz que um agente agiu de forma imprudente.
Centenas de agentes do ICE foram enviados para a cidade no Estado de Minnesota como parte da política de repressão da Casa Branca contra a imigração ilegal.