Polícia

Veja como o genro de Antônio Joaquim desviava dinheiro de creches das crianças pobres de Cuiabá

O genro de Antônio Joaquim e o mar de corrupção

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 07/09/2020
Veja como o genro de Antônio Joaquim desviava dinheiro de creches das crianças pobres de Cuiabá
Foto: Arquivo
Assim como na Lava Jato, o nível elevado de corrupção da Operação Overlap, feita pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado(Gaeco) e Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) , da Polícia Civil de Cuiabá, desdobra as investigações em múltiplas fases. Nos últimos dois meses, já houve duas Operações, e segundo revelou a Polícia, haverá mais Operações para os próximos dias. Nas duas fases feitas pela Polícia, estão sendo investigado o procurador-geral do município de Cuiabá, Marcus Brito, o ex-secretário de Educação, Alex Vieira Passos e Rafael de Oliveira Cotrim, genro do conselheiro afastado por corrupção do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto. Cotrim chegou a ser levado para prestar depoimento. Houve buscas e apreensões na sua residência, na sede da Procuradoria Geral da Prefeitura de Cuiabá e também na empresa Ceteps de propriedade da família de Alex Passos há mais de 40 anos, e teriam iniciadas as atividades do Colégio Castelinho Azul. Nesse vendaval de corrupção a Polícia está montando o quebra cabeça da organização criminosa instalada no ‘seio’ da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, para desviar dinheiro destinado para as creches das crianças pobres dos bairros periféricos de Cuiabá e com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Um dos alvos da quadrilha foi o bairro CPA III, onde fica a Creche CMEI – Joana Mont Serrat Spindola Silva. A Creche foi alvo de um mar de fraude em licitação que desviou a bagatela de R$ 2,089 milhões. O ‘esquema’ passou por uma grande devassa da Polícia e do Ministério Público. As investigações apontaram Rafael Cotrim, o genro de Antônio Joaquim, e a empresa Kasual, de sua propriedade, recebeu R$ 1 milhão em três transferências bancárias realizadas por empresas ligadas ao advogado Alex Vieira Passos, que o sucedeu no comando da Secretaria Municipal de Educação. Segundo a Polícia, foram três depósitos realizados nos meses de julho e agosto de 2017, quando Cotrim comandava a Secretaria. O primeiro de R$ 400 mil foi realizado no dia 10 de julho 2017 para a conta da Kasual Construtora, de propriedade de Cotrim. E foi depositado pela Ceteps de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, através de transferência bancária. A Ceteps é de propriedade de Alex Passos, comparsa de Cotrim. O segundo pagamento foi de R$ 400 mil, através de cheque emitido pelo emitido pelo escritório Zambrim, Brito & Vieira Passos Advogados para a conta pessoal de Rafael Cotrim. Alex Passos, que é advogado, é sócio do escritório conjuntamente com o ex-procurador-geral do Município Marcus Brito, alvo da segunda fase da Operação Ovelap. O terceiro depósito no valor de R$ 200 mil foi feito por meio da empresa B.O. Conceição E Silva & Cia Ltda – que tem como nome fantasia Cetepes, sediada em Cuiabá - também para a conta da empresa Kasual Empreendimento, de propriedade de Cotrim. “Rafael de Oliveira Cotrim Dias é investigado como sendo beneficiário de transferências bancárias que somam a quantia de R$ 1 milhão, tendo como origem pessoas jurídicas vinculadas a Alex Vieira Passos”, afirma a Polícia Civil que vê a corrupção praticada pelo genro do conselheiro Antônio Joaquim, como atos de lavagem de capitais para ocultação da origem desses valores desviados do erário. Rafael Cotrim é casado com a psicóloga Taísa Moschini Moraes Cotrim Dias, 40, filha do conselheiro e tem dois filhos. Ele também é proprietário da Construtora Kasual, que ficou responsável pela reforma da Creche. Os dois – Passos e Cotrim – segundo a Polícia - iriam, com certeza, continuar a delinquir. Caso não tivesse sidos descobertos por uma das mais sérias investigações já feitas pelo Gaeco(Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado) da Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso durante a Operação Overlap. Não dá ainda para idealizar uma absoluta guinada rumo à abolição dessa prática abominável, à concretização do sonho de que toda a corrupção será extirpada. As operações Overlap ocorreram para estancar a ‘sangria’ contra crianças pobres em Cuiabá capitaneada por Rafael Cotrim e sua turma, e foi realizada na manhã de terça feira, 23 de Junho e dia 04 de Setembro, em Cuiabá.