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Veja Fotos: Família do tráfico ostentava nas redes enquanto movimentava R$ 20 milhões; veja quem são os alvos da operação
A ação integra a Operação Showdown, que investiga um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 20 milhões
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã de quinta-feira (5), o pai, a filha e o genro de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, apontada como líder do Comando Vermelho na região Norte do Estado. A ação integra a Operação Showdown, que investiga um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 20 milhões.

Foram presos Paulo Felizardo, pai da faccionada, além de Kauany Beatriz e Guilherme Laureth, filha e genro da investigada. Angeliquinha está foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou do Penitenciária Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, os familiares atuavam como operadores financeiros da organização criminosa, sendo responsáveis por movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
As investigações apontam que, em apenas um ano e sete meses, o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões, valores considerados incompatíveis com a renda declarada.

Para esconder a origem ilícita do dinheiro, o esquema utilizava: empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas; plataformas de jogos de azar on-line, utilizadas para simular ganhos legítimos e movimentações financeiras fracionadas para dificultar o rastreamento.
Além disso, parte do dinheiro teria sido lavada por meio da exploração de garimpo ilegal na região de Alta Floresta.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a ostentação nas redes sociais.

A filha da líder da facção, Kauany, que está grávida, mantém um perfil no Instagram com mais de 40 mil seguidores, onde se apresenta como influenciadora digital. Nas publicações, ela divulga rotinas de luxo, viagens, compras e publicidade de jogos on-line, incluindo o popular “jogo do tigrinho”.
Ela também se apresenta como proprietária de dois empreendimentos: Kauany Shoes, em Alta Floresta e Studio Essenza Beauty
Segundo a polícia, os negócios seriam usados para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico.
Outro braço do esquema envolveria a exploração de garimpo irregular no Norte de Mato Grosso.

De acordo com a investigação, o pai da líder da facção administrava: um garimpo ilegal na região e um bar e prostíbulo próximo ao município de Nova Bandeirantes
O local também serviria como ponto de apoio para tráfico de drogas e extorsões contra garimpeiros. A suspeita é que o ouro extraído fosse utilizado para ocultar e reinserir recursos ilícitos no mercado formal.
Ao todo, a operação cumpre 31 ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, entre elas: 4 mandados de prisão, 7 mandados de busca e apreensão, 6 sequestros de veículos, 4 sequestros de imóveis, 7 bloqueios de contas bancárias e 3 suspensões de empresas

A ação é conduzida pela Polícia Civil com participação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, é considerada uma das principais lideranças de facção no Norte de Mato Grosso.
Ela foi condenada a 99 anos e 11 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de quatro trabalhadores ocorrido em 2022, no município de Nova Monte Verde.

As vítimas foram: Jefferson Vale Paulino, 27 anos, Alan Rodrigues Pereira, 36 anos, João Vitor da Silva, 19 anos e Caio Paulo da Silva, 31 anos
O Tribunal do Júri reconheceu que os crimes foram praticados por motivo torpe, com meio cruel e sem possibilidade de defesa das vítimas.


