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Grupo comandado por Vorcaro invadiu sistemas restritos da PF, MPF, FBI e Interpol, aponta investigação
Segundo a PF, Luiz Phillipi Mourão, apontado como coordenador de vigilância do grupo de Vorcaro, usou credenciais de terceiros para acessar indevidamente dados sigilosos e monitorar autoridades e jornalistas.
Investigações da Polícia Federal apontam que integrantes do grupo comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro tiveram acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
🔍 As informações constam na decisão que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero, responsável pela prisão de Vorcaro, do cunhado dele, Fabiano Zettel, e de outros investigados ligados ao esquema.
Segundo a decisão judicial que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero, o responsável por realizar essas consultas seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”.
De acordo com a investigação, Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Os acessos teriam sido feitos com o uso de credenciais funcionais de terceiros, o que permitia obter informações protegidas por sigilo institucional.
Com essa metodologia, segundo a Polícia Federal, o investigado teria conseguido acessar indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
As investigações também indicam que Mourão participava de tratativas para obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outras pessoas consideradas de interesse da organização.
Essas informações, segundo a decisão, eram repassadas a integrantes do grupo responsáveis pela definição de estratégias e pela tomada de decisões dentro da organização, como à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais considerados prejudiciais aos interesses do grupo.
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Mourão é apontado pelos investigadores como coordenador operacional da chamada “Turma”, uma estrutura privada de vigilância criada para atender aos interesses do grupo ligado ao Banco Master.
Segundo a investigação, ele executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), descreve que a organização criminosa investigada pela PF era estruturada em diferentes núcleos, com funções definidas entre os integrantes.
No topo do grupo estaria Daniel Bueno Vorcaro, apontado como líder da organização e controlador do Banco Master. Segundo a investigação, ele definia estratégias financeiras e também autorizava ações de monitoramento e intimidação contra desafetos e jornalistas.
O núcleo operacional incluía ainda Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e responsável pela operacionalização de pagamentos e contratos simulados, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, segundo a PF, utilizava experiência e contatos na área policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina.
Investigação e nova fase da operação
As informações sobre os acessos indevidos aos sistemas fazem parte da investigação que levou à terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4).
A decisão do ministro André Mendonça que autorizou as medidas cita indícios de organização criminosa, danos bilionários ao sistema financeiro e risco de interferência nas investigações.
A operação atende a pedido da Polícia Federal, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Além de Vorcaro, foram alvo da operação da PF Fabiano Zettel, o próprio Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.