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TRAIÇÃO POR TRÁS DAS GRADES: policial penal cobrava até R$ 10 mil para colocar celular nas mãos de facção em presídio de VG

Operação Insídia prende policial penal e professora suspeitos de usar cargos públicos para abastecer criminosos; Justiça também determinou afastamentos e bloqueio de dinheiro

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 09/09/2026
TRAIÇÃO POR TRÁS DAS GRADES: policial penal cobrava até R$ 10 mil para colocar celular nas mãos de facção em presídio de VG
Uma suposta traição arquitetada por dentro do próprio sistema prisional terminou com um policial penal e uma professora na mira da Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira (9), em Mato Grosso | G1

Uma suposta traição arquitetada por dentro do próprio sistema prisional terminou com um policial penal e uma professora na mira da Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira (9), em Mato Grosso.

Os dois servidores são alvos da Operação Insídia, deflagrada para desmontar um esquema que teria facilitado a entrada clandestina de celulares e outros objetos no Centro de Ressocialização de Várzea Grande, em benefício de integrantes de uma facção criminosa.

Segundo as investigações, o policial penal cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por cada aparelho celular introduzido na unidade. A professora, por sua vez, teria aproveitado o acesso autorizado ao interior do presídio para colaborar com a entrada dos objetos.

A Justiça autorizou duas prisões preventivas, dois mandados de busca e apreensão, dois bloqueios de ativos financeiros e o afastamento cautelar dos dois servidores de suas funções públicas.

As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá, após representação baseada nas investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

Até r$ 10 mil por um celular

De acordo com a Polícia Civil, o policial penal teria transformado o acesso privilegiado ao presídio em um negócio altamente lucrativo.

O servidor cobraria valores entre R$ 7 mil e R$ 10 mil para colocar cada aparelho nas mãos de integrantes da facção. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, ele teria utilizado inclusive a conta bancária da própria companheira para receber parte dos pagamentos.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade funcional dos suspeitos.

Os dois são investigados pelos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa.

Pix levou polícia até professora

As investigações começaram em junho de 2025, após a análise de materiais apreendidos em outra apuração.

Durante o trabalho, os policiais encontraram transferências via Pix destinadas à professora. Segundo a investigação, os pagamentos teriam sido realizados por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados.

As movimentações coincidiram com uma denúncia que apontava a suposta participação da professora e do policial penal na introdução clandestina de celulares e outros itens no Centro de Ressocialização.

Em troca, os dois servidores receberiam vantagens financeiras indevidas.

A professora trabalhava em salas anexas de uma escola estadual e possuía autorização para circular na unidade prisional. Conforme as investigações, ela teria utilizado justamente essa facilidade para viabilizar a entrada dos objetos destinados à facção.

Já o policial penal teria empregado as prerrogativas do próprio cargo para atender aos mesmos interesses criminosos.

Justiça manda bloquear dinheiro e afastar servidores

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 14,6 mil em ativos financeiros atribuídos à professora e de até R$ 25,5 mil relacionados ao policial penal.

Os dois também foram afastados cautelarmente das funções públicas durante o andamento das investigações.

Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo localizar celulares, documentos, registros bancários e outros materiais que possam revelar toda a extensão do esquema e identificar novos envolvidos.

“Insídia”: traição ao estado e à sociedade

O nome da operação resume a gravidade da conduta investigada.

Insídia significa traição, deslealdade e ação praticada de forma dissimulada. A denominação foi escolhida porque os agentes públicos são suspeitos de terem traído as funções que exerciam, a confiança da sociedade e o próprio Estado.

Em vez de impedir a comunicação clandestina entre criminosos, eles teriam usado os cargos e o acesso privilegiado ao presídio para facilitar a atuação de uma facção.

A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outros possíveis participantes, rastrear todo o dinheiro movimentado e dimensionar até onde chegava o esquema.

Os investigados terão assegurados o contraditório e a ampla defesa. O espaço permanece aberto para manifestações dos servidores, de suas defesas, da Secretaria de Estado de Justiça e da Secretaria de Estado de Educação.