Política
Receita exonerou servidor acusado de atuar contra Flávio Bolsonaro
No último dia 3, a Receita Federal exonerou um dos três auditores que tiveram seu afastamento recomendado em relatório de inteligência enviado em meados de setembro para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)
11/12/2020
Defesa se reuniu com presidente, GSI e Abin
No dia 25 de agosto, advogadas de Flávio se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro para expor suspeitas de que integrantes da Receita Federal teriam vazado informações sigilosas sobre o senador e que teriam sido incorporadas à investigação do Ministério Público do Rio. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e o diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem Rodrigues, participaram do encontro. Naquele dia, os advogados entregaram uma petição ao GSI em que descrevem, ao longo de 25 páginas, supostas irregularidades praticadas pela corregedoria da Receita Federal e pedem para o GSI determinar ao Serpro a realização de "apuração especial" para descobrir, entre os seus servidores e os da Receita, aqueles que teriam acessado informações sobre o senador e sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro. No documento, os advogados questionam a atuação de Barros Neto e de Christiano Botelho no caso das supostas irregularidades relacionadas ao um vazamento de dados por parte do Escor07, Escritório de Corregedoria da 7ª Região Fiscal da Receita.Informe de inteligência sugere orientação aos advogados
Quando o caso veio à tona, em outubro, o GSI negou ter tomado qualquer medida. Em nota divulgada em 23 de outubro, Augusto Heleno disse que soubera do caso de " maneira informal". Segundo ele, "à luz" do que lhe foi apresentado, o caso não representava "assunto de segurança institucional" e deveria ser tratado na Corregedoria da Receita. "Diante disso, o GSI não realizou qualquer ação decorrente. Entendeu que, dentro das suas atribuições legais, não lhe competia qualquer providência a respeito do tema", concluiu. A Abin integra o GSI. O relatório feito pela Abin, no entanto, mostra que foram tomadas providências após aquela reunião. E não só: o documento analisa a situação, crítica a atuação da defesa do senador e sugere como a apuração sobre a suposta fraude deve ser encaminhada. No documento "A1 - sobre o FB / SITUACAO RECEITA FEDERAL– PROPOSTA l ação", a Abin afirma que os advogados cometeram dois "equívocos": encaminharam um pedido via Receita, classificada como "parte principal do problema" e não inclusão de números de CPFs e CNPJs de pessoas e empresas citadas. Isto, segundo a Abin, "permitiu ao grupo criminoso instalado na Receita coordenar ampla operação de sabotagem, empregando diversas camadas de auto-proteção do sistema". Segundo o relatório, o "grupo criminoso" teve 20 dias para "manobrar". O relatório também apresenta três sugestões, entre elas, a de que a "Dra. Juliet" visite Tostes, tome "um cafezinho" com ele e informe que irá pedir a entrega dos dados na Justiça. Sugere também que a defesa utilize a Lei de Acesso à Informação para pedir dados ao Serpro os dados. O autor do documento frisa que a petição deve ser feita por escrito - e não pelo sistema eletrônico (e-sic), já que este mecanismo circula no sistema da Controladoria-Geral da União, "e Gilberto Waller integra a rede da RFB". A outra recomendação é o afastamento "in continenti" dos três servidores da Receita Federal. À CNN, o GSI reiterou que “não realizou qualquer ação no caso” e que as “acusações são desprovidas de veracidade, se valem de falsas narrativas e abordam supostos documentos, que não foram produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência”.Mais lidas
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