Política
“No que depender de mim, haverá Copa América no Brasil”, afirma Bolsonaro
Presidente comentou o assunto pela primeira vez desde o anúncio da Conmebol em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta terça (1)
Na manhã desta terça-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou pela primeira vez sobre a escolha do Brasil como país-sede da Copa América 2021, um anúncio feito pela Conmebol nesta segunda-feira (31). “No que depender de mim e de todos os ministros, inclusive o ministro da Saúde, já está acertado, haverá Copa América no Brasil”, afirmou o presidente a um grupo de apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, onde também confirmou que foi consultado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ontem sobre a possibilidade, conversou com os ministros responsáveis e deu a resposta positiva. O pronunciamento vem após o Governo federal, na figura do ministro da Casa Civil Luiz Eduardo Ramos, dizer que a realização do torneio no país não estava confirmada, ao contrário do que havia anunciado a Conmebol. Até o momento, a CBF não se manifestou e tampouco foi divulgado calendário e tabela da competição que, se seguir as datas originais, começará no dia 13 de junho.
Na mesma conversa com apoiadores, Bolsonaro atribuiu as críticas à realização do torneio à Rede Globo, que não tem os direitos de transmissão do torneio (ele será transmitido pelo SBT no Brasil). “Está havendo a [Copa] Sul-Americana. Começa também na sexta-feira as Eliminatórias da Copa do Mundo”, afirmou. A resposta vem após posicionamentos contundentes de narradores esportivos da emissora contra a Copa América no Brasil. Galvão Bueno, por exemplo, abriu seu programa semanal no canal fechado SporTV dizendo que pede “a Deus que alguém tenha uma crise de bom senso e que essa loucura não aconteça”.
As críticas, no entanto, não foram exclusivas de funcionários da Globo. Desde que a Conmebol anunciou a realização do evento no Brasil, às 11h desta segunda (31) —inclusive agradecendo nominalmente a Bolsonaro e a CBF por topar o evento, tanto em declarações institucionais como em publicações feitas pelo presidente da entidade, Alejandro Domínguez, em seu Twitter—, o debate acerca da postura do Governo em topar sediar um torneio de futebol de proporções continentais, no momento em que o país já vê uma nova escalada de contágios da covid-19, que já vitimou mais de 460.000 brasileiros e caminha para a terceira onda, tomou conta das redes sociais e chegou até Brasília. Senadores membros da CPI da Pandemia protocolaram um pedido para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, comparecer ao Senado para justificar a decisão, e deputados entraram com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a competição. O mesmo fez o oposicionista PT, que culminou num despacho do ministro Ricardo Lewandowski requisitando informações à Presidência da República sobre a realização do torneio. Em meio ao debate sobre quais cidades estariam aptas a receberam as partidas, governadores de Pernambuco e Rio Grande do Norte anunciaram que proibirão a Copa América de acontecer em seus Estados. Já o governador de São Paulo, João Doria, não se opôs ao evento.
Após a repercussão negativa, o ministro Luiz Eduardo Ramos foi o encarregado de vir a público para voltar atrás no que estava confirmado pela Conmebol. O primeiro membro do Governo federal a se pronunciar sobre o assunto disse que “não tem nada certo. Estamos no meio do processo, mas não vamos nos furtar a uma demanda, caso seja possível, atender”, prometendo que um martelo seria batido nesta terça-feira (1). Na mesma declaração, Ramos compartilhou que “as sedes serão de responsabilidade da CBF, e de acordo com as escolhas, eles irão tratar com os Estados”. A Confederação, até o momento, não se manifestou sobre o assunto. A única atitude da CBF foi cancelar as entrevistas coletivas de segunda e terça, que seriam dadas por jogadores da seleção brasileira em Teresópolis, onde a equipe de Tite treina e se concentra para seus próximos compromissos. Rogério Caboclo tem na agenda um evento com um patrocinador da seleção nesta terça, mas não deve responder perguntas.