Política
A CPI da Pandemia ouve agora a médica infectologista Luana Araújo, anunciada em maio para o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas cuja nomeação foi cancelada dez dias depois.
A princípio, estava prevista para esta quarta uma audiência pública para ouvir médicos e pesquisadores contra e a favor do uso de drogas como a cloroquina no chamado tratamento precoce contra o novo coronavírus.
O depoimento de Araújo foi adiantado, no entanto, para que a infectologista possa dar sua versão sobre a mudança antes de uma nova oitiva com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Em evento no dia 12 de maio em que sua nomeação foi anunciada, a médica disse que iria "coordenar a resposta nacional à Covid-19, em diálogo permanente com todos os atores".
Dez dias depois, em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a pasta buscava "outro nome com perfil profissional semelhante: técnico e baseado em evidências científicas".
A convocação de Luana Araújo foi requerida pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE) após o cancelamento da nomeação dela para a secretaria.
“Isso aconteceu muito recentemente e ainda há dúvidas sobre o que fez o governo, o Ministério da Saúde, ao não nomear efetivamente essa pessoa. Há rumores de que seria pelo fato de que ela questiona vários pontos da condução política que o governo tem dado ao enfrentamento da pandemia”, disse o senador petista.
Reagendamento da pauta anterior
Na reunião da CPI na terça-feira (1º), o senador Marcos Rogério (DEM-RO) apresentou questão de ordem contra a mudança de pauta, alegando ser "intempestiva" e "desrespeitosa" com os depoentes anteriormente previstos.
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pediu desculpas pelo transtorno causado aos médicos previstos para serem ouvidos pela comissão, mas alegou que a CPI "é muito dinâmica" e manteve a oitiva de Luana Araújo.
Os senadores Luís Carlos Heinze (PP-RS) e Eduardo Girão (Podemos-CE) pediram, então, que as audiências canceladas sejam remarcadas.
Para falar contra esses tratamentos tinham sido convidados os médicos Clovis Arns da Cunha e Zeliete Zambom. Para defender o tratamento, a comissão ouviria os médicos Francisco Eduardo Cardoso Alves e Paulo Márcio Porto de Melo.