Política
Master: Investigadores temem destruição de provas com vaivém de Toffoli
Sob críticas, ministro recuou da decisão de que objetos apreendidos ficassem no STF; demora na extração de dados dos celulares dá tempo para investigados acessarem dados em nuvem
Investigadores consideraram descabida a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), de determinar que a PGR (Procuradoria-Geral da República) realize a extração e análise do material apreendido na Operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), na quarta-feira (14).
A medida foi tomada pelo magistrado na noite de ontem em mais um recuo envolvendo o caso do Banco Master. Anteriormente, Toffoli havia determinado que todos os itens apreendidos ficassem lacrados e acautelados no STF.
A decisão de manter as provas no STF gerou reação imediata da PF e da PGR, que apontaram o risco de perda de informações dos aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores.
O receio expresso por investigadores é de que os aparelhos sejam eventualmente acessados remotamente e de que haja prejuízo à investigação com a destruição de provas.
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O procurador-geral sustenta que a análise do material pela PGR “poderá acrescentar um juízo adicional sobre a participação de cada investigado nos ilícitos sob apuração”.
Para peritos, porém, o envio das provas à PGR segue invadindo a competência da perícia criminal, conforme previsto no Código de Processo Penal.
Na avaliação de investigadores, Toffoli poderia ter determinado a extração e conservação, mas sem que a PF fizesse análise das informações.
Para pessoas a par do caso Master fica a sensação que o ministro pode ter querido evitar o risco de os dados extraídos fossem analisados pela PF sem sua autorização.