Política

Filha do ministro Marco Buzzi, afastado do STJ por acusação de importunação sexual, é citada em relatório da PF sobre suposto esquema de venda de decisões ligado a lobista de MT

O relatório policial também menciona a atuação do lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e do advogado Roberto Zampieri, morto em 2023, como personagens que orbitavam o núcleo investigado

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM ESTADÃO/COM ARQUIVO SA 10/02/2026
Filha do ministro Marco Buzzi, afastado do STJ por acusação de importunação sexual, é citada em relatório da PF sobre suposto esquema de venda de decisões ligado a lobista de MT
As informações relatadas decorrem de documentos oficiais da investigação, decisões públicas e manifestações das partes | Luiz Silveira/Agência CNJ

A Polícia Federal pediu ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorização para aprofundar uma investigação que menciona a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi, atualmente afastado cautelarmente do Superior Tribunal de Justiça por decisão unânime da Corte após denúncias de importunação sexual que são apuradas sob sigilo.

Segundo relatório parcial da PF juntado ao inquérito que tramita no STF, a empresa Fource e seus sócios teriam estruturado um mecanismo para identificar processos com potencial econômico no STJ e, a partir disso, acionar contatos estratégicos em Brasília com o objetivo de influenciar prazos, minutas e pautas processuais. Nesse contexto investigativo, a advogada Catarina Buzzi é citada em razão de suposta proximidade profissional com investigados, inclusive porque, de acordo com a PF, seu escritório funcionaria em imóvel vinculado ao grupo empresarial sob apuração.

O relatório policial também menciona a atuação do lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e do advogado Roberto Zampieri, morto em 2023, como personagens que orbitavam o núcleo investigado. A PF afirma ainda que um dos investigados possuía “influência direta” em gabinetes do STJ.

Procurados anteriormente, os citados negaram qualquer irregularidade. Catarina Buzzi declarou que jamais atuou em processos de interesse dos investigados no gabinete do pai. O gabinete do ministro Marco Buzzi também negou qualquer favorecimento.

Paralelamente, Marco Buzzi encontra-se afastado do cargo por decisão cautelar do STJ em razão de sindicância aberta após denúncias de importunação sexual feitas por duas mulheres diferentes. O caso é apurado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça e pela Polícia Civil de São Paulo, tramitando sob sigilo. O ministro nega as acusações e sustenta que provará sua inocência, tendo sua defesa classificado o afastamento como desnecessário.

A Polícia Federal informou que esses novos elementos serão tratados em procedimentos próprios e que ainda dependem de autorização do STF para aprofundamento das diligências. Até o momento, não há acusação formal, mas investigação em andamento.

As informações relatadas decorrem de documentos oficiais da investigação, decisões públicas e manifestações das partes. Todos os envolvidos são presumidos inocentes até eventual conclusão das apurações pelas autoridades competentes.