Política
“NU DIGITAL”: deputado de MT denuncia suposto deepfake íntimo com outro homem e expõe fragilidade da polícia virtual em meio à nova era de ataques por IA
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) registrou ocorrência após a circulação, nas redes sociais e aplicativos de mensagens, de uma imagem íntima supostamente manipulada por inteligência artificial
Uma denúncia explosiva envolvendo o uso de inteligência artificial para criação de conteúdo íntimo falso colocou Mato Grosso no epicentro de um dos crimes digitais mais devastadores da atualidade.
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) registrou ocorrência após a circulação, nas redes sociais e aplicativos de mensagens, de uma imagem íntima supostamente manipulada por inteligência artificial, em que ele apareceria ao lado de outro homem em situação de nudez.
Segundo o parlamentar, o material seria uma montagem produzida por tecnologia conhecida como deepfake, capaz de criar imagens extremamente realistas por meio de inteligência artificial. Júlio Campos afirma categoricamente que a imagem é falsa e classificou o episódio como um dos ataques mais graves que já sofreu em mais de cinco décadas de vida pública.
O caso, agora sob investigação da Polícia Civil, revela não apenas o potencial destrutivo dessa nova modalidade criminosa, mas também expõe uma fragilidade estrutural preocupante: a dificuldade de acesso imediato a delegacias e estruturas especializadas em crimes virtuais em Mato Grosso.
De acordo com relato do próprio deputado, houve obstáculos para registrar o boletim de ocorrência, com unidades fechadas e ausência de atendimento contínuo voltado a esse tipo de crime. A situação obrigou o parlamentar a buscar diretamente um delegado para formalizar a denúncia, evidenciando o que ele classificou como um possível cenário de desassistência às vítimas de ataques digitais.
O episódio ocorre em um momento em que tecnologias de inteligência artificial se tornaram amplamente acessíveis, permitindo que criminosos utilizem fotografias públicas para criar montagens íntimas falsas com aparência altamente convincente. O objetivo, em muitos casos, é causar constrangimento público, abalar reputações e gerar danos pessoais, políticos e profissionais irreversíveis.
O deputado também apontou que a disseminação desse tipo de conteúdo amplia o alcance do dano e pode configurar continuidade delitiva, uma vez que cada compartilhamento contribui para perpetuar os efeitos da suposta fraude.
A Polícia Civil confirmou que o caso foi registrado e que a investigação deverá incluir análise pericial da imagem e rastreamento digital para identificar os responsáveis pela criação e disseminação do material.
O deepfake é uma tecnologia baseada em inteligência artificial capaz de criar imagens falsas altamente realistas, inserindo o rosto de uma pessoa em situações que nunca ocorreram — incluindo conteúdo íntimo ou sexual.
Com acesso a fotos públicas, criminosos conseguem fabricar imagens convincentes, muitas vezes impossíveis de serem identificadas como falsas a olho nu.
Essa tecnologia tem sido usada para: difamação e destruição de reputações, extorsão e chantagem, ataques políticos e pessoais, constrangimento público deliberado e manipulação da opinião pública
O caso também evidenciou uma falha crítica no sistema de resposta a crimes virtuais: a ausência de estrutura com funcionamento contínuo e acessível.
Diferentemente dos crimes tradicionais, ataques digitais se espalham em segundos e exigem resposta imediata para evitar danos exponenciais. Sem atendimento ágil, o conteúdo pode alcançar milhares de pessoas antes mesmo de qualquer medida oficial ser adotada.
A situação levanta um alerta sobre a necessidade urgente de modernização da estrutura de combate a crimes digitais no estado.
Especialistas recomendam medidas preventivas importantes: evite exposição excessiva de imagens pessoais em redes pública. Fotos em alta resolução podem ser usadas para manipulação, por isso restrinja o acesso aos seus perfis pessoais e configure privacidade adequada nas redes sociais, monitorando seu nome na internet regularmente com buscas periódicas e que podem identificar ataques rapidamente.
Os especialistas também pedem para as vítimas preservarem provas em caso de ataque e salvarem links, imagens e registros imediatamente. E ainda registrarem boletim de ocorrência o mais rápido possível
A criação e divulgação de imagens falsas com objetivo de difamar pode gerar responsabilização criminal e civil, incluindo: difamação, injúria, fraude digital e danos morais com indenizações elevadas
Além da responsabilização penal, os autores podem ser condenados a indenizar a vítima pelos danos causados.
O caso envolvendo o deputado Júlio Campos simboliza uma nova realidade: reputações podem ser atacadas por imagens fabricadas digitalmente com poucos cliques.
Na era da inteligência artificial, qualquer pessoa com presença pública pode se tornar alvo.
Enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, o sistema de proteção ainda busca acompanhar — e a sociedade enfrenta um novo tipo de ameaça, invisível, silenciosa e potencialmente devastadora.
O caso encontra-se sob investigação oficial pelas autoridades competentes.
O conteúdo mencionado é objeto de apuração pericial, e sua autenticidade ou falsidade será determinada conforme os procedimentos legais aplicáveis, respeitando-se os direitos fundamentais, a presunção de inocência e o devido processo legal.