Política

Racha histórico: família Campos rompe politicamente com grupo de Mauro Mendes em MT

Júlio Campos chama aliados do governador de “corja”, acusa Mauro Mendes de agir como “ditador” e escancara guerra interna no União Brasil

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM TV PANTANAL 19/05/2026
Racha histórico: família Campos rompe politicamente com grupo de Mauro Mendes em MT
Durante entrevista ao programa Opinião, da TV Pantanal, do Grupo Gazeta de Comunicação, Júlio Campos fez ataques duros ao ex-governador e aos aliados ligados ao Palácio Paiaguás | Arquivo Página 12/Divulgação

A disputa pelo controle do União Brasil em Mato Grosso atingiu um novo e explosivo capítulo após o deputado estadual Júlio Campos subir o tom contra o governador Mauro Mendes e declarar publicamente o rompimento político da família Campos com o grupo que atualmente domina a sigla no Estado.

Durante entrevista ao programa Opinião, da TV Pantanal, do Grupo Gazeta de Comunicação, Júlio Campos fez ataques duros ao ex-governador e aos aliados ligados ao Palácio Paiaguás, afirmando que o União Brasil estaria sendo conduzido de forma autoritária e sem diálogo.

Em uma das falas mais contundentes da entrevista, o parlamentar afirmou que o antigo Democratas — legenda que posteriormente integrou a fusão que originou o União Brasil — teria cometido um “erro grave” ao receber Mauro Mendes e aliados após a saída do PSB, em 2018.

“Cometemos esse erro grave de aceitar essa corja”, declarou o deputado ao se referir ao grupo político do governador.

Júlio Campos também afirmou que ele e o senador Jayme Campos foram decisivos para viabilizar a candidatura de Mauro Mendes ao Governo de Mato Grosso em 2018.

Segundo o parlamentar, Mauro enfrentava dificuldades financeiras naquele período e teria contado com apoio político da família Campos para disputar e vencer a eleição estadual.

“Nós o lançamos candidato, bancamos a campanha dele e elegemos o governador”, afirmou.

As declarações escancararam o aprofundamento da crise interna no União Brasil e evidenciaram o rompimento político entre uma das famílias mais tradicionais da política mato-grossense e o atual grupo de poder instalado no Palácio Paiaguás.

Júlio Campos acusou ainda Mauro Mendes de agir de forma “petulante” e “ditatorial” dentro da legenda, afirmando que o governador tenta impor o nome do vice-governador Otaviano Pivetta como candidato ao Governo do Estado em 2026.

Segundo ele, a tentativa de consolidação da candidatura de Pivetta estaria sendo feita “goela abaixo”, sem construção política interna e sem diálogo com lideranças históricas do partido.

Apesar das críticas, Júlio reconheceu que Pivetta possui qualificação para disputar o cargo, mas reforçou que a definição do projeto político do partido deveria ocorrer de maneira democrática.

Nos bastidores políticos, as declarações foram interpretadas como uma ruptura pública definitiva entre o grupo da família Campos e o núcleo político liderado por Mauro Mendes, ampliando a tensão dentro do União Brasil e antecipando a disputa sucessória de 2026 em Mato Grosso.