Política
Racha histórico: família Campos rompe politicamente com grupo de Mauro Mendes em MT
Júlio Campos chama aliados do governador de “corja”, acusa Mauro Mendes de agir como “ditador” e escancara guerra interna no União Brasil
A disputa pelo controle do União Brasil em Mato Grosso atingiu um novo e explosivo capítulo após o deputado estadual Júlio Campos subir o tom contra o governador Mauro Mendes e declarar publicamente o rompimento político da família Campos com o grupo que atualmente domina a sigla no Estado.
Durante entrevista ao programa Opinião, da TV Pantanal, do Grupo Gazeta de Comunicação, Júlio Campos fez ataques duros ao ex-governador e aos aliados ligados ao Palácio Paiaguás, afirmando que o União Brasil estaria sendo conduzido de forma autoritária e sem diálogo.
Em uma das falas mais contundentes da entrevista, o parlamentar afirmou que o antigo Democratas — legenda que posteriormente integrou a fusão que originou o União Brasil — teria cometido um “erro grave” ao receber Mauro Mendes e aliados após a saída do PSB, em 2018.
“Cometemos esse erro grave de aceitar essa corja”, declarou o deputado ao se referir ao grupo político do governador.
Júlio Campos também afirmou que ele e o senador Jayme Campos foram decisivos para viabilizar a candidatura de Mauro Mendes ao Governo de Mato Grosso em 2018.
Segundo o parlamentar, Mauro enfrentava dificuldades financeiras naquele período e teria contado com apoio político da família Campos para disputar e vencer a eleição estadual.
“Nós o lançamos candidato, bancamos a campanha dele e elegemos o governador”, afirmou.
As declarações escancararam o aprofundamento da crise interna no União Brasil e evidenciaram o rompimento político entre uma das famílias mais tradicionais da política mato-grossense e o atual grupo de poder instalado no Palácio Paiaguás.
Júlio Campos acusou ainda Mauro Mendes de agir de forma “petulante” e “ditatorial” dentro da legenda, afirmando que o governador tenta impor o nome do vice-governador Otaviano Pivetta como candidato ao Governo do Estado em 2026.
Segundo ele, a tentativa de consolidação da candidatura de Pivetta estaria sendo feita “goela abaixo”, sem construção política interna e sem diálogo com lideranças históricas do partido.
Apesar das críticas, Júlio reconheceu que Pivetta possui qualificação para disputar o cargo, mas reforçou que a definição do projeto político do partido deveria ocorrer de maneira democrática.
Nos bastidores políticos, as declarações foram interpretadas como uma ruptura pública definitiva entre o grupo da família Campos e o núcleo político liderado por Mauro Mendes, ampliando a tensão dentro do União Brasil e antecipando a disputa sucessória de 2026 em Mato Grosso.