Política

A 3 meses da eleição, Lula lidera em seguidores nas redes e Flávio, tração

Petista fechou primeiro semestre com 38,9 milhões de base digital; senador liderou engajamento em 21 das 26 semanas analisadas, segundo dados da consultoria Bites

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 04/07/2026
A 3 meses da eleição, Lula lidera em seguidores nas redes e Flávio, tração
Lula mantém a maior base de seguidores entre os presidenciáveis, enquanto Flávio lidera a capacidade de mobilizar as redes sociais | Reprodução/Agência Senado

A exatos três meses das eleições gerais, a disputa digital entre os presidenciáveis desenha movimentos distintos nas redes sociais.

Se, por um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue com a maior base de seguidores, por outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a capacidade de mobilização do público nas plataformas. A análise foi feita pela consultoria Bites, a pedido da CNN.

Lula fechou o mês de junho com 38,9 milhões de seguidores, mantendo a maior audiência digital entre os presidenciáveis monitorados.

Flávio aparece em seguida, com 21 milhões, mas foi quem mais ganhou seguidores em números absolutos no primeiro semestre: cerca de 5,6 milhões, uma alta de 36%. Lula, por sua vez, somou mais 1,8 milhão de seguidores no período, o que representa um crescimento de 5%.

Os dados levam em conta a soma de seguidores nas principais redes sociais dos presidenciáveis: Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube.

Aumento da base digital no 1º semestre dos principais pré-candidatos:

  • Lula: 38,9 milhões (ganho de 1,8 milhão; alta de 5%)
  • Flávio Bolsonaro: 21 milhões (ganho de 5,6 milhões; alta de 36%)
  • Romeu Zema: 6,2 milhões (ganho de 2,4 milhões; alta de 63,3%)
  • Ronaldo Caiado: 4,7 milhões (ganho de 795 mil; alta de 20,1%)
  • Renan Santos: 2,8 milhões (ganho de 2,3 milhões; alta de 430,7%)

Os números refletem momentos distintos das duas principais forças políticas do país. Aos 80 anos, Lula lidera as pesquisas eleitorais de intenção de voto e se prepara para disputar um terceiro mandato no Palácio do Planalto. 

Flávio, por sua vez, tenta se firmar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível e preso. O senador corre para estancar divergências internas e consolidar seu nome como candidato viável.

A vantagem de Flávio sobre Lula aparece quando o critério deixa de ser o tamanho da audiência e passa a medir sua capacidade de mobilização.

A Bites também acompanha a tração, indicador que mostra quem consegue gerar mais repercussão nas redes sociais. Nesse quesito, Flávio liderou 21 das 26 semanas analisadas pela consultoria entre janeiro e junho. O senador foi superado apenas cinco vezes: três por Romeu Zema (Novo) e duas por Lula.

O petista apareceu à frente no início de janeiro, durante a repercussão do veto ao chamado PL da Dosimetria, e voltou a liderar entre o fim de maio e o início de junho, quando publicou um vídeo em defesa da soberania brasileira.

Zema, em contrapartida, registrou os maiores picos de tração em março e no fim de abril. Nos dois períodos, o mineiro intensificou as críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com a série de publicações “Os Intocáveis”.

Além de Lula, Flávio e Zema, outros pré-candidatos tentam ganhar espaço nas redes e se viabilizar para a disputa de outubro. O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro, com eventual segunda etapa em 25 do mesmo mês. 

Renan Santos (Missão) foi quem registrou o maior crescimento proporcional da base de seguidores, com alta de 430,7%, saltando de cerca de 537 mil para 2,8 milhões. Embora o avanço seja o maior entre os pré-candidatos, ele partia de uma base muito menor e ainda reúne menos seguidores do que os adversários.

Entre os demais nomes, Zema ampliou sua base em 63,3%, o equivalente a cerca de 2,4 milhões de seguidores. Ronaldo Caiado (PSD) ganhou aproximadamente 795 mil seguidores no semestre, crescimento de 20,1%.

Resumo dos principais indicadores:

  • Maior base: Lula (38,9 milhões)
  • Maior ganho absoluto: Flávio (+5,6 milhões)
  • Maior ganho proporcional: Renan (+430,7%)
  • Segundo maior ganho absoluto: Romeu Zema (+2,4 milhões)
  • Segundo maior ganho proporcional: Romeu Zema (+63,3%)

Os demais presidenciáveis mantêm um desempenho mais discreto. Aldo Rebelo (DC) soma 347 mil seguidores e teve um crescimento de 31,2%, enquanto Augusto Cury (14,4 milhões) e Cabo Daciolo (2 milhões) passaram a ser monitorados pela Bites apenas após o lançamento das pré-candidaturas.

Limitações dos dados

Especialistas alertam que o número de seguidores, por si só, não representa intenção de voto nem permite prever o resultado das urnas. As bases refletem fatores como tempo de presença nas plataformas, estratégias de comunicação, impulsionamento de conteúdo e até a existência de contas inativas ou robôs.

Para o advogado especialista em direito eleitoral Newton Lins, os dados das redes sociais devem ser interpretados com cautela. “Seguidores e engajamento mostram a capacidade de comunicação e mobilização dos candidatos, mas são apenas um dos indicadores da disputa eleitoral”, afirma.

Ainda assim, na leitura dele, o levantamento ajuda a traçar um panorama da disputa digital e de como os principais presidenciáveis vêm construindo presença e alcance nas plataformas digitais. 

O peso desse ambiente não é novidade na política brasileira. Em 2018, com pouco tempo de propaganda eleitoral na televisão, Jair Bolsonaro transformou as redes sociais em sua principal arena de campanha e alcançou uma projeção inédita na política brasileira.

O cenário de 2026 é diferente, mas a disputa pelo engajamento digital continua sendo uma peça importante na construção das candidaturas, na montagem dos palanques e na tentativa de influenciar o eleitorado nos meses que antecedem a eleição.