Brasil
O que muda em termos de vigilância após 1º caso de varíola dos macacos no Brasil
Serviços de saúde devem reforçar a vigilância e, à população, cabe atenção aos sintomas da doença, segundo especialistas
12/06/2022
Identificação precoce dos casos
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou nesta semana à imprensa que existe um risco da varíola dos macacos se estabelecer em países não endêmicos. A OMS alerta que o cenário pode ser evitado, desde que os países afetados empenhem esforços para identificar todos os casos e contatos para controlar os surtos da doença. “Para apoiar os países, a OMS emitiu orientações sobre vigilância da varíola dos macacos e rastreamento de contatos, testes de laboratório e diagnóstico. Nos próximos dias, emitiremos orientações sobre cuidados clínicos, prevenção e controle de infecções, vacinação e mais orientações sobre proteção da comunidade”, afirmou Adhanom. Com o objetivo de ampliar a capacidade de testagem, profissionais da saúde de sete países da América Latina participaram de uma capacitação para diagnóstico laboratorial do vírus da varíola dos macacos, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Profissionais de institutos nacionais de saúde da Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela foram treinados para a realização do diagnóstico molecular, baseado na identificação do material genético do vírus, por meio da metodologia de PCR em tempo real (protocolo padrão adotado pela OMS).Transmissão por contato sexual
A OMS alerta que parte dos casos de varíola dos macacos tem sido identificada em pacientes gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens. Segundo a OMS, pessoas trans também podem estar mais vulneráveis no contexto do atual surto. A doença também pode ser transmitida pelo contato com a pele durante o sexo, incluindo beijos, toques, sexo oral e com penetração com alguém que tenha sintomas. Como medidas de proteção, a OMS recomenda evitar contato próximo com qualquer pessoa que tenha sintomas. Com a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil, o médico infectologista Álvaro Furtado, Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a população deve ter atenção com os sinais da doença, que incluem feridas na pele. “O que muda é que temos que orientar as pessoas com relação à atividade sexual, especialmente quanto ao aparecimento de lesão na genital, ou mesmo pelo corpo. Essas lesões são de formato de bolha, que podem aparecer em todo o corpo, mas não são muito dolorosas. Se isso surgir, as pessoas têm que procurar o serviço de saúde para serem avaliadas”, diz o especialista. As medidas de prevenção incluem a busca por atendimento médico diante dos sintomas, seguido de isolamento em casa. Deve-se evitar o contato com a pele, rosto e contato sexual com qualquer pessoa que tenha sintomas. As mãos, objetos e superfícies que são tocados regularmente devem ser higienizados. A OMS recomenda, ainda, o uso de máscara se estiver em contato próximo com alguém com sintomas. “Com base nos relatos de casos até o momento, esse surto está sendo transmitido por meio de redes sociais conectadas principalmente por meio de atividade sexual, envolvendo principalmente homens que fazem sexo com homens. Muitos – mas não todos os casos – relatam parceiros sexuais casuais ou múltiplos, às vezes associados a grandes eventos ou festas”, disse Hans Henri P. Kluge, diretor regional da OMS para a Europa. O diretor da OMS destacou que o vírus pode afetar qualquer pessoa, independente de orientação ou prática sexual. Em comunicado, a OMS também afirmou: “estigmatizar as pessoas por causa de uma doença nunca é bom. Qualquer pessoa pode contrair ou transmitir a varíola dos macacos, independentemente de sua sexualidade”.Mais lidas
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