Cotidiano

TRAGÉDIA NO MANSO: corpo de vítima emerge após quatro dias de angústia; buscas continuam em lago tomado por vento e correnteza

A confirmação veio do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, que realiza o resgate e promete detalhar tudo em coletiva às 18h

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CORPO DE BOMBEIROS-MT 31/12/2025
TRAGÉDIA NO MANSO: corpo de vítima emerge após quatro dias de angústia; buscas continuam em lago tomado por vento e correnteza
Ainda não se sabe quem é a vítima encontrada — se o turista Lucas Yerdliska, de 33 anos, ou o piloto Vando Celso Almeida Orro, de 64 | Divulgação

O silêncio tenso das águas do Lago do Manso foi rompido na tarde de quarta-feira (31). O corpo de uma das vítimas do naufrágio finalmente apareceu, encerrando — parcialmente — quatro dias de desespero, esperança e buscas incessantes. A confirmação veio do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, que realiza o resgate e promete detalhar tudo em coletiva às 18h.

Ainda não se sabe quem é a vítima encontrada — se o turista Lucas Yerdliska, de 33 anos, ou o piloto Vando Celso Almeida Orro, de 64. Uma informação inicial sobre dois corpos chegou a circular, mas foi corrigida: apenas um foi localizado até agora. A busca pelo segundo desaparecido segue, em um cenário descrito pelos próprios socorristas como hostil e traiçoeiro.

Era noite de domingo (28) quando a lancha virou. Em minutos, o temporal transformou o lago em armadilha mortal. Ondas altas, rajadas violentas e correnteza forte pegaram a embarcação de pequeno porte de surpresa. A bordo, um casal, dois filhos pequenos e o piloto.

O que se seguiu foi pânico. Um menino de seis anos, usando colete salva-vidas, lutou contra as ondas, alcançou a margem e salvou a família ao pedir ajuda. A mãe e o bebê foram resgatados ainda naquela noite. Dois homens desapareceram nas águas escuras.

“Foi tudo muito rápido. O céu estava limpo, a água calma… e de repente o vento veio com força”, relatou a sobrevivente.

Desde então, o lago virou campo de batalha. Helicópteros, embarcações, drone, moto aquática, apoio da Marinha e da Polícia Ambiental — tudo foi acionado. A navegação noturna chegou a ser suspensa por segurança. Objetos da lancha — colete, mochila — surgiram na segunda-feira (29), sinais mudos do que aconteceu.

Agora, com um corpo encontrado, a esperança se mistura ao luto. As equipes continuam vasculhando o reservatório, seguindo a correnteza que mudou com o temporal. A Capitania dos Portos abriu procedimento para apurar as causas e verificar normas de segurança da embarcação.

O Lago do Manso, represa que virou cartão-postal e atrai turistas e condomínios de luxo, mostrou seu lado mais cruel. O alerta fica: o clima muda rápido, e o lago cobra caro.

A tragédia ainda não acabou. As buscas continuam — e o Manso, mais uma vez, não devolveu todos.