Cotidiano
TRAGÉDIA NO MANSO: corpo de vítima emerge após quatro dias de angústia; buscas continuam em lago tomado por vento e correnteza
A confirmação veio do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, que realiza o resgate e promete detalhar tudo em coletiva às 18h
O silêncio tenso das águas do Lago do Manso foi rompido na tarde de quarta-feira (31). O corpo de uma das vítimas do naufrágio finalmente apareceu, encerrando — parcialmente — quatro dias de desespero, esperança e buscas incessantes. A confirmação veio do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, que realiza o resgate e promete detalhar tudo em coletiva às 18h.
Ainda não se sabe quem é a vítima encontrada — se o turista Lucas Yerdliska, de 33 anos, ou o piloto Vando Celso Almeida Orro, de 64. Uma informação inicial sobre dois corpos chegou a circular, mas foi corrigida: apenas um foi localizado até agora. A busca pelo segundo desaparecido segue, em um cenário descrito pelos próprios socorristas como hostil e traiçoeiro.
Era noite de domingo (28) quando a lancha virou. Em minutos, o temporal transformou o lago em armadilha mortal. Ondas altas, rajadas violentas e correnteza forte pegaram a embarcação de pequeno porte de surpresa. A bordo, um casal, dois filhos pequenos e o piloto.
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ACIDENTE NAÚTICO Lancha vira no Lago do Manso e mobiliza forças de resgate em Chapada dos Guimarães ACIDENTE NAÚTICO Corpo de Bombeiros realiza buscas por desaparecidos após naufrágio de embarcaçãoO que se seguiu foi pânico. Um menino de seis anos, usando colete salva-vidas, lutou contra as ondas, alcançou a margem e salvou a família ao pedir ajuda. A mãe e o bebê foram resgatados ainda naquela noite. Dois homens desapareceram nas águas escuras.
“Foi tudo muito rápido. O céu estava limpo, a água calma… e de repente o vento veio com força”, relatou a sobrevivente.
Desde então, o lago virou campo de batalha. Helicópteros, embarcações, drone, moto aquática, apoio da Marinha e da Polícia Ambiental — tudo foi acionado. A navegação noturna chegou a ser suspensa por segurança. Objetos da lancha — colete, mochila — surgiram na segunda-feira (29), sinais mudos do que aconteceu.
Agora, com um corpo encontrado, a esperança se mistura ao luto. As equipes continuam vasculhando o reservatório, seguindo a correnteza que mudou com o temporal. A Capitania dos Portos abriu procedimento para apurar as causas e verificar normas de segurança da embarcação.
O Lago do Manso, represa que virou cartão-postal e atrai turistas e condomínios de luxo, mostrou seu lado mais cruel. O alerta fica: o clima muda rápido, e o lago cobra caro.
A tragédia ainda não acabou. As buscas continuam — e o Manso, mais uma vez, não devolveu todos.