Cotidiano

JUROS DE 20% E AMEAÇAS: operação fecha o cerco contra família investigada por agiotagem em Cuiabá

Casal e genro são suspeitos de comandar esquema de empréstimos ilegais, cobranças dentro de casas e locais de trabalho e uso de promissórias para levar supostas vítimas à Justiça

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 18/09/2026
JUROS DE 20% E AMEAÇAS: operação fecha o cerco contra família investigada por agiotagem em Cuiabá
Uma operação da Polícia Civil colocou sob investigação uma família suspeita de transformar empréstimos clandestinos em uma verdadeira máquina de cobrança, medo e pressão psicológica em Cuiabá | PC-MT

Uma operação da Polícia Civil colocou sob investigação uma família suspeita de transformar empréstimos clandestinos em uma verdadeira máquina de cobrança, medo e pressão psicológica em Cuiabá.

Um homem de 76 anos, uma mulher de 55 e o genro do casal, de 29, foram alvos da Operação Broken Chain, deflagrada nesta sexta-feira (18) pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon).

Segundo a investigação, o grupo familiar teria emprestado dinheiro de maneira irregular e cobrado juros que chegavam a impressionantes 20% ao mês. Cheques e notas promissórias seriam utilizados como garantia das operações.

Os investigados são apurados pelos supostos crimes de agiotagem e associação criminosa. Somadas, as penas máximas podem chegar a cinco anos de prisão, além de multa.

A Polícia Civil também apura a possível prática de extorsão diante de relatos de vítimas que afirmam ter sofrido ameaças, intimidações e forte pressão durante as cobranças.

Buscas chegam a condomínio de luxo

Por determinação da Justiça, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em dois endereços da Capital.

Um dos imóveis está localizado em um condomínio de luxo no bairro Morada dos Nobres. A segunda residência fica no bairro Recanto dos Pássaros.

Durante as buscas, foram apreendidos R$ 9.970 em dinheiro, dezenas de notas promissórias e centenas de documentos. Também foram encontradas listas com números e informações de processos judiciais movidos contra pessoas apontadas como possíveis vítimas.

Todo o material será analisado pela Decon. A documentação poderá revelar a dimensão do suposto esquema e ajudar na identificação de outras pessoas que teriam sido submetidas às cobranças.

Pegou R$ 5 mil, pagou R$ 8,5 mil e ainda devia R$ 14 mil

Um dos relatos que integram a investigação chama a atenção pelos valores.

Segundo a Polícia Civil, uma pessoa teria tomado emprestados R$ 5 mil e pago aproximadamente R$ 8,5 mil. Mesmo depois dos pagamentos, ainda teria sido cobrada em mais R$ 14 mil.

As supostas vítimas também relataram abordagens em suas residências e locais de trabalho, além de ameaças e pressão psicológica.

A investigação encontrou indícios de que outras pessoas poderiam ter sido utilizadas para executar as cobranças. Alguns títulos de crédito entregues como garantia teriam sido posteriormente empregados em ações judiciais contra os próprios devedores.

Justiça proíbe contato com vítimas

A Justiça determinou que os três investigados não mantenham contato direto ou indireto com vítimas e testemunhas. Eles também deverão permanecer a uma distância mínima de 200 metros dessas pessoas.

A decisão suspendeu qualquer atividade relacionada à oferta, concessão, intermediação, negociação ou cobrança de empréstimos com juros.

A proibição alcança operações realizadas pessoalmente, por empresas, intermediários, redes sociais ou aplicativos de mensagens.

O descumprimento das medidas judiciais poderá levar à adoção de providências mais severas. Conforme a Polícia Civil, uma eventual ligação dos investigados com facções criminosas também poderá fundamentar pedido de prisão preventiva.

Polícia procura outras vítimas

O delegado Rogério Ferreira, responsável pela Decon, orientou eventuais vítimas de agiotagem — principalmente aquelas submetidas a violência, ameaças ou grave intimidação — a procurarem a Polícia Civil e registrarem boletim de ocorrência.

Comprovantes de empréstimos, recibos de pagamentos, mensagens, áudios, cheques, promissórias e registros de cobranças podem ajudar a demonstrar a repetição das práticas investigadas.

A Polícia Civil pretende agora seguir o rastro dos documentos e descobrir até onde pode ter chegado o suposto esquema.

Os fatos ainda estão sob investigação. Os envolvidos não tiveram os nomes divulgados e terão assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.