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ROMBO MILIONÁRIO NA ODONTOLOGIA: PF mira dentista de Cuiabá em operação sobre suspeita de desvio de R$ 40 milhões

Operação Apolônia cumpriu mandados em Mato Grosso e São Paulo; Justiça Federal determinou bloqueio de até R$ 57 milhões em bens e contas dos investigados

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 17/09/2026
ROMBO MILIONÁRIO NA ODONTOLOGIA: PF mira dentista de Cuiabá em operação sobre suspeita de desvio de R$ 40 milhões
Durante as buscas, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro, além de veículos e outros materiais que deverão ser analisados no decorrer das investigações | Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) uma ofensiva para investigar um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo aproximadamente R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Entre os alvos da Operação Apolônia está o dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, de Cuiabá. A ação policial também alcançou ex-dirigentes do Conselho Federal de Odontologia, empresários e pessoas supostamente relacionadas às movimentações financeiras investigadas.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal do Distrito Federal.

Durante as buscas, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro, além de veículos e outros materiais que deverão ser analisados no decorrer das investigações.

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 57 milhões em contas bancárias e bens pertencentes aos investigados. A medida busca impedir a movimentação do patrimônio e garantir eventual ressarcimento, caso as irregularidades sejam comprovadas.

Arquivo Página 12
Arquivo Página 12

Dinheiro do Conselho sob investigação

A Operação Apolônia apura suspeitas de irregularidades na transferência de aproximadamente R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia para uma empresa privada responsável pela administração de investimentos da entidade.

Segundo as informações da investigação, a empresa não teria autorização do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado de investimentos.

Os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo transferências entre empresas e pessoas ligadas aos alvos da operação, circulação dos recursos por diferentes contas e remessas de dinheiro para outros países.

A Polícia Federal trabalha para esclarecer o destino dos valores, identificar os beneficiários das operações e apurar se recursos pertencentes ao sistema de Odontologia foram desviados ou ocultados por meio de operações financeiras.

Gestão anterior é apontada pelo CFO

Em nota, o Conselho Federal de Odontologia afirmou que os fatos investigados ocorreram durante uma gestão anterior da entidade.

Segundo o CFO, os responsáveis pela administração no período investigado já haviam sido afastados por decisão da Justiça Federal, em razão de irregularidades relacionadas à destinação dos recursos do conselho.

O atual presidente da entidade, Jairo Santos Oliveira, assumiu o cargo em 28 de janeiro de 2026, também por determinação judicial. Desde então, conforme a nota, o CFO vem colaborando com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

O conselho informou ainda que três antigos dirigentes já foram condenados pelo TCU a devolver mais de R$ 50 milhões aos cofres da entidade.

Em 26 de agosto de 2026, a atual gestão também reprovou as contas referentes ao período em que os investimentos investigados foram registrados.

“O CFO acompanha o caso e permanece à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União para prestar todos os esclarecimentos necessários”, informou a entidade.

Defesa não foi localizada

A reportagem tentou localizar a defesa de Luiz Evaristo Ricci Volpato, mas não obteve manifestação até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

O Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso também foi procurado, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

A condição de alvo de busca e apreensão não representa condenação. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas durante a investigação, e os envolvidos terão assegurados o contraditório e a ampla defesa.

A Polícia Federal deve analisar documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e demais materiais apreendidos para reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar se houve desvio, lavagem de capitais ou participação de outras pessoas no suposto esquema.