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Áustria confinará sua população a partir de segunda-feira e imporá vacinação obrigatória contra a covid-19
Governo anuncia que a medida será aplicada durante 20 dias e insiste em que a imunização, entre as mais baixas na Europa, com 66%, é o único caminho
O chanceler disse à imprensa que não vê problemas legais para impor a vacinação obrigatória. Aproveitou também para recordar que há “forças políticas que lutam contra a vacinação”, em referência indireta à ultradireita, algo que qualificou de “irresponsável”.
Os governos dos Estados da Alta Áustria e Salzburgo, as regiões mais afetadas, já se coordenaram nesta quinta-feira para aplicar o confinamento na semana que vem, com a esperança de que a conferência dos líderes dos nove Estados federados com o chanceler (primeiro-ministro) realizadas nesta sexta-feira no Tirol decidisse aplicar a medida a toda a população (8,9 milhões de habitantes).
O próprio chanceler relutava até esta quinta-feira em impor um novo confinamento aos dois terços da população já vacinados, depois de seu partido, o ÖVP, declarar que considerava a pandemia encerrada. Desde segunda-feira, vigora a imposição de um confinamento aos não vacinados, mas a medida não é fácil de controlar, e a maioria dos assessores de saúde do Governo considera que foi adotada tarde demais.
A Áustria bate recordes diários de novos contágios, e o sistema sanitário já está muito sobrecarregado, chegando ao limite nos dois Estados mais afetados, a Alta Áustria e Salzburgo. Na quinta-feira foram contabilizados 15.145 casos novos e 55 mortos —o total da pandemia no país chega a 11.903 óbitos. A incidência também subiu, atingindo 1.540 novas infecções por 100.000 habitantes num intervalo de 14 dias.
Perante este cenário, a pressão sobre o Governo cresceu na quinta-feira, e vários líderes regionais —em especial nos Estados de Burgenland e Viena, governados por sociais-democratas— defenderam um confinamento solidário em todo o país, enquanto outros mantinham suas dúvidas em torno de uma medida tão drástica.