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EUA e Japão traçam plano de resposta conjunta a ataque chinês a Taiwan

Washington estabelecerá uma base em uma ilha japonesa se Pequim decidir agir, de acordo com um esboço divulgado por Tóquio

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM EL PAÍS 23/12/2021
EUA e Japão traçam plano de resposta conjunta a ataque chinês a Taiwan
Foto: ANN WANG (REUTERS)
Japão e Estados Unidos reafirmam seu compromisso com a defesa de Taiwan. Os exércitos dos dois países traçam o desenho de um plano que permitirá lançar uma operação conjunta em caso de um ataque chinês, conforme noticiou a agência de notícias japonesa Kyodo, citando fontes anônimas do governo japonês. A informação chega em plena escalada entre potências, que neste outono acirrou os ânimos no estreito que separa a ilha do continente asiático. Os detalhes serão formalizados, segundo as fontes, em reunião 2 + 2 marcada para janeiro entre os ministros da Defesa e Relações Exteriores dos dois países. O anúncio acentua a crise com Pequim, que proclamou que buscará a reunificação de Taiwan, que era uma colônia japonesa, recorrendo, se necessário, à força. Essa pressão diplomática e militar se intensificou nos últimos dois anos, para raiva de Taipei e preocupação dos Estados Unidos. O Governo de Taiwan garantiu que prefere a paz, mas que se defenderá se necessário. De acordo com esse plano, que ainda é um rascunho, os fuzileiros navais dos Estados Unidos estabelecerão uma base temporária em uma das ilhas do arquipélago japonês de Ryūkyū (também conhecido como Nansei), localizada entre o Japão e Taiwan, para reagir aos avanços de Pequim. As fontes citadas acrescentam que os americanos teriam ajuda japonesa, apoio logístico, munição e suprimento de combustível, se necessário. O local final é embaralhado entre 40 candidatos. O arquipélago tem cerca de 200 ilhas, incluindo algumas desabitadas, e se estende de Kyushu, uma das quatro principais ilhas do Japão, até Taiwan.

Os Estados Unidos, como a maioria dos países do mundo, alinham-se à política de Uma China, que reconhece a existência de um único país no mundo chamado China, e cujo representante é o Governo de Pequim. Considera Taiwan uma parte inalienável do seu território, a última peça a recuperar o que foi perdido nas mãos das forças estrangeiras durante o que na China é conhecido como o seu "século de humilhação" antes da proclamação da República Popular em 1949.

Taipei, que defende sua independência de Pequim, mantém relações diplomáticas apenas com uma dezena de Estados, a maioria na África e na América Latina (recentemente, a Nicarágua as rompeu). Muitas outras capitais, lideradas por Washington, têm laços informais amigáveis. A Lei das Relações com Taiwan dos Estados Unidos de 1979 permite a venda de armas à ilha, da qual é um dos seus principais fornecedores,

No pano de fundo, está a disputa pela superioridade econômica, tecnológica e militar que os Estados Unidos e a China trilham e que certamente marcará o cenário geopolítico do restante do século.

O Japão e os Estados Unidos destacaram em uma declaração conjunta a importância da "paz e estabilidade no estreito de Taiwan" quando Joe Biden se encontrou com o então primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga em abril. Foi a primeira vez em meio século que os líderes dos dois países mencionaram Taiwan em um comunicado.