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Armas dos EUA para a Ucrânia e expansão da Otan acirram relação com a Rússia

Enquanto o Congresso americano discute liberar verbas para enviar mais armas à Ucrânia, presidente francês diz que Putin não busca anexar território ucraniano, mas deter expansão dos países da Otan

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 13/02/2022
A quem interessa a possibilidade de um conflito armado na Ucrânia? De imediato, ganha quem fatura com a venda de armas. E o Congresso dos Estados Unidos se prepara para votar um projeto de lei chamado “Proteger a Ucrânia”, no valor de US$ 500 milhões, para fornecer armamento ao país vizinho da Rússia. Bem armada, a Ucrânia teria alguma chance de vencer uma disputa militar com a Rússia de Vladimir Putin?
Especialistas cravam que não. Além da superioridade militar, a Rússia é uma potência atômica, o que torna impossível um confronto direto dos aliados do Tratado do Atlântico Norte, a Otan, com Moscou. Mas quase todos os países da região estão comprando armas, equipamentos militares e munição. O risco de um enfrentamento e o aumento da tensão dão aos políticos, em Washington, o ingrediente necessário para unir o que as discussões da política interna não permitem. Republicanos e Democratas costumam abandonar as diferenças quando precisam tomar decisões sobre guerras e conflitos distantes. É o que se vê agora. O Congresso americano está discutindo a aprovação de um pacote de sanções à Rússia e a liberação de verba para enviar mais armas à Ucrânia e aos países do leste europeu. O Senador Bernie Sanders, de 80 anos, é um veterano da dissidência. E confirmou a postura esta semana, na tribuna do Senado, quando trouxe à tona o histórico que, segundo ele, levou o mundo ao conflito que agora ocupa as manchetes do planeta. “A América pode fazer algumas coisas para cutucar Putin e levá-lo a mudar de rumo”, disse Sanders. Ele argumentou, como muitos historiadores, que a rápida expansão da Otan até a fronteira da Rússia, nos anos 1990, puxada pelos Estados Unidos, foi um erro estratégico que desestabilizou as relações entre os países. “Mesmo que não fosse governada por um líder autoritário e corrupto como Vladimir Putin, a Rússia, assim como os Estados Unidos, teria interesse nas políticas de segurança de seus vizinhos. Ou alguém acredita que os Estados Unidos não teriam nada a dizer caso, por exemplo, o México formasse uma aliança militar com um adversário da América?”, perguntou Sanders aos colegas do Senado. John Joseph Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, PhD em relações internacionais pela Universidade Cornell, escreveu um artigo nesta semana que sustenta a tese defendida por Sanders. Mearshemeir conta que a primeira rodada de expansão da Otan aconteceu em 1999 com a inclusão da República Tcheca, da Hungria e da Polônia. Em 2004, foi a vez de Bulgária, Estônia, Lituânia, Letônia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia.