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Rússia amplia invasão na Ucrânia e se aproxima de Kiev

Aconteceu nesta sexta-feira (25)

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 25/02/2022
No segundo dia da guerra, a Rússia segue ampliando a invasão contra a Ucrânia. Autoridades ucranianas disseram nesta sexta-feira (25) que esperam pelo “dia mais difícil da guerra”. A capital, Kiev, espera pela chegada de tropas russas. As sirenes voltaram a ser acionadas. Assista ao vivo acima a cobertura especial da CNN. O assessor do Ministério do Interior ucraniano, Anton Herashchenko, afirmou que as forças de Kiev estão prontas para a defesa com mísseis antitanque fornecidos por aliados estrangeiros. Novas explosões foram ouvidas na capital nesta madrugada. Autoridades de inteligência dos EUA estão preocupadas que Kiev possa cair sob controle russo dentro de dias, segundo relataram duas fontes familiarizadas com as informações mais recentes à CNN. Em novo vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu resistência à invasão russa e criticou os aliados da Ucrânia. “Nesta manhã, estamos defendendo nosso país sozinhos. Assim como ontem, o país mais poderoso do mundo olha de longe”, disse Zelensky, parecendo se referir aos Estados Unidos. “A Rússia foi atingida ontem por sanções, mas não são suficientes para tirar as tropas estrangeiras de nosso solo. Às 4 da manhã, as forças russas resumiram seus ataques com mísseis no território da Ucrânia”, declarou. Repórteres da CNN em Kiev e Lviv, cidade no oeste do país, ouviram sirenes de ataque aéreo durante vários minutos por volta das 7 horas, no horário local (2 horas no horário de Brasília).

O que de mais importante aconteceu nesta sexta-feira

Fotos – Guerra da Rússia contra a Ucrânia entra no segundo dia

Números da guerra

O Ministério de Defesa da Ucrânia afirmou que suas forças armadas mataram 1000 soldados das forças russas desde que a invasão começou. “A Rússia não sofreu um número tão grande de baixas durante este período de hostilidades em todo o período de sua existência em nenhum dos conflitos armados que iniciou”, diz uma publicação nas redes sociais do Ministério. Ainda segundo a pasta, 30 tanques, sete aeronaves e seis helicópteros do exército russo foram abatidos. De cerca de 500 brasileiros que vivem na Ucrânia, 180 procuraram a embaixada brasileira no país para pedir ajuda ou informações, segundo comunicado do Itamaraty. A procura tem aumentando consideravelmente – ontem o número era de 93. Na Ucrânia, a população se divide entre se proteger em estações de metrô adaptadas como bunkers e tentar sair da região rumo ao oeste. Longas filas se formaram nas principais avenidas de Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyconvocou a população para defender o país e disse que “cidadãos podem utilizar armas para defender território”.

Putin conversa com Xi Jinping

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping / Reuters
Vladimir Putin disse ao presidente chinês Xi Jinping, durante uma ligação nesta sexta, que a Rússia está disposta a manter conversas de alto nível com a Ucrânia. Segundo a CCTV, televisão estatal chinesa, Xi teria expressado apoio aos “os esforços de se resolver a situação pelo diálogo”. “A Rússia está disposta a conduzir negociações de alto nível com a Ucrânia”, declarou Putin. “Os Estados Unidos e a Otan há muito ignoram as preocupações de segurança razoáveis ​​da Rússia, repetidamente renegaram seus compromissos e continuaram a avançar no deslocamento militar para o leste, desafiando os resultados estratégicos da Rússia”, disse o russo ao líder chinês.

Rússia: diálogo só acontecerá se ucranianos entregarem armas

O ministro Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em entrevista com o homólogo brasileiro Carlos Alberto Franco França
O ministro Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em entrevista com o homólogo brasileiro Carlos Alberto Franco França / Reprodução/CNN Brasil (16.fev.2022)
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse em uma coletiva de imprensa nesta sexta que Moscou estará pronta para conversar com Kiev, mas apenas quando os militares da Ucrânia abandonarem suas armas. Lavrov também afirmou que a Rússia quer “que o povo ucraniano seja independente e tenha a possibilidade de definir livremente seu destino”. No momento, as forças russas se aproximam da capital Kiev, que pode cair em dias, segundo informações da Inteligência dos Estados Unidos.

Kiev pode cair em dias, diz Inteligência dos EUA

Autoridades de inteligência dos EUA estão preocupadas que Kiev possa cair sob controle russo dentro de dias, segundo relataram nesta sexta duas fontes familiarizadas com as informações mais recentes. Autoridades acreditam que a Rússia está enfrentando uma resistência mais dura das forças ucranianas do que o previsto, segundo as fontes. Mas as autoridades naquele briefing para o Capitólio se recusaram a dizer se acreditavam que Kiev cairia. Autoridades de inteligência ocidentais avaliam que o plano da Rússia é derrubar o governo em Kiev e instalar um governo proxy amigável à Rússia – mas eles ainda não sabem se Putin tentará ocupar e manter o território ucraniano depois, uma das fontes familiarizadas com a Inteligência disse à CNN.

Ucranianos fazem filas para pegar em armas, diz ex-presidente

O ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que comandou o país de 2014 a 2019, disse em entrevista à CNN que os ucranianos fizeram filas nos últimos dias para pegar em armas e ajudar a bloquear o avanço das tropas da Rússia. Ele também mostrou um fuzil AK-47, que chamou de “sua assistente”, e disse que seu batalhão tem outras armas, apesar de não dispor de equipamentos pesados para enfrentar tanques russos.

Matar o presidente

Um dos objetivos da guerra deflagrada pela Rússia contra a Ucrânia é matar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pessoalmente, de acordo com um assessor do gabinete da presidência do país. Assessores da presidência da Ucrânia disseram que Zelensky ainda está na capital do país.
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / Reprodução

Espaço aéreo segue fechado

Por causa dos ataques, o espaço aéreo da Ucrânia continua fechado. Autoridades temem que aeronaves com civis possam ser atingidas por armas russas. “Devido ao alto risco para a segurança da aviação, a Empresa Ucraniana de Serviços de Tráfego Aéreo (UkSATSe) decidiu fechar temporariamente o espaço aéreo da Ucrânia para a aviação civil”. Abaixo, confira reprodução da Flight Aware de como foi a movimentação dos aviões na quinta-feira (24):
Espaço aéreo na Ucrânia foi completamente fechado após invasão de tropas russas no país / Reprodução Flight Aware

Radiação em Chernobyl

A agência nuclear da Ucrânia informou que está registrando um aumento nos níveis de radiação do local da extinta usina nuclear de Chernobyl. Os russos tomaram Chernobyl na quinta-feira (24): autoridades ucranianas confirmaram que as forças russas ultrapassaram o local do pior desastre nuclear do mundo. A Casa Branca condenou a Rússia por “relatos confiáveis” de que funcionários civis da usina de Chernobyl, no norte da Ucrânia, foram feitos reféns.
Usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia / 03/04/2021 REUTERS/Gleb Garanich

Fórmula 1 suspende Grande Prêmio da Rússia

Fórmula 1, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e as equipes das escuderias anunciaram, nesta sexta-feira (25), que a realização do Grande Prêmio da Rússia desta temporada está suspensa. Em comunicado conjunto, os envolvidos explicaram que houve uma reunião na noite de quinta-feira (24) e a conclusão foi de que “é impossível realizar o GP da Rússia nas circunstâncias atuais”.
Max Verstappen e Lewis Hamilton lado a lado durante corrida em dezembro de 2021. / Reuters/Mike Blake

Uefa muda final da Liga

Após reunião do Comitê Executivo da Uefa, a entidade decidiu por transferir a final da Champions League, marcada para o dia 28 de maio. O jogo que até então aconteceria em São Petersburgo, na Rússia, agora acontecerá no Stade de France, em Paris. “A Uefa deseja expressar os seus agradecimentos e apreço ao Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, pelo seu apoio pessoal e empenho em transferir o jogo mais prestigiado do futebol europeu de clubes para França num momento de crise sem precedentes”, informou a instituição em nota.
Taça Champions League.
Taça da Champions League / Foto: Divulgação

Retaliação do Kremlin ao Reino Unido

Rússia proibiu companhias aéreas britânicas de pousar em seus aeroportos ou cruzar seu espaço aéreo, informou o órgão regulador russo de aviação civil. A medida segue a proibição de Londres aos voos da transportadora de bandeira russa Aeroflot imposta em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. O primeiro-ministro Boris Johnson anunciou a proibição na quinta-feira (24) no parlamento e a Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que suspendeu a permissão de transporte estrangeiro da Aeroflot.
Avião da British Airways, companhia aérea britânica / British Airways

China diz que mantém “comércio normal e cooperação com a Rússia”

Ministério das Relações Exteriores da China reagiu nesta sexta-feira (25) contra o comentário do presidente dos EUA, Joe Biden, de que qualquer país que apoiasse a invasão da Rússia seria “manchado por associação”. Ao também responder crítica da Austrália sobre manter relações comerciais com a Rússia, o país afirmou que se baseia  em “mútuo respeito”. O porta-voz do ministério, Wang Wenbin, fez as declarações em uma coletiva de imprensa diária. Segundo representante do órgão, a China conduz um “comércio normal e cooperação com a Rússia”.
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin / 14/12/2020 REUTERS/Thomas Peter

Rússia reprime protestos

A polícia da Rússia deteve só na quinta-feira (24) mais de 1.600 russos que protestaram contra a operação militar na Ucrânia, enquanto as autoridades ameaçaram bloquear reportagens da mídia que contenham o que Moscou descreveu como “informação falsa”. Ao menos 44 cidades registraram manifestações contra a ofensiva russa contra o território ucraniano. Em atos de dissidência cautelosa, mas incomum no país, estrelas pop russas, jornalistas, um comediante de televisão e um jogador de futebol se opuseram à guerra on-line depois que o presidente Vladimir Putin lançou uma invasão da Ucrânia nas primeiras horas desta quinta-feira (24). Falando na Casa Branca na parte da tarde, Joe Biden disse que o governo americano, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e demais aliados limitariam a capacidade da Rússia de fazer negócios em dólares e outras moedas com o objetivo de impor “custos fortes agora e ao longo do tempo”.

Joe Biden anunciou “maiores sanções da história” contra Rússia

primeiro pronunciamento oficial do presidente norte-americano deu conta de anunciar que EUA e aliados iriam impor sanções históricas contra a Rússia, como o esperado e previamente anunciado. Biden classificou o ataque como “não provocado e sem necessidade” e disse que o presidente Putin “será um pária no cenário internacional”. “Sancionamos seus bancos, cortamos seus maiores bancos, um terço está fora do sistema econômico. O segundo maior banco da Rússia foi sancionado também”, disse. “Enquanto apertamos sua capacidade de recuperação, cortaremos mais da metade da sua força”. Não haverá, no entanto, emprego de tropas dos Estados Unidos na região neste momento, afirmou Biden. “Nossas forças não irão lutar no território ucraniano, mas defenderemos nossos aliados. A boa notícia é que a Otan está mais unida e determinada que nunca com nossos compromissos”. “Ninguém esperava que as sanções iriam impedir o que está acontecendo, isso levará tempo, ele testará se nós continuaremos unidos, e nós iremos. As sanções serão tão fortes quanto as balas e mísseis da Rússia na Ucrânia”, continuou. A CNN teve acesso ao projeto de resolução que os Estados Unidos apresentaram nesta quinta-feira (24) aos demais países do Conselho de Segurança da ONU, dentre os quais o Brasil. O documento tem duas páginas e é dividido em 20 tópicos. A proposta ainda está em negociação e pode sofrer alterações. Aqui estão algumas das sanções anunciadas:
  • Limitar a capacidade da Rússia de fazer negócios em dólares, euros, libras e ienes para fazer parte da economia global;
  • Limitar capacidade de financiar e aumentar as forças armadas russas;
  • Prejudicar sua capacidade de competir na economia de alta tecnologia do século 21;
  • Sanções contra bancos russos que juntos detêm cerca de US$ 1 trilhão em ativos.
Biden também avaliou que o presidente russo desejava uma “nova União Soviética”, mas que as “escolhas” dele com esta guerra deixariam “o mundo mais forte”. “Putin é o agressor, Putin começou essa guerra, e ele sofrerá as consequências”, disse.

Itamaraty: não há como fazer ação de resgate na Ucrânia

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que presta assistência aos brasileiros na Ucrânia, mas disse não existir condições, neste momento, de fazer uma ação de resgate no país. Atualmente, há 422 brasileiros que vivem na Ucrânia, segundo informação enviada à CNN por André Mourão, chefe consular em Kiev. Mais cedo, a embaixada brasileira da Ucrânia havia publicado orientações para os cidadãos e pediu para que os brasileiros presentes na capital Kiev não saiam ainda da cidade devido “grandes engarrafamentos” registrados.
Mesmo assim, o ministro de Relações Exteriores, Carlos França, deve se reunir com o secretário de estado dos EUA,  Antony Blinken, para discutir a crise entre Rússia e Ucrânia, reportou o analista da CNN, Gustavo Uribe. Nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PL) republicou orientações da embaixada do Brasil na Ucrânia. “Estou totalmente empenhado no esforço de proteger e auxiliar os brasileiros que estão na Ucrânia”, escreveu.

Bolsonaro sobre posição do Brasil: “Decisão é minha”

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, na quinta-feira (24), que é sua a decisão sobre o posicionamento do Brasil frente à guerra entre Rússia e Ucrânia. “Quem fala pelo país é o presidente e o presidente se chama Jair Messias Bolsonaro. Quem tem dúvida disso basta procurar o Artigo 84 [da Constituição Federal]. Quem está falando isso está falando sobre o que não lhe compete”, disse Bolsonaro em transmissão pelas redes sociais. A fala acontece após o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) declarar que os países do Ocidente devem usar a força em apoio aos ucranianos.

600 mil ucranianos no Brasil estão aflitos sem notícias de familiares, diz cônsul

O cônsul-honorário da Ucrânia em São Paulo, Jorge Rybka, falou à CNN sobre a situação dos ucranianos no Brasil após os ataques executados pela Rússia ao país do Leste Europeu. De acordo com o cônsul, a comunidade ucraniana no Brasil é representada por mais de 600 mil pessoas que estão “aflitas” por notícias de familiares que vivem no país. “Buscamos ainda a paz, a diplomacia, o que for possível. Pedimos que haja o retrocesso dessa invasão territorial”, disse Rybka.

Sanções vão erodir base industrial russa, diz von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que um próximo pacote de sanções da União Europeia atingirá severamente a economia da Rússia, aumentando a saída de capital, elevando a inflação e erodindo gradualmente sua base industrial. “Essas sanções vão suprimir o crescimento econômico da Rússia, aumentar os custos dos empréstimos, aumentar a inflação, intensificar a saída de capital e corroer gradualmente sua base industrial”, disse ela a repórteres em Bruxelas, acrescentando que a UE também pretende limitar o acesso da Rússia a tecnologia.

Vamos cobrar Putin por sua agressão, diz Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou um pacote de sanções econômicas à Rússia. Dentre as medidas, estão congelamento financeiro e banimento de exportações. “Esses poderes vão nos permitir excluir os bancos russos do sistema financeiro do Reino Unido, que é o maior da Europa, impedindo-os de acessar e fazer pagamentos através do Reino Unido”, declarou. “Vamos criar uma nova legislação para banir a exportação de itens para a Rússia, incluindo itens tecnológicos, componentes tecnológicos, em setores na área de eletrônica, telecomunicação e setor aeroespacial”. Também foi anunciada a suspensão de financiamento e empréstimos para empresas russas, além de limitação do número de verbas que poderão depositar em contas bancárias britânicas. Segundo o premiê, as medidas também serão aplicadas à Belarus – alinhada a Putin.

“Ataque mais sério à paz” em décadas, diz Macron

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse durante um discurso que a agressão contra a Rússia contra a Ucrânia constitui “o ataque mais sério à paz e à estabilidade na Europa em décadas”. “Ao escolher a guerra, o presidente Putin não atacou apenas a Ucrânia”, disse ele. “Ele decidiu realizar o mais sério ataque à paz e à estabilidade na Europa em décadas”, disse. “Estes eventos são um ponto de viragem na história da Europa e do nosso país. Terão consequências duradouras e de longo alcance nas nossas vidas, na geopolítica do nosso continente”, complementou. Como outros líderes europeus, Macron afirmou que as sanções europeias terão como alvo os setores militar, econômico e energético da Rússia.

Países da Europa ocidental acionam Artigo 4º da Otan

Países membros da Otan na Europa Oriental – Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia – acionaram o Artigo 4º da organização para lançar consultas dentro da aliança sobre o ataque da Rússia à Ucrânia. De acordo com o site da OTAN, a consulta ao abrigo do Artigo 4º pode levar a uma ação coletiva entre os 30 estados membros. “As partes se consultarão sempre que, na opinião de qualquer uma delas, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada”, diz o artigo 4º do tratado.

Bélgica pede que União Europeia pare de emitir vistos para russos

Bélgica quer que a União Europeia pare de emitir vistos para todos os cidadãos russos, incluindo estudantes, trabalhadores e turistas, disse o ministro do Asilo e Imigração, em resposta ao ataque de Moscou à Ucrânia. “O ataque imprudente da Rússia nos obriga a ter cuidado com os russos que desejam vir para a Bélgica”, disse a autoridade belga, Sammy Mahdi, em comunicado. “No momento, os russos não são bem-vindos aqui, uma proibição geral de visto para russos não deve ser um tabu”, disse ele, acrescentando que isso deve afetar estadias de curto e longo prazo.

Como foi o primeiro dia da guerra

Os ataques que se seguiram ao longo do dia foram flagrados por equipes da CNN em Kiev. Logo pela manhã, o repórter da CNN Brasil, Mathias Brotero, relatou ter ouvido barulhos que podem ser de explosões.
Os cidadãos de Kiev iniciaram um movimento de tentar sair da cidade. Na manhã de quinta, foram registradas longas filas de carros na capital ucraniana. O trânsito intenso tinha como direção o Oeste, longe de onde as explosões foram ouvidas pela manhã, com poucos carros indo para o Leste. Estações de metrô na cidade de Kharkiv, no leste ucraniano, viraram abrigo para moradores em meio à invasão de tropas da Rússia. Próxima da fronteira, a cidade foi alvo de bombardeio nesta quinta.
Moradores de Kiev deixam a cidade após ataques de mísseis das forças armadas russas e de Belarus, em 24 de fevereiro de 2022, em Kiev, na Ucrânia. / Getty Images
“É absolutamente surreal. Ontem, isso estaria cheio de passageiros indo e voltando para o trabalho. Hoje, tornou-se um abrigo antiaéreo improvisado”, relatou a principal correspondente internacional da CNN, Clarissa Ward.
A repórter informou que ela e sua equipe estavam do lado de fora quando então ouviram uma “série de baques”. “As pessoas começaram a entrar aqui… Essas pessoas estão assustadas. Estão confusas. Estão desesperadamente incertas sobre o que devem fazer, por quanto tempo podem se abrigar aqui, para onde vão a partir daqui”. Em entrevista à CNN, Alexandre Bruzzi, brasileiro residente em Kiev, relata a situação da capital da Ucrânia durante a madrugada desta quinta-feira (24), após invasão de tropas russas no país. “Estou um pouco distante do centro de Kiev. A gente só armazenou suprimentos, passaporte, utensílios que vão ajudar a gente no momento mais sério de fuga. Estamos tensos, seguindo orientações das autoridades locais, que pediram pra gente ficar em casa para não existir pânico”, disse Bruzzi.
Apelo similar foi feito por jogadores de futebol brasileiros dos times de Shakthtar Donetsk e Dinamo de Kiev, que pediram ajuda pelas redes sociais para saírem da Ucrânia. Em um vídeo gravado ao lado de suas esposas e filhos, um dos jogadores diz que eles deixaram suas casas e foram para um hotel, mas, com o espaço aéreo e as fronteiras fechadas, não conseguem deixar Kiev. “A gente pede muito apoio ao governo do Brasil para que possa nos ajudar”, afirma.

Zelensky: Vamos prover armas a todos que quiserem

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, concedeu uma entrevista coletiva liberando o uso de armas para “defender o território“. Ele pediu doação de sangue e afirmou que todos que estivessem preparados para defender o país deveriam se apresentar às forças militares.

Veja como foram as primeiras reações de líderes mundiais nas redes sociais

 

Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?

A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. “É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
  • ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões Rússia: US$ 45,3 bilhões
  • TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados Rússia: 840 mil soldados
  • AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170 Rússia: 1.212
  • HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170 Rússia: 997
  • TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302 Rússia: 3.601
  • ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555 Rússia: 5.613

Resumo para entender o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país. O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência). O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev. De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países. Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.
Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos. A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país. Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito. A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.