Ataque a prédio deixa mortos e feridos na segunda maior cidade da Ucrânia
Assembleia-Geral da ONU realiza reunião emergencial para discutir conflito no leste europeu
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN01/03/2022
Pelo menos dez pessoas morreram e 35 ficaram feridas em um ataque com foguetes na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, disse o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia em um post do Telegram nesta terça-feira (1°).
A explosão atingiu o prédio da Administração Estatal Regional do governo, de acordo com vídeos do incidente postados pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia (MOFA) e funcionários do governo. Os vídeos foram publicados também na terça-feira, no horário local, e foram verificados pela CNN.
O edifício da Administração Estatal Regional abriga escritórios do governo local. Ele está localizado na “Praça da Liberdade” – a praça principal de Kharkiv e um marco arquitetônico.
Segundo o serviço de emergência local, oito equipes trabalham no resgate das vítimas. “Há oito esquadrões de resgate de emergência no local trabalhando, com 80 funcionários e voluntários separando os destroços, arrastando-os para encontrar os feridos e os mortos. O trabalho continua”.
“A Rússia está travando uma guerra em violação do direito internacional humanitário. Mata civis, destrói a infraestrutura civil. O principal alvo da Rússia são as grandes cidades que agora são atingidas por seus mísseis”, tuitou o Ministério do Interior, que compartilhou um vídeo mostrando o ataque.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kubela, disse que “ataques com mísseis russos” causaram a explosão. Ele reforçou, então, o pedido para que outros países “isolem a Rússia totalmente”.
Zelensky diz que Rússia comete “terrorismo de Estado”
Em reação ao ataque a Kharkiv, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o míssil é “um terror absoluto e indisfarçado”. “Ninguém vai perdoar. Ninguém vai esquecer. Este ataque a Kharkiv é um crime de guerra”, afirmou o presidente nesta terça-feira.
“Pedimos a todos os países do mundo que respondam imediata e efetivamente a essa tática criminosa do agressor e declarem que a Rússia está cometendo terrorismo de Estado. Exigimos total responsabilidade pelos terroristas nos tribunais internacionais”, condenou o presidente.
Segundo ele, Kharkiv e a capital Kiev são os principais alvos russos no momento. “A defesa da capital, hoje, é a principal prioridade para o Estado. Se protegermos Kiev, protegeremos o Estado. Este é o coração do nosso país. E deve continuar batendo. E continuará batendo, para que a vida triunfe”, acrescentou o presidente.
Na segunda-feira (28), pelo menos nove civis haviam sido mortos por ataques com foguetes russos em Kharkiv, disse o prefeito Ihor Terekhov. Segundo ele, três crianças morreram.
“Os mísseis atingiram prédios residenciais, matando e ferindo civis pacíficos. Kharkiv não vê tantos danos há muito tempo. E isso é horrível”, disse ele. Uma família de dois adultos e três crianças foi queimada viva em seu carro, disse ele.
Presidente da Ucrânia faz apelo à União Europeia
Também nesta terça (1º), Zelensky fez em um pronunciamento ao Parlamento Europeu, por videoconferência. Ele fez um apelo para que os países provem que estão do lado da Ucrânia em sua guerra com a Rússia – um dia depois de assinar um pedido oficial de adesão ao bloco.
“Provem que vocês estão conosco. Provem que você não vão nos abandonar. Provem que vocês são realmente europeus e então a vida vencerá a morte e a luz vencerá as trevas. Glória à Ucrânia “, disse ele, em ucraniano, em um discurso traduzido para o inglês. O intérprete falou entre lágrimas, enquanto a emoção tomou conta do Parlamento.
Os parlamentares da UE, muitos vestindo camisetas com uma hashtag de apoio à Ucrânia e segurando a bandeira ucraniana, outros com lenços ou fitas azuis e amarelas, aplaudiram Zelensky de pé.
“A União Europeia será muito mais forte conosco. Sem vocês, a Ucrânia estará solitária”, acrescentou o presidente.
Prefeito de Kiev à CNN
Vitali Klitschko, prefeito da capital da Ucrânia, Kiev, disse a Anderson Cooper, da CNN, que está orgulhoso dos cidadãos ucranianos por defenderem seu país e vê a batalha pela frente como uma luta por seu futuro.
Klitschko disse que Kiev está sob um ataque “ininterrupto” das tropas russas e do que ele chamou de “grupos de agressão russos”.
“Nós ouvimos explosões a cada hora durante a noite passada, durante toda a noite passada, nos últimos quatro dias. As pessoas estão muito nervosas, passam muito tempo em bunkers”, disse.
“Vemos nosso futuro como um país europeu democrático e moderno. É isso. Sem discussão. É nosso objetivo. Estamos lutando por isso. Estamos lutando por nosso país. Estamos lutando por nosso sonho”, finalizou.
Nos últimos dias, a neve e a temperatura oscilando na casa de 0ºC têm representado mais uma preocupação para os moradores de Kiev, que se abrigam em porões sem aquecimento, estacionamentos subterrâneos e estações de metrô em toda a cidade.
Ataques em Mariupol
O prefeito de Mariupol, na Ucrânia, disse na manhã desta terça-feira que a cidade portuária do Sul estava sob bombardeios constantes que mataram civis e danificaram a infraestrutura, enquanto a Rússia iniciava o sexto dia de sua invasão, de acordo com a agência de notícias Reuters.
“Tivemos bairros residenciais bombardeados por cinco dias. Eles estão nos atacando com artilharia, estão nos bombardeando com GRADS, estão nos atingindo com forças aéreas”, disse Vadym Boichenko em uma transmissão ao vivo pela TV ucraniana.
Ocidente e China condenam Rússia, isolada na ONU
Países do Ocidente e a China condenaram a invasão da Ucrânia pela Rússia em discursos realizados nesta segunda-feira (28) durante uma reunião emergencial da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), convocada pelo Conselho de Segurança da entidade no domingo (27).
Entre os países-membros, o embaixador da Ucrânia junto à ONU, Sergiy Kyslytsya, foi o primeiro escalado a falar. Ele condenou as ações do governo de Vladimir Putin e, durante sua fala, afirmou que as próprias Nações Unidas estão sob ameaça, caso a Ucrânia não resista ao enfrentamento militar.
“Se a Ucrânia não sobreviver, a paz tampouco sobreviverá. Se a Ucrânia não sobreviver, a ONU não sobreviverá. Não se iludam: se a Ucrânia não sobreviver, não será uma surpresa se a democracia ruir em seguida”, declarou o embaixador ucraniano. “A única parte culpada aqui é a Federação Russa”.
Em seu discurso, o embaixador da China na ONU, Zhang Jun, defendeu a integridade dos territórios.
“Todos os países devem ter sua integridade territorial e soberania respeitadas. E os princípios da Carta da ONU devem ser respeitados, mantendo a paz”, afirmou Jun.
Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU, falou na reunião emergencial, e afirmou que “ainda há tempo de parar a guerra. Este é um momento decisivo para a ONU e para o mundo”.
O embaixador declarou estar preocupado com a sucessão de eventos que levarão a um conflito mais amplo, caso os ataques da Rússia sobre a Ucrânia não parem. “Todos sofrerão, não só os envolvidos na guerra, como os que pedem uma diminuição da agressão”.
Em seu discurso, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, sugeriu que o começo dos conflitos entre seu país e a Ucrânia estaria no não cumprimento de acordos previamente estabelecidos.
“A raiz das ações atuais está há muitos anos na sabotagem e na desobediência das obrigações”, afirmou. Nebenzya complementou considerando que “recentemente, houve em Kiev um acordo para reconsiderar e para que eles cumprissem aquilo que eles assinaram em 2015”.
O embaixador se refere ao Acordo de Minsk, em que Rússia e Ucrânia se comprometeram com um cessar-fogo e com planos de reintegração das províncias separatistas do leste ucraniano. Segundo ele, o não cumprimento do tratado seria um dos motivos da invasão russa –que já entra no quinto dia de confrontos.
O embaixador francês na ONU, Nicolas de Riviere, disse que “ninguém pode desviar o olhar. A abstenção não é uma opção”.
Já o secretário-geral da organização, António Guterres, disse esperar que as negociações “produzam não apenas uma interrupção imediata dos combates, mas também um caminho para uma solução diplomática”.
Guterres descreveu a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, no domingo, de colocar as forças nucleares da Rússia em alerta máximo como um “desenvolvimento assustador”, dizendo à Assembleia Geral que o conflito nuclear é “inconcebível”.
EUA anunciam novas medidas financeiras contra a Rússia
O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), proibiu, nesta segunda-feira, que cidadãos norte-americanos se envolvam em transações com o Banco Central, o Fundo Nacional de Riqueza e o Ministério das Finanças da Rússia.
Ainda foram impostas sanções e bloqueios ao Fundo de Investimento Direto da Rússia e ao seu CEO Kirill Dmitriev. Segundo os norte-americanos, Dmitriev tem a confiança do presidente Vladimir Putin para arrecadar fundos no exterior para o país.
“Tomamos as ações de hoje para prejudicar a capacidade da Rússia de usar suas reservas internacionais de forma a prejudicar o impacto de nossas sanções, bem como para impedir que a Rússia acesse seu fundo de riqueza para uso em sua guerra em andamento contra a Ucrânia”, afirmou Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA.
Tribunal de Haia vai investigar Rússia por crimes de guerra e contra humanidade
O Tribunal Penal Internacional, em Haia, decidiu nesta segunda-feira abrir investigação sobre a situação da Ucrânia “o mais rápido possível”.
O procurador, Karim Khan, disse estar “convencido de que há uma base razoável para acreditar que tanto os supostos crimes de guerra quanto os crimes contra a humanidade foram cometidos na Ucrânia”.
Embora nem a Rússia nem a Ucrânia façam parte do Tribunal de Haia, a Ucrânia exerceu suas prerrogativas para que o Tribunal investigue crimes de guerra e contra a humanidade cometidos por Moscou desde o final de 2013.
Primeiro encontro entre Rússia e Ucrânia termina sem acordo
Foi encerrado sem acordo o primeiro encontro entre delegações diplomáticas de Ucrânia e Rússia, que se reuniram na região da fronteira com Belarus, nesta segunda-feira, para discutir um possível cessar-fogo.
De acordo com o assessor presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, os representantes retornarão às suas respectivas capitais antes de uma segunda rodada de negociações, informou a agência de notícias RIA. Os países estão em uma guerra que já persiste há cinco dias, desde que forças russas invadiram o território ucraniano.
A delegação ucraniana incluiu, entre outros, o ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, conselheiro do chefe do gabinete do presidente da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Mykola Tochytskyi.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não fez parte do grupo. O país exigiria um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”, disse um comunicado da presidência ucraniana mais cedo.
Na última sexta-feira, em mensagem de vídeo, o presidente da Ucrânia pediu conversas diretas com o líder russo Vladimir Putin. “Gostaria de me dirigir ao presidente da Federação Russa mais uma vez. Há combates em toda a Ucrânia agora. Vamos nos sentar à mesa de negociações para impedir a morte das pessoas”, disse Zelensky.
Presidente ucraniano assina pedido formal de adesão à União Europeia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou nesta segunda-feira (28) um pedido oficial para a Ucrânia ingressar na União Europeia (UE).
Diante da invasão russa ao país, Zelensky pediu ao bloco que permita que a Ucrânia se torne membro imediatamente sob um procedimento especial.
Pelo Twitter, o primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, afirmou que a “esta é a escolha da Ucrânia e do povo ucraniano. Nós mais do que merecemos”.
Após o anúncio, presidentes de oito países da Europa Central e Oriental pediram aos Estados-membros da União Europeia, por meio de uma carta aberta, que tornem imediatamente à Ucrânia um país candidato a ingressar no bloco e abram as negociações de adesão, de acordo com uma carta aberta.
Comboio russo avançou de Ivankiv para arredores de Kiev
Um comboio militar russo que estava fora de Ivankiv, na Ucrânia chegou no domingo aos arredores de Kiev, mostram imagens de satélite.
No domingo, o comboio estava a cerca de 64 quilômetros a noroeste da capital ucraniana, de acordo com imagens fornecidas pela Maxar Technologies.
A Maxar disse que quase 65 quilômetros de estrada estão tomados pelo comboio, que consiste em veículos blindados, tanques, artilharia rebocada e outros veículos logísticos.
A empresa privada norte-americana afirmou que o comboio estava localizado na rodovia T-1011, na base aérea de Antonov, por volta das 11h11, horário local.
Antonov fica a cerca de 27 quilômetros do centro da capital ucraniana.
Imagens de satélite da empresa Maxar Technologies mostram comboio militar russo se deslocando para os arredores de Kiev / Divulgação/Maxar Technologies
Belarus se prepara para se unir à Rússia na invasão, diz inteligência ucraniana
Uma segunda fonte próxima ao governo ucraniano disse à CNN que, além da inteligência ucraniana, o governo do presidente americano Joe Biden também transmitiu ao governo ucraniano que Belarus está se preparando para se juntar à invasão russa.
Até agora, no entanto, as autoridades dos EUA não viram as tropas de Belarus “sendo preparadas para entrar na Ucrânia” ou “que estão se movendo ou estão na Ucrânia”, disse um alto funcionário da Defesa dos EUA a repórteres nesta segunda-feira, acrescentando que as forças dentro da Ucrânia são russas.
Nações africanas no Conselho de Segurança condenam racismo na fronteira ucraniana
Representantes das três nações africanas no Conselho de Segurança da ONU – Quênia, Gana e Gabão – condenaram a discriminação contra cidadãos africanos na fronteira ucraniana durante uma reunião do CSNU na sede da ONU em Nova York nesta segunda-feira (28).
“Na emergência que se desenrola, houve relatos perturbadores sobre o tratamento racista de africanos e afrodescendentes que procuram fugir da Ucrânia para um local seguro”, disse o embaixador queniano na ONU, Martin Kimani.
EUA pediram a 12 diplomatas russos da ONU que deixem o país
Os Estados Unidos pediram a 12 diplomatas russos da Organização das Nações Unidas (ONU) que deixem o país devido ao seu suposto envolvimento em “atividades que não estavam de acordo com suas responsabilidades e obrigações como diplomatas”, disse o embaixador Richard Mills, vice-representante dos Estados Unidos na ONU, durante uma reunião do Conselho de Segurança, na tarde desta segunda-feira (28).
O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzia, respondeu dizendo que a explicação de Mills sobre as expulsões “não era satisfatória”.
O embaixador dos EUA na ONU também disse em comunicado que os 12 diplomatas russos eram “agentes de inteligência… que abusaram de seus privilégios de residência nos Estados Unidos ao se envolverem em atividades de espionagem adversas à nossa segurança nacional”.
Petróleo sobe mais de 4% com tensão na Ucrânia e sanções à Rússia
O petróleo terminou a sessão desta segunda-feira com alta de mais de 4%, com a escalada das tensões na Ucrânia e o Ocidente anunciando novas sanções contra a Rússia. Além de governos, empresas também anunciaram restrições ao país.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para abril fechou em alta de 4,51%, a US$ 95,72 o barril, enquanto o do Brent avançou 4,09%, a US$ 97,97, na Intercontinental Exchange (ICE).
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou um novo conjunto de sanções que proíbe cidadãos no país de se envolver em transações com o Banco Central da Rússia, o Fundo Nacional de Riqueza russo e o Ministério das Finanças do país.
Depois do YouTube, Google corta receita de anúncios de mídia estatal russa
O Google não permitirá mais que os meios de comunicação estatais russos exibam anúncios, seguindo uma decisão semelhante tomada pela subsidiária de vídeo da gigante de tecnologia, o YouTube, no sábado (26).
“Em resposta à guerra na Ucrânia, estamos pausando a monetização do Google da mídia financiada pelo Estado russo em nossas plataformas”, disse o Google em nota à CNN Business no domingo (27). “Estamos monitorando ativamente novos desdobramentos e tomaremos outras medidas, se necessário”.
O anúncio marca o mais recente golpe na mídia russa, em meio a uma onda de críticas direcionadas às plataformas de Big Tech, na semana passada, por permitirem que a monetização continuasse apesar da invasão da Ucrânia pela Rússia.
França anuncia transferência de embaixada na Ucrânia para a cidade de Lviv
A França transferirá sua embaixada da capital ucraniana de Kiev para a cidade ocidental de Lviv, disse o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, à BFM TV na segunda-feira.
O país é o mais recente dentre os ocidentais a transferir sua embaixada da capital, mas optou por deslocá-la devido ao agravamento da situação no terreno.
Já a Alemanha está enviando aviões de guerra Tornado e uma aeronave de patrulha marítima em uma missão de reconhecimento para a área do Mar Báltico, segundo a missão do país na Otan.
No início do dia, a marinha alemã despachou seis navios de guerra adicionais, quatro deles para o Mar Báltico.
Kiev deve ser cercada nos próximos dias, estimam oficiais dos Estados Unidos
Os Estados Unidos estimam que as forças russas devem tentar cercar Kiev, na Ucrânia, nos próximos dias. De acordo com uma autoridade da Defesa norte-americana, a ofensiva pode se tornar mais agressiva por uma frustração com o lento avanço sobre a capital ucraniana.
Sirenes de ataque aéreo soaram nas ruas praticamente vazias de Kiev nesta segunda-feira (28), alertando sobre outro possível ataque com mísseis da Rússia. A cidade se prepara para batalhas piores à medida que as forças russas se aproximam.
Autoridades dos Estados Unidos dizem acreditar que a forte resistência ucraniana retardou o progresso das tropas russas. Além disso, falhas de planejamento deixaram algumas unidades russas sem combustível ou outros suprimentos.
EUA anunciam US$ 54 milhões em ajuda humanitária à Ucrânia
O porta-voz do Departamento de Estado dosEstados Unidos, Ned Price, anunciou, nesta segunda-feira que serão enviados US$ 54 milhões (R$ 278,6 milhões, na atual cotação) em assistência humanitária para afetados pela invasão russa na Ucrânia.
“Essa assistência adicional que será fornecida pelo Departamento de Estado e a Agência de Desenvolvimento Internacional, permitirá que organizações humanitárias possam apoiar mais ainda o povo da Ucrânia. Os Estados Unidos estão em solidariedade e continuarão a apoiar o governo e o povo da Ucrânia em face dessa agressão provocada pela Rússia”, afirmou Price.
Sanções podem levar Rússia a dar calote, diz instituto internacional de finanças
As sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos e países aliados à Rússia podem levar o país a dar um calote em sua dívida externa. A avaliação é do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), uma associação que reúne os maiores bancos do mundo.
Em uma nota publicada nesta segunda-feira, o IIF diz ainda que o PIB russo deve sucumbir ao impacto das punições internacionais.
Para os analistas do órgão, a decisão de banir grandes bancos russos do sistema Swift foi considerada uma das mais sérias impostas a um país na história recente.
Enquanto ainda debatiam o alcance e a eficácia desta medida, o anúncio de ações restritivas ao Banco Central da Rússia e a sinalização de que a força das sanções pode aumentar, levaram o IIF a prever fortes impactos na economia russa.
10% de toda a população ucraniana deve deixar o país, estima ONU
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) projeta que a guerra na Ucrânia deve deslocar 4 milhões de pessoas para outros países. É uma movimentação de cerca de 10% de toda a população ucraniana.
A estimativa é de que, até agora, cerca de 520 mil pessoas já tenham deixado a Ucrânia rumo a países vizinhos. A maior parte (280 mil) foi para a Polônia.
Em entrevista à CNN Rádio, o porta-voz do ACNUR Luiz Fernando Godinho demonstrou preocupação com o ritmo tão intenso no deslocamento.
“É um impacto humanitário devastador, que vai ter consequências por muito tempo”, avalia. “A prioridade é acomodar essas pessoas nos países em que elas estão chegando para dar a elas a oportunidade de dar uma respirada.”
Fifa e Uefa suspendem times da Rússia e seleção fica fora da Copa
Rublo cai 30% e Rússia sobe juros para 20% após enxurrada de sanções
A moeda da Rússia caiu para um recorde de baixa em relação ao dólar dos Estados Unidos nesta segunda-feira (28) como o sistema financeiro do país cambaleou por sanções esmagadoras impostas pelos países ocidentais.
O rublo perdeu mais de 30% de seu valor para ser negociado a 109 por dólar às 4h30 (horário de Brasília), após uma queda anterior de até 40%. O início das negociações no mercado de ações russo foi adiado.
O colapso da moeda fez com que a central russa voltasse a implementar medidas de emergência, incluindo um grande aumento nas taxas de juros de 9,5% para 20%.
Ainda nesta segunda, os EUA tomaram novas medidas para proibir transações em dólares americanos com o banco central russo e bloquear totalmente o fundo de investimento direto russo.
O objetivo é impedir que a Rússia acesse um “fundo para dias difíceis” com o qual Moscou esperava contar durante a invasão à Ucrânia, segundo autoridades.
O que de mais importante aconteceu nesta segunda-feira
Prefeito de Kharkiv diz que 9 civis morreram em ataques com foguetes russos
Ministro de Relações Exteriores do Brasil diz que portaria sobre visto humanitário será publicada até quarta (2)
ONU estima que mais de 520 mil cidadãos ucranianos estão refugiados em países vizinhos
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Trens lotados: enviado especial da CNN mostra refugiados deixando Kiev rumo a Varsóvia, na Polônia
Ucranianos fogem do país rumo a países da União Europeia
O enviado especial da CNN Brasil ao Leste Europeu, Mathias Brotero, mostrou a chegada dos refugiados ucranianos ao país – assista no vídeo abaixo. Eles foram recebidos com suprimentos, como alimentos e fraldas.
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.
Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.