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Ataque a prédio deixa mortos e feridos na segunda maior cidade da Ucrânia

Assembleia-Geral da ONU realiza reunião emergencial para discutir conflito no leste europeu

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 01/03/2022
Pelo menos dez pessoas morreram e 35 ficaram feridas em um ataque com foguetes na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, disse o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia em um post do Telegram nesta terça-feira (1°). A explosão atingiu o prédio da Administração Estatal Regional do governo, de acordo com vídeos do incidente postados pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia (MOFA) e funcionários do governo. Os vídeos foram publicados também na terça-feira, no horário local, e foram verificados pela CNN.
O edifício da Administração Estatal Regional abriga escritórios do governo local. Ele está localizado na “Praça da Liberdade” – a praça principal de Kharkiv e um marco arquitetônico. Segundo o serviço de emergência local, oito equipes trabalham no resgate das vítimas. “Há oito esquadrões de resgate de emergência no local trabalhando, com 80 funcionários e voluntários separando os destroços, arrastando-os para encontrar os feridos e os mortos. O trabalho continua”. “A Rússia está travando uma guerra em violação do direito internacional humanitário. Mata civis, destrói a infraestrutura civil. O principal alvo da Rússia são as grandes cidades que agora são atingidas por seus mísseis”, tuitou o Ministério do Interior, que compartilhou um vídeo mostrando o ataque. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kubela, disse que “ataques com mísseis russos” causaram a explosão. Ele reforçou, então, o pedido para que outros países “isolem a Rússia totalmente”.

Zelensky diz que Rússia comete “terrorismo de Estado”

Em reação ao ataque a Kharkiv, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o míssil é “um terror absoluto e indisfarçado”. “Ninguém vai perdoar. Ninguém vai esquecer. Este ataque a Kharkiv é um crime de guerra”, afirmou o presidente nesta terça-feira. “Pedimos a todos os países do mundo que respondam imediata e efetivamente a essa tática criminosa do agressor e declarem que a Rússia está cometendo terrorismo de Estado. Exigimos total responsabilidade pelos terroristas nos tribunais internacionais”, condenou o presidente. Segundo ele, Kharkiv e a capital Kiev são os principais alvos russos no momento. “A defesa da capital, hoje, é a principal prioridade para o Estado. Se protegermos Kiev, protegeremos o Estado. Este é o coração do nosso país. E deve continuar batendo. E continuará batendo, para que a vida triunfe”, acrescentou o presidente. Na segunda-feira (28), pelo menos nove civis haviam sido mortos por ataques com foguetes russos em Kharkiv, disse o prefeito Ihor Terekhov. Segundo ele, três crianças morreram. “Os mísseis atingiram prédios residenciais, matando e ferindo civis pacíficos. Kharkiv não vê tantos danos há muito tempo. E isso é horrível”, disse ele. Uma família de dois adultos e três crianças foi queimada viva em seu carro, disse ele.

Presidente da Ucrânia faz apelo à União Europeia

Também nesta terça (1º), Zelensky fez em um pronunciamento ao Parlamento Europeu, por videoconferência. Ele fez um apelo para que os países provem que estão do lado da Ucrânia em sua guerra com a Rússia – um dia depois de assinar um pedido oficial de adesão ao bloco. “Provem que vocês estão conosco. Provem que você não vão nos abandonar. Provem que vocês são realmente europeus e então a vida vencerá a morte e a luz vencerá as trevas. Glória à Ucrânia “, disse ele, em ucraniano, em um discurso traduzido para o inglês. O intérprete falou entre lágrimas, enquanto a emoção tomou conta do Parlamento. Os parlamentares da UE, muitos vestindo camisetas com uma hashtag de apoio à Ucrânia e segurando a bandeira ucraniana, outros com lenços ou fitas azuis e amarelas, aplaudiram Zelensky de pé. “A União Europeia será muito mais forte conosco. Sem vocês, a Ucrânia estará solitária”, acrescentou o presidente.

Prefeito de Kiev à CNN

Vitali Klitschko, prefeito da capital da UcrâniaKiev, disse a Anderson Cooper, da CNN, que está orgulhoso dos cidadãos ucranianos por defenderem seu país e vê a batalha pela frente como uma luta por seu futuro. Klitschko disse que Kiev está sob um ataque “ininterrupto” das tropas russas e do que ele chamou de “grupos de agressão russos”. “Nós ouvimos explosões a cada hora durante a noite passada, durante toda a noite passada, nos últimos quatro dias. As pessoas estão muito nervosas, passam muito tempo em bunkers”, disse. “Vemos nosso futuro como um país europeu democrático e moderno. É isso. Sem discussão. É nosso objetivo. Estamos lutando por isso. Estamos lutando por nosso país. Estamos lutando por nosso sonho”, finalizou. Nos últimos dias, a neve e a temperatura oscilando na casa de 0ºC têm representado mais uma preocupação para os moradores de Kiev, que se abrigam em porões sem aquecimento, estacionamentos subterrâneos e estações de metrô em toda a cidade.

Ataques em Mariupol

O prefeito de Mariupol, na Ucrânia, disse na manhã desta terça-feira que a cidade portuária do Sul estava sob bombardeios constantes que mataram civis e danificaram a infraestrutura, enquanto a Rússia iniciava o sexto dia de sua invasão, de acordo com a agência de notícias Reuters. “Tivemos bairros residenciais bombardeados por cinco dias. Eles estão nos atacando com artilharia, estão nos bombardeando com GRADS, estão nos atingindo com forças aéreas”, disse Vadym Boichenko em uma transmissão ao vivo pela TV ucraniana.

Ocidente e China condenam Rússia, isolada na ONU

Países do Ocidente e a China condenaram a invasão da Ucrânia pela Rússia em discursos realizados nesta segunda-feira (28) durante uma reunião emergencial da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), convocada pelo Conselho de Segurança da entidade no domingo (27). Entre os países-membros, o embaixador da Ucrânia junto à ONU, Sergiy Kyslytsya, foi o primeiro escalado a falar. Ele condenou as ações do governo de Vladimir Putin e, durante sua fala, afirmou que as próprias Nações Unidas estão sob ameaça, caso a Ucrânia não resista ao enfrentamento militar. “Se a Ucrânia não sobreviver, a paz tampouco sobreviverá. Se a Ucrânia não sobreviver, a ONU não sobreviverá. Não se iludam: se a Ucrânia não sobreviver, não será uma surpresa se a democracia ruir em seguida”, declarou o embaixador ucraniano. “A única parte culpada aqui é a Federação Russa”. Em seu discurso, o embaixador da China na ONU, Zhang Jun, defendeu a integridade dos territórios. “Todos os países devem ter sua integridade territorial e soberania respeitadas. E os princípios da Carta da ONU devem ser respeitados, mantendo a paz”, afirmou Jun. Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU, falou na reunião emergencial, e afirmou que “ainda há tempo de parar a guerra. Este é um momento decisivo para a ONU e para o mundo”. O embaixador declarou estar preocupado com a sucessão de eventos que levarão a um conflito mais amplo, caso os ataques da Rússia sobre a Ucrânia não parem. “Todos sofrerão, não só os envolvidos na guerra, como os que pedem uma diminuição da agressão”. Em seu discurso, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, sugeriu que o começo dos conflitos entre seu país e a Ucrânia estaria no não cumprimento de acordos previamente estabelecidos. “A raiz das ações atuais está há muitos anos na sabotagem e na desobediência das obrigações”, afirmou. Nebenzya complementou considerando que “recentemente, houve em Kiev um acordo para reconsiderar e para que eles cumprissem aquilo que eles assinaram em 2015”. O embaixador se refere ao Acordo de Minsk, em que Rússia e Ucrânia se comprometeram com um cessar-fogo e com planos de reintegração das províncias separatistas do leste ucraniano. Segundo ele, o não cumprimento do tratado seria um dos motivos da invasão russa –que já entra no quinto dia de confrontos. O embaixador francês na ONU, Nicolas de Riviere, disse que “ninguém pode desviar o olhar. A abstenção não é uma opção”. Já o secretário-geral da organização, António Guterres, disse esperar que as negociações “produzam não apenas uma interrupção imediata dos combates, mas também um caminho para uma solução diplomática”. Guterres descreveu a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, no domingo, de colocar as forças nucleares da Rússia em alerta máximo como um “desenvolvimento assustador”, dizendo à Assembleia Geral que o conflito nuclear é “inconcebível”.

EUA anunciam novas medidas financeiras contra a Rússia

O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), proibiu, nesta segunda-feira, que cidadãos norte-americanos se envolvam em transações com o Banco Central, o Fundo Nacional de Riqueza e o Ministério das Finanças da Rússia. Ainda foram impostas sanções e bloqueios ao Fundo de Investimento Direto da Rússia e ao seu CEO Kirill Dmitriev. Segundo os norte-americanos, Dmitriev tem a confiança do presidente Vladimir Putin para arrecadar fundos no exterior para o país. “Tomamos as ações de hoje para prejudicar a capacidade da Rússia de usar suas reservas internacionais de forma a prejudicar o impacto de nossas sanções, bem como para impedir que a Rússia acesse seu fundo de riqueza para uso em sua guerra em andamento contra a Ucrânia”, afirmou Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA.

Tribunal de Haia vai investigar Rússia por crimes de guerra e contra humanidade

O Tribunal Penal Internacional, em Haia, decidiu nesta segunda-feira abrir investigação sobre a situação da Ucrânia “o mais rápido possível”. O procurador, Karim Khan, disse estar “convencido de que há uma base razoável para acreditar que tanto os supostos crimes de guerra quanto os crimes contra a humanidade foram cometidos na Ucrânia”. Embora nem a Rússia nem a Ucrânia façam parte do Tribunal de Haia, a Ucrânia exerceu suas prerrogativas para que o Tribunal investigue crimes de guerra e contra a humanidade cometidos por Moscou desde o final de 2013.

Primeiro encontro entre Rússia e Ucrânia termina sem acordo

Foi encerrado sem acordo o primeiro encontro entre delegações diplomáticas de Ucrânia e Rússia, que se reuniram na região da fronteira com Belarus, nesta segunda-feira, para discutir um possível cessar-fogo. De acordo com o assessor presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, os representantes retornarão às suas respectivas capitais antes de uma segunda rodada de negociações, informou a agência de notícias RIA. Os países estão em uma guerra que já persiste há cinco dias, desde que forças russas invadiram o território ucraniano. A delegação ucraniana incluiu, entre outros, o ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, conselheiro do chefe do gabinete do presidente da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Mykola Tochytskyi. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não fez parte do grupo. O país exigiria um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”, disse um comunicado da presidência ucraniana mais cedo. Na última sexta-feira, em mensagem de vídeo, o presidente da Ucrânia pediu conversas diretas com o líder russo Vladimir Putin. “Gostaria de me dirigir ao presidente da Federação Russa mais uma vez. Há combates em toda a Ucrânia agora. Vamos nos sentar à mesa de negociações para impedir a morte das pessoas”, disse Zelensky.

Rublo cai 30% e Rússia sobe juros para 20% após enxurrada de sanções

A moeda da Rússia caiu para um recorde de baixa em relação ao dólar dos Estados Unidos nesta segunda-feira (28) como o sistema financeiro do país cambaleou por sanções esmagadoras impostas pelos países ocidentais. O rublo perdeu mais de 30% de seu valor para ser negociado a 109 por dólar às 4h30 (horário de Brasília), após uma queda anterior de até 40%. O início das negociações no mercado de ações russo foi adiado. O colapso da moeda fez com que a central russa voltasse a implementar medidas de emergência, incluindo um grande aumento nas taxas de juros de 9,5% para 20%. Ainda nesta segunda, os EUA tomaram novas medidas para proibir transações em dólares americanos com o banco central russo e bloquear totalmente o fundo de investimento direto russo. O objetivo é impedir que a Rússia acesse um “fundo para dias difíceis” com o qual Moscou esperava contar durante a invasão à Ucrânia, segundo autoridades.

O que de mais importante aconteceu nesta segunda-feira

  • Prefeito de Kharkiv diz que 9 civis morreram em ataques com foguetes russos
  • Ministro de Relações Exteriores do Brasil diz que portaria sobre visto humanitário será publicada até quarta (2)
  • ONU estima que mais de 520 mil cidadãos ucranianos estão refugiados em países vizinhos
  • Bolsonaro diz que sempre pregou o “equilíbrio” na relação entre Rússia e Ucrânia
  • Meta bloqueará o acesso de estatais russas na Europa
  • Nações africanas no Conselho de Segurança condenam racismo na fronteira ucraniana
  • General Motors anuncia que deixará de exportar carros para a Rússia
  • EUA divulgam novas sanções financeiras contra a Rússia
  • Biden diz que norte-americanos não devem se preocupar com guerra nuclear
  • Tribunal de Haia vai investigar Rússia por crimes de guerra e contra humanidade
  • Comboio russo avançou de Ivankiv para arredores de Kiev
  • Alemanha envia aviões de guerra e aeronaves de patrulha para o Mar Báltico
  • Fifa e Uefa suspendem times da Rússia por guerra na Ucrânia; seleção fica fora da Copa
  • Presidente ucraniano assina pedido formal de adesão à União Europeia
  • Airbnb anuncia que vai abrigar até 100 mil refugiados ucranianos
  • Primeira negociação por cessar-fogo acaba sem acordo entre Rússia e Ucrânia
  • Na ONU, Ucrânia pede cessar-fogo; Rússia diz que acordos foram sabotados
  • Quase 6.000 pessoas estão detidas na Rússia após quarto dia de protestos
  • Rublo cai 30%, e Rússia sobe juros de 9,5% para 20% após enxurrada de sanções

Trens lotados: enviado especial da CNN mostra refugiados deixando Kiev rumo a Varsóvia, na Polônia

Ucranianos fogem do país rumo a países da União Europeia

O enviado especial da CNN Brasil ao Leste Europeu, Mathias Brotero, mostrou a chegada dos refugiados ucranianos ao país – assista no vídeo abaixo. Eles foram recebidos com suprimentos, como alimentos e fraldas.